"Raios de Luz"


sábado, 30 de março de 2013

Ao sepultar Jesus, sepultemos o nosso coração, como o de Maria


Quando uma mãe assiste à morte de seu filho, sem dúvida que ela sente e sofre bastante com isso. Mas quando o filho atormentado, já morto, deve ser sepultado e a aflita mãe despedir-se dele com o pensamento de não mais o tornar a ver é uma dor que excede todas as dores. Foi esta a última dor que trespassou o Coração aflito de Maria Santíssima.

Neste dia em que a Igreja aguarda na expectativa da Ressurreição Gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo, voltemos ao Calvário de forma a observar atentamente a dor de Maria, que ainda com o corpo de Jesus nos braços, se consome de dor ao beijar-lhe as chagas.

Os discípulos de forma a pouparem a Virgem Maria de tão grande dor, prepararam o necessário para colocar Jesus no sepulcro. Envolvido num sudário e embalsamado com aromas, carregam o corpo de Jesus até ao sepulcro novo cavado na rocha. De certo que as mulheres seguiam atentamente o cortejo e entre elas, a Mãe Santíssima com o Coração trespassado, acompanhando o Filho à sepultura.

Depois de colocado o corpo no sepulcro novo, os discípulos rolam a pedra para a entrada e assim encerram o corpo de Jesus, naquela terra.

Diz São Boaventura que a Divina Mãe, antes de deixar o sepulcro, abençoou aquela sagrada pedra e assim, dando o Seu último adeus ao Filho, volta para casa, deixando o Seu coração sepultado com Jesus.

E nós? Onde termos o nosso coração sepultado? Será que o sepultamos nos bens do mundo, nos interesses, no lodo do pecado? «Porque é que não sepultamos o nosso coração com Jesus que depois de morto e ressuscitado não quis ficar morto mas no Santíssimo Sacramento do altar para assim ter consigo todos os nossos corações?», diz-nos Santo Afonso.

Procuremos imitar Maria nas nossas vidas. Encerremos o nosso coração, como fez Maria, no santo Tabernáculo para não mais o tirar de lá. Coloquemo-nos em espírito com a Mãe Dolorosa junto do sepulcro de Jesus e unamos os nossos afectos com os de Maria e digamos com amor:

«Ó meu Jesus sepultado, beijo a pedra que Vos encerra. Vós que ressuscitastes ao terceiro dia, fazei que, pelos méritos da Vossa Gloriosa Ressurreição, no último dia também eu ressuscite convosco na glória, para estar sempre unido a Vós no céu, para Vos louvar e adorar eternamente».

sexta-feira, 29 de março de 2013

A descida de Jesus da cruz e a dor de Maria


Na tarde da Paixão, temendo a Mãe dolorosa que depois do ultraje da morte de Seu amado Filho, fossem feitas injúrias ao Seu corpo, pede a José de Arimateia que obtivesse de Pilatos o corpo de Jesus, a fim de que, ao menos morto, o pudesse guardar e livrar dos ultrajes.

Diz-nos Santo Anselmo que, tomado por compaixão pela Virgem Dolorosa, José foi ter com Pilatos e pediu-lhe que deixasse retirar o corpo de Jesus. E eis que descem Jesus da cruz.

Foi revelado a Santa Brígida que para o descimento, encostaram à cruz três escadas. Primeiro, os discípulos despregaram as mãos e depois os pés, sendo os cravos entregues a Maria. Depois, segurando um o corpo de Jesus por cima e o outro por baixo, desceram-no da cruz.

À Sua espera estavam os braços abertos da Santíssima Virgem Maria cujo coração tinha acabado de ser trespassado com a morte de Seu Filho e seria trespassado ainda quando O recebesse em Seus braços.
O corpo de Jesus, deposto nos braços de Maria, está coberto de sangue. A Sua santa cabeça está marcada pelos espinhos que lhe serviram de coroa e as Suas santas mãos e pés estão perfurados.

«Ah Meu amado Filho! A que estado te reduziu o amor para com os homens! Que mal fizeste para assim te maltratarem? Ó espinhos cruéis, cravos atrozes e bárbara lança, como pudestes tratar assim o vosso criador?»

A Mãe amargurada, junto à cruz, com Seu Filho nos braços chora pelos pecadores. Quais cravos e quais espinhos? As dores que Jesus sentiu, o sofrimento que causaram no Seu Corpo foram os pecados da Humanidade inteira que foi redimida pelo Seu sangue.

«O Virgem Santíssima, depois que Vós, com tanto amor destes o Vosso Filho ao mundo para a nossa salvação, eis que o colocamos assim em Vossos braços»

A Virgem Maria sofreu com a morte de Seu Filho e continua a sofrer com os pecados que continuamente proferimos contra o fruto das Suas entranhas. Não continuemos pois a atormentar esta Dolorosa Mãe, e se no passado nós também a temos afligido com as nossas culpas, façamos o que Ela mesmo nos diz: «Pecadores, voltai ao coração ferido do Meu Jesus, voltai arrependidos e Ele vos acolherá» - revelação feita pela Santíssima Virgem a Santa Brígida.

Terminamos a nossa meditação com mais uma oração de Santo Afonso que provém da tomada de consciência das dores de Maria:
«Ó Virgem Dolorosa, ó alma grande nas virtudes e grande também nas dores, pois tanto umas como outras nascem do amor que tendes para com Deus. Ah, minha Mãe! Tende piedade de mim, que não tenho amado Deus e O tenho ofendido. Nas Vossas dores medito e tenho confiança no perdão de Deus. Ó Maria, Vós que consolais a todos, consolai-me também a mim».

Sexta-feira Santa: Jesus morre pelos nossos pecados



«Pater, in manus tuas commendo spiritum meum»

É esta a última palavra que Jesus profere com confiança filial e perfeita resignação com a vontade de Deus. Celebramos hoje a Sexta-feira da Paixão do Senhor. Depois de meditarmos nestes últimos dias, o que aconteceu a Jesus desde a Sua entrada triunfal em Jesus, hoje contemplamos o Senhor pregado da cruz, entre dois ladrões, como se de um malfeitor se tratasse.

As últimas palavras de Jesus demonstram que Ele não estava no mundo para fazer a Sua vontade, mas a de Seu excelso Pai, Nosso Senhor. E colocando-se nas mãos de Deus, Jesus estava disposto a suportar, se fosse vontade divina, maior padecimento sobre a cruz.

Poder-nos-íamos questionar se algumas vez seríamos de fazer o mesmo nas nossas vidas. Será que seríamos capazes de entregá-La por Deus, padecendo os suplícios que nos fossem impostos? Quantos mártires já fizeram parte dos dois mil anos de história da Santa Igreja. De certo que todos eles olharam para a entrega total de Jesus na Cruz e foram capazes de entregar as suas vidas nas mãos do Pai.

Pelas três horas da tarde, a morte abeira-se de Jesus, e enquanto treme a terra, se abrem os túmulos e se rasga o véu do templo, as forças de Nosso Senhor vão-lhe falhando e eis que ao abandonar o corpo, deixa cair a cabeça e expira: «Tudo está consumado».

Todos aqueles que estavam com Jesus, por causa da força com que proferiu as Suas últimas palavras, contemplam-no silenciosamente, e vendo-o expirar dizem: o Senhor morreu!

O Autor da Vida morreu!

«Vem minha alma, levanta os olhos e contempla o Cordeiro Divino já imolado no altar da cruz; lembra-te que Ele é o Filho predilecto do Pai e que morreu pelo amor que te tem dedicado. Vê esses braços abertos para te acolherem, a cabeça inclinada e o lado perfurado para te receber.»

Santo Afonso convida-nos a olhar para o amor com que Jesus nos ama e que culminou na cruz. Deus não poupou a Sua própria pessoa para demonstrar o quanto nos ama.

«Meu Jesus, lançai sobre mim um esse olhar afectuoso com que me olháveis da cruz, olhai-me, iluminai-me e perdoai-me! Perdoai-me em particular a ingratidão que tenho para convosco, pensando tão pouco na Vossa Paixão e no amor que nela me tendes demonstrado».

Ao contemplarmos o triste cenário da morte do Autor da Vida no madeiro da cruz, detenhamo-nos naquilo que foi esta entrega. Jesus padeceu, foi açoitado, coroado de espinhos, pregado num madeiro e posto à vista de todos. Muitos  foram aqueles que O escarneceram e duvidaram da Sua Divindade.

Quantas vezes, também nós o açoitamos com os nossos pecados? Sem termos consciência do que Jesus sofreu ao ser trespassado por aqueles pregos, ofendemo-lo, ofendemos a Sua Santa Mãe e carregamos ainda mais nos cravos que chagaram as Suas benditas mãos.

Ó Maria, minha Mãe e Mãe das Dores, Vós que chorastes amargamente a morte do Vosso Filho no madeiro da cruz, purificai-me com as Vossas lágrimas, para que me emende e procure, em tudo e sempre, ser verdadeiramente um filho amado de Deus Pai Todo-Poderoso.


quinta-feira, 28 de março de 2013

Quinta-feira Santa: o dia do Amor


«Um pai amoroso nunca demonstra melhor a sua ternura e o seu afecto para com os seus filhos do que no fim da sua vida, quando os vê em torno do seu leito, aflitos e com olhos de pranto, e pensa que em breve deve abandoná-los. Tira do seu coração e põe sobre os seus lábios o resto da sua vida, abraça os filhos e exorta-os a serem sempre bons, imprimindo-lhes no rosto os mais ternos sentimentos. Por fim, relembra sempre o amor que dedicou durante a sua vida aos filhos.»

Santo Afonso Maria Ligório usa esta imagem para nos descrever como foi, no decorrer da Última Ceia, a despedida de Jesus para com os seus discípulos, horas antes de dar a Sua vida na Cruz.

Jesus Cristo, verdadeiro Pai da nossa alma, embora em toda a Sua vida nos tivesse dado provas do seu amor infinito, quando chegou o termo dos seus dias, quis dar-nos a prova mais patente: a instituição do Santíssimo Sacramento, e por isso, na noite em que sabia que ia ser entregue por um dos Seus discípulos, reuniu-os ao Seu redor e instituiu a Santíssima Eucaristia.

Escondido debaixo das espécies sacramentais, Jesus deixou-nos o Seu Corpo, Alma e Divindade - inteiramente todo o Seu ser. Jesus quis fazer-se nosso sustento, a fim de que, intimamente ligado à nossa alma, nos santifique com a Sua presença.

Será que neste dia em que celebramos a instituição da Santíssima Eucaristia, e durante todo o ano temos consciência de que é verdadeiramente o Corpo, Sangue Alma e a Divindade de Jesus que comungamos? As nossas atitudes depois da Santa Missa são correspondentes de quem é Sacrário Vivo e que guarda em si mesmo Jesus Morto e Crucificado por nós?

Procuremos avivar a nossa fé para recebê-Lo com as devidas disposições, dilatando o nosso coração pela confiança e lembrando-nos que Ele vem até nós porque nos ama e para nos enriquecer com as Suas graças.

Humilhemo-nos perante a Sua Divina Majestade e lembremo-nos que, muitas vezes, em vez de O amarmos, O temos magoado e Lhe voltado as costas, desprezando o Seu amor para connosco.

Façamos nossas as sábias palavras do doutor angélico, Santo Afonso:
«Vinde, ó Meu Jesus. Vinde depressa e não tardeis. Ó meu único e infinito Bem, meu tesouro, minha vida, meu amor, meu paraíso, quisera receber-Vos com aquele amor que Vos receberam as almas mais santas e puras, com que Vos recebeu Maria Santíssima.

Santíssima Virgem e minha Mãe querida, dai-me hoje o Vosso Jesus, assim como O destes aos pastores e aos Magos. Desejo recebê-Lo de Vossas mãos puríssimas. Dizei-lhe que sou Vosso servo e devoto, porque assim me olhará com olhar mais amoroso e me apertará mais estreitamente contra o Seu Coração, quando vier a mim.»


Missa Crismal - Sé de Lisboa

Transmissão em Directo da Sé Patriarcal de Lisboa - Missa Crismal, com Sua Exa. Reverendíssima, D. José Policarpo, Cardeal-Patriarca de Lisboa.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Meditações para a Semana Santa: Jesus é coroado de espinhos


Nesta quarta-feira da Semana Santa, contemplemos os outros bárbaros suplícios que os soldados infligiram a Nosso Senhor já tão atormentado. Como afirma São João Crisóstomo, subordinados pelo dinheiro dos judeus, reúnem ao redor de Jesus toda a corte, põem-lhe aos ombros um manto escarlate como que a servir de manto real, nas mãos uma cana a servir de ceptro e sobre a cabeça um feixe de espinhos a servir de coroa.

Oh meu Jesus e meu rei! Quanto sofrestes Vós nas mãos dos algozes. Já não bastavam os açoites e a condenação, como ainda Vos escarneceram e troçaram de Vós!

Os espinhos da coroa eram carregados sobre a cabeça de Jesus, com a força das mãos dos malfeitores e cravavam-se-Lhe na Sua Sagrada Face. Gotas de Sangue escorriam no rosto de Jesus. Imaginemos o quanto sofreu o nosso Salvador com aqueles espinhos todos a perfurarem-lhe a testa e a cabeça.

Mas como, para os soldados, isso não bastava, ainda pegaram na cana que 'servia de ceptro' e enquanto O escarravam o rosto, batiam-lhe também no rosto com toda a força sobre a cruel coroa e rios de sangue corriam da cabeça ferida até ao resto do corpo.

Santo Afonso, ao meditar nestes momentos da vida de Jesus, exclama: «Minha alma, prostra-te aos pés do teu Senhor coroado; detesta os teus consentimentos pecaminosos, e roga-Lhe para que, também a ti, te trespasse um daqueles espinhos, consagrados pelo Seu Preciosíssimo Sangue, a fim de que não O voltes a ofender».

Voltando outra vez Jesus ao Pretório de Pilatos, depois da flagelação e da coroação de espinhos, este, ao vê-lo todo dilacerado e  desfigurado, pensou em como comover o povo à compaixão e apresentou-O ao povo dizendo: "Ecce homo" - Eis o Homem.  E nós? Como nos deteríamos diante de tão triste espectáculo? Como reagiríamos ao ver Jesus naquele estado diante de nós? De certo faríamos como Pilatos e lavaríamos as mãos. Quantas vezes os nossos pecados ferem o coração dilacerado de Jesus e não nos importa a forma como Ele é escarnecido e maltratado?

«Ah, Meu Jesus! Quantos papéis de teatro Vos fizeram os homens representar, mas todos eles de dor e ignomínia! Ó dulcíssimo Redentor, não encontraste compaixão diante daqueles homens atrozes!»

Também nós, quando ferimos Jesus com os nossos pecados dizemos-Lhe, como disseram os judeus, «crucifica-O, crucifica-O». Hoje, detenhamo-nos no arrependimento dos nossos pecados, mais do que todos os outros males que afligem a nossa alma, e procuremos fazer nossas as palavras de Santo Afonso: «Amo-Vos sobre todas as coisas, ó Deus da minha alma. Perdoai-me pelos merecimentos da Vossa Paixão. Ó Mãe das Dores, fazei que no dia do juízo, eu seja salvo pelo Vosso Filho!».


terça-feira, 26 de março de 2013

Meditações para a Semana Santa: Jesus é açoitado


Vendo que tinham falhado as tentativas de libertar Jesus, Pilatos convoca os judeus e diz-lhes: "Apresentastes-me este homem como um agitador; não encontro nele culpa alguma, tal como Herodes também não encontrou. Todavia, para vos contentar, mandarei castigá-lo e depois mandá-lo-ei embora"

A propósito desta inocente condenação, Santo Afonso Maria Ligório pergunta: «mas qual é o castigo, ó Pilatos, a quem condenas este inocente? Vais condená-l'O a ser açoitado? A um inocente infliges com uma pena tão cruel e vergonhosa?»


Tunc ergo apprenhendit Pilatus Iesum, et flagellavit 
 «Então Pilatos tomou Jesus e mandou que O açoitassem».

Contemplemos a forma como, depois de uma ordem tão injusta, os algozes agarram Jesus, e entre gritos e alaridos o levam ao Pretório e o prendem a uma coluna. E Jesus, que faz Jesus? Humilde e submisso, aceita os nossos por nossos pecados o tormento. Muitas dezenas de chicotadas Lhe são aplicadas.

São os nossos pecados que são cravados nas costas e no peito do Redentor. Cada chicotada terminada em pontas de ferro que cruelmente fere a Nosso Senhor são as vezes que O negamos, as vezes que desprezamos os outros e que cruelmente, fazemos mal aos mais pobres e aos oprimidos.

Por certo, já muitas vezes 'chicoteamos' Jesus. Quantas vezes preferimos o pecado? Quantas vezes lhe virámos as costas achando que somos capazes de viver sem Deus? Uma a uma, as dezenas de chicotadas que os algozes proferem contra Jesus, são os nossos pecados que diariamente são feitos contra o Sacratíssimo Coração do Manso Cordeiro.

«Ó minha alma, queres ser do número daqueles que indiferentes contempla Jesus açoitado? Considera a dor, e mais ainda o amor com que o teu Dulcíssimo Senhor padece por ti tão grande suplício. Com certeza, entre os açoites, Jesus pensava em ti! Se Ele tivesse sofrido por amor de ti um só golpe, já devias estar abrasado de amor para com Ele.»

O corpo de Jesus começa a sangrar por toda a parte. Numa palavra, Jesus é reduzido a uma estado tão lastimável que parece um leproso coberto de chagas. Mas para que tudo isso? Para nos livrar dos suplícios eternos.

«Ah, meu Jesus, meu Cordeiro Inocente! Os algozes não só Vos tiram a lã, como a pele e a carne. É esse o Baptismo de sangue pelo qual suspirastes durante toda a vida. Meu Senhor, como poderei duvidar do Vosso amor, vendo-Vos ferido e dilacerado por meu amor? Cada chaga é uma prova inegável do afecto que me tendes. (...) Aceitai-me e ajudai-me a ser-Vos fiel.» 


segunda-feira, 25 de março de 2013

Meditações para a Semana Santa: Jesus é levado a Pilatos


No decorrer da Semana Santa, a JMV Sobreiro irá meditar sobre os últimos momentos da vida terrena de Jesus antes do Santo Sacrifício no Monte Calvário. No início da Semana, Jesus entrou em Jerusalém montado num pequeno jumento, sendo aclamado pelos judeus com rei. «Hossana ao Filho de David! Bendito o que vem em nome do Senhor!»

Menos de uma semana depois, Jesus é condenado à morte, carrega aos ombros a cruz dos pecados da Humanidade e é morto no Calvário. Do Seu lado saem sangue e água, quando o soldado romano o trespassa com uma lança. Da cruz, instrumento de morte daquela época, nasce a vida eterna para o Homem. Deus estabelece a nova e eterna aliança através do Sangue de Seu amado Filho que foi derramado na cruz.

«Ao amanhecer, os príncipes dos sacerdotes declaram Jesus réu de morte e depois conduzem-no a Pilatos, a fim de que este o condene a morrer crucificado. Pilatos, tendo interrogado diversas vezes, tanto os Judeus como o nosso Salvador, reconhece que Jesus é inocente e que todas as acusações são calúnias. Sai para fora e declara que não  encontra em Jesus culpa alguma para condená-lo. Após a revolta dos Judeus, e sabendo que Jesus era da Galileia, encaminha-O para Herodes»

Quantas vezes, também nós, em vez de nos afirmarmos e de irmos contra as opiniões do mundo, no que toca às questões que atentam contra a vida humana e contra a fé, "limpamos as mãos" e passamos para os outros a responsabilidade? Quantas vezes pecamos por omissão...

«Herodes , vendo que Jesus não lhe respondia, desprezou-o e tratando-o como um doido, escarneceu d'Ele, mandando-o vestir uma túnica, manietando-o com toda a corte, acabando por envia-l'O novamente para Pilatos»

Santo Afonso Maria Ligório medita sobre os últimos momentos da vida de Jesus e convida todos a meditarem na forma como os nossos pecados foram a causa do sofrimento do Redentor:
 «Ó meu desprezado Salvador, faltava-Vos ainda esta injúria, a de ser tratado como um doido. Cristãos, vede como o mundo trata a Sabedoria Eterna! Feliz de quem se compraz em ser considerado com um doido pelo mundo, e não quer saber de outra coisa senão de Jesus Crucificado, amando os sofrimentos e os desprezos.»

De novo junto de Pilatos, Jesus é posto ao lado de Barrabás, um abominável salteador e pecador, para que o povo escolha qual deles quer que seja libertado. "Solta antes Barrabás! E que quereis que faça com Jesus, o Nazareno? .... Seja crucificado!"

Perante esta escolha que é posta aos judeus: o Filho de Deus ou um pecador, Santo Afonso compara com todas as vezes que na nossa vida optamos pelo que é mundano e fruto do pecado e do mal, ao invés de escolher a Jesus.

«Ai de mim, meu Senhor! Todas as vezes que cometi o pecado, fiz como os judeus. A mim também se perguntava o que desejava: a Vós ou ao vil prazer. Hoje estou arrependido de todo o coração e digo que prefiro a Vossa graça a todos os prazeres e tesouros do mundo. Ó Bem infinito, ó meu Jesus, amo-Vos acima de todos os outros bens; só a Vós quero e nada mais. Ó Mãe das Dores, minha Mãe Maria, impetrai-me a santa perseverança!»


Via Sacra no Sobreiro - Com Jesus até ao Calvário


Na tarde do passado sábado da Paixão (dia antes do Domingo de Ramos), a JMV Sobreiro meditou na Via Sacra juntamente com a comunidade. Ao anoitecer, em clima de recolhimento e oração, foram representadas as catorze estações que relembram o caminho que Jesus fez desde que foi condenado à morte até à Sua sepultura.

Subimos com Jesus ao Calvário e meditámos no Seu sofrimento, descobrindo como é profundo o amor que Ele teve e tem por nós. O objectivo foi que todos os presentes não tivessem apenas umas 'simples compaixão', mas sim que todos se sentissem participantes do sofrimento de Jesus, acompanhando o nosso mestre e compartilhando a Sua Paixão na nossa vida, na vida da Igreja e na do mundo.


Ao longo da Oração da Via Sacra, recordamos como Jesus, manso e humilde de coração é tratado como um dos maiores criminosos do Seu tempo. É humilhado, maltratado, cuspido e, por fim, é-lhe colocado o pesado madeiro aos ombros. A juntar ao peso físico da cruz, está o peso dos pecados de toda a humanidade. Ele quer carregá-los, quer tomar sobre Si as nossas faltas, para delas nos libertar. Quanto amor! Quanto amor Jesus tem por nós, que tudo suporta, ao ponto de sofrer tanto e dar a vida pelos que ama!

Recordamos também o encontro de Jesus com Sua Mãe, com as mulheres de Jerusalém que tristemente choram por ver o Messias carregando a cruz às costas, coberto de chagas; e com Verónica, a mulher que corre para lhe limpar o rosto. Quanto amor está presente neste gesto. Uma simples mulher acorre para limpar a sagrada face de Jesus, todas as gotas de sangue que escorrem por nosso amor são embebidas pelo pano de Verónica.

Ao chegar ao Calvário Jesus é pregado na cruz. Longos e duros pregos perfuram a Sua Carne. O Seu sangue escorre pelo corpo, já totalmente desfigurado… Uma tortura tremenda. Uma dor imensa! E enquanto está suspenso na cruz, muitos são aqueles que O escarnecem e provocam dizendo: “Salvou os outros e não se pode salvar?!" ... Assim foi escarnecida não somente a Sua pessoa, mas também a sua missão de salvação, aquela missão que Jesus estava precisamente a cumprir, cravado na Cruz.

Mas, no Seu íntimo, Jesus conhece um sofrimento incomparavelmente maior, que lhe faz irromper num grito: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?” . Quantas vezes, no meio de uma provação, pensamos que fomos esquecidos ou abandonados por Deus. Ou somos tentados a concluir que Deus não existe?

Ao som de bonitos cânticos foram intercaladas as catorze estações da Via-Sacra. Por fim, Jesus é descido da cruz. Prontos a acolhê-lo estão os Imaculados braços de Sua Mãe. O corpo frio de Jesus, com o Seu rosto desfigurado repousa nos braços carinhosos desta Mãe Dolorosa, que chora de tristeza e amargura, depois de ter assistido à agonia e à morte de Seu Filho.

Com a pedra que fecha a entrada do túmulo, tudo parece verdadeiramente terminado. Porém, poderia permanecer prisioneiro da morte o Autor da vida? Recolhidos em oração, Maria e os Apóstolos, em silêncio, oferecem a sua dor a Deus. Confiam sempre. Mesmo na noite mais escura, como foi esta que se seguiu à morte de Jesus, eles confiam… Acreditam… Esperam…


Diante do túmulo de Jesus, também nós nos detivemos em oração. Mais do que uma mera representação de passagens bíblicas e da tradição da Igreja, este fim de tarde foi um momento de oração profundo. Cada um dos presentes tomou consciência que foi por seu amor que Jesus sofreu e foi crucificado. Foi para a salvação das nossas almas que o Divino Sangue do Redentor foi derramado sob o madeiro da cruz.

Com a Virgem Santíssima, Senhora das Dores, procuremos viver estes últimos dias que nos separam no mistério Pascal, com o coração arrependido e contrito. Procuremos também, durante a Semana Santa criar em nós o desejo de amar a Jesus, Manso e Humilde Cordeiro que derramou o Seu sangue por nós no Calvário.

Que a meditação na Via-Sacra nos ajude a perceber o quão importante foi a Paixão e Morte de Jesus. Pelas Suas chagas fomos curados, pelo Seu sangue fomos remidos e pela Sua morte, fomos salvos.


domingo, 24 de março de 2013

Retiro de Quaresma: «O lugar de Maria na Redenção»


No passado dia 22 de Março, a JMV Sobreiro deslocou-se até Santo Antão do Tojal para aí passar um dia de retiro, reflexão e oração. Com a orientação do Padre Duarte Morgado, este encontro teve como tema ‘O lugar de Maria na Redenção’.

Estando a Igreja a viver o Santo Tempo da Quaresma, foi sugerido pelo Padre Duarte que cada jovem levasse um género alimentar para a Casa do Gaiato, praticando desta maneira o preceito quaresmal da caridade, unindo-se assim à oração e à reflexão próprias do retiro.

Chegados pelas 9h30 ao local onde nos esperava o Padre Duarte, fomos conduzidos a uma das bonitas salas que compõem o antigo Palácio Patriarcal e ali se iniciaram as actividades com a oração de Laudes.

Seguidamente, após a audição de uma Oratória do Padre Cartageno sobre as aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria, na qual se escutava ‘Eu Te bendigo ó Pai, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes, mas as revelastes aos pequeninos…’, o Padre Duarte tomou a palavra e, partindo da Mensagem de Fátima, introduziu a questão “quem é Nossa Senhora para nós?”.

As respostas foram variadas (‘Mãe de Deus’, ‘poderosa intercessora’, ‘Virgem Fiel’, ‘Mãe da Igreja’, ‘ a Imaculada’…). Partindo das respostas dadas, o grupo foi esclarecido que existem três fontes – acessíveis a todos e que “devem fazer parte da leitura de mesa-de-cabeceira de todo o católico” - a partir das quais se pode conhecer verdadeiramente Nossa Senhora e a importância desta Mulher na História da Salvação: A Bíblia, o Catecismo da Igreja Católica (ou o seu Compêndio) e a Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae do Papa João Paulo II.

Abrindo a Bíblia, nas passagens sugeridas pelo Padre Duarte, o grupo pôde constatar que, de facto, muitas orações, jaculatórias e invocações a Nossa Senhora provêm directamente do estudo das Escrituras pelos Padres da Igreja.  Seguidamente, ouvimos parágrafos do Catecismo em que é explicada a oração da Avé-Maria. Esta reflexão foi muito enriquecedora, uma vez que ajudou os jovens a perceber  a beleza e importância desta oração de louvor e de súplica a Nossa Senhora, para que interceda por nós, no tempo presente e, um dia, na hora da nossa morte.

Uma vez que tudo em Maria nos aponta para Jesus, foi depois lido um excerto da Carta Apostólica na qual o Beato João Paulo II afirma: «o baricentro da Avé-Maria, uma espécie de charneira entre a primeira parte e a segunda, é o nome de Jesus. E é precisamente pela acentuação dada ao nome de Jesus e ao seu mistério que se caracteriza a recitação expressiva e frutuosa do Rosário».

De facto, explica o Padre Duarte, “é esta ligação íntima de Maria com Jesus que faz d’Ela uma mulher tão especial, não é mais uma santa mulher, devota, fiel, mas é a Santíssima, a Mãe de Jesus. Por causa d’Ele foi toda de Deus.

Mesmo nos momentos mais difíceis da Sua vida, como foi o momento da morte do Seu Filho, Nossa Senhora sofreu mas teve sempre a consolação da Fé e da Esperança. Enquanto os discípulos desertavam, Maria confiava.  

Sabia que a lógica e o poder de Deus são diferentes dos nossos. Nossa Senhora sabia que estava instaurado um novo ministério, em que os homens não se servem dos homens, mas que os homens servem outros homens. Ela, apesar de não perceber muitas coisas, sabia no seu íntimo que as coisas de Deus não podiam terminar assim.

Partindo da Bíblia, foi proposto a cada um que escolhesse uma passagem da Sagrada Escritura que se relacionasse com Nossa Senhora e meditasse nessas palavras. Cada jovem foi então ler a passagem bíblica, tendo havido uma partilha de ideias sobre o que cada um reteve daquele texto sagrado.

Imediatamente antes do almoço, houve ainda tempo para escutar um novo excerto da Oratória sobre as aparições de Fátima, na qual se entoava “Por fim, o Meu Imaculado Coração Triunfará”. Foi explicado pelo Padre Duarte que Nossa Senhora pode ser vista como "o primeiro Pontífice", ou seja, Aquela que faz a ponte entre Deus e os homens. Desta forma, o tema de ser pontífice (fazer a ponte) serviu de mote para se falar brevemente sobre o Papado, mais concretamente sobre a pessoa do Papa Francisco, recentemente eleito, nas suas diferenças, particularidades e na necessidade de se rezar sempre pelo Sumo Pontífice Romano, para que seja o Pastor que Deus quer para a Sua Igreja.

Após o almoço partilhado, houve um tempo de convívio no qual foram entregues ao Padre Duarte duas pequenas lembranças: o livro «Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem» de São Luís Maria Monfort e um pequeno registo/oratório feito pelo grupo com uma pagela de Nossa Senhora de Fátima. Pelas 15h30, foi celebrada Missa na Igreja de Santo Antão.


Este dia de retiro terminou perto das 17h00, após uma fotografia de grupo com o Padre Duarte, a quem agradecemos as edificantes palavras e os momentos de reflexão e de oração que ajudaram e ajudarão o Grupo a crescer na devoção e na gratidão à Virgem Santíssima, Mãe da Igreja e Medianeira das Graças.

  

Depois da despedida da Imagem Peregrina...


Há precisamente uma semana, a Paróquia de Mafra despedia-se da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, após uma visita de 11 dias durante a qual percorreu as localidades da freguesia de Mafra.

Pelas 17:00 horas foi rezada a oração predilecta da Virgem Maria: o Terço do Rosário. Com a Basílica praticamente cheia, o Padre Luís Barros foi conduzindo a recitação do Terço e as meditações nos mistérios e os jovens da Paróquia entoaram bonitos cânticos Marianos em louvor a Nossa Senhora.

Após o Terço, o Servita de Fátima, Sr. António Mucharreira proferiu algumas palavras de agradecimento pela forma como o povo da freguesia de Mafra acolheu Nossa Senhora e interpelou os presentes a tomarem uma maior consciência da Mensagem de Fátima e das implicações que as Aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria há praticamente cem anos ainda são actuais e continuam a brotar uma mensagem em consonância com o Evangelho.

Ao som do cântico "Ó Maria cheia de graça" teve início a celebração da Santa Missa na qual presidiu o Pároco Pe. Luís Barros e concelebraram o Prior de São Miguel de Alcainça (paróquia que acolheu a Veneranda Imagem após Mafra), o Padre Francisco do Santuário de Fátima e um Padre membro dos Arautos do Evangelho.

A Homilia ficou a cargo do Padre Francisco, mestre de cerimónias do Santuário de Fátima e proferiu um sermão que, de certo, tocou o coração de todos e que em muito edificou os presentes nesta Eucaristia.
«Nesta partida da Imagem Peregrina, importa fixarmo-nos no que fazer depois. Só tem sentido a visita se a Virgem Santíssima nos ajudar a mudar o nosso coração e a nossa vida. Num mundo onde o catolicismo é constantemente anulado, o desafio está em conseguirmos ser testemunhas da fé em Jesus e na Santa Igreja».

De facto, durante a visita da Imagem Peregrina, muitas pessoas se abeiraram do Sacramento da Confissão. Nas semanas que antecederam a chegada de Nossa Senhora, o Padre Luís Barros foi alertando sobre a importância de não deixarmos "passar a Senhora" com o coração sujo e marcado pelos pecados. Uma coisa é certa, na nossa comunidade fomos testemunhas de que pessoas que já há muitos anos que não se confessavam, no dia em que Nossa Senhora estava no Sobreiro acorreram ao confessionário, cumprindo assim o apelo de Fátima à Conversão.

«O meu Imaculado Coração triunfará! - Nesta expressão tão bonita de Nossa Senhora contempla-se a misericórdia de Deus, no entanto, é preciso conversão, tal como fez a mulher adúltera no evangelho que escutámos.»

«Maria traz-nos a figura de Jesus, uma humilde criança que demonstra a grandeza de Deus (...) Os apelos de Nossa Senhora são os mesmos aos apelos do Evangelho»

O Padre Francisco prosseguiu dizendo: «Maria, Mãe dos Homens, vem frequentemente ao nosso encontro para nos admoestar a olharmos para o amor de Deus. Nossa Senhora disse em Fátima para não nos conformarmos com o mundo em que vivemos».

A homilia terminou com um apelo que veio sendo repetido durante os dias em que Nossa Senhora visitou as diferentes Capelas e Igreja da Paróquia: «Colocados sob o Reinado de Maria, aceitamos que Ela nos conduza. O que é que Ela nos pede? 'Fazei tudo o que o meu Filho vos disser' e rezando o Terço diariamente. A oração do Terço não é simplesmente um repetir de frases, mas sim, ir ao encontro de Deus. Pegando na Escritura e nos acontecimentos da vida de Jesus, pedimos a Maria que nos ajude a fazer a vontade do Pai.»

Após a celebração da Santa Missa, foram recitadas três Avé-Marias  e todos os presentes se consagraram a Nossa Senhora. Depois, entre lágrimas e acenar de lenços, a Imagem Peregrina partiu nas mãos do Servita de Fátima rumo ao carro que a transportaria até São Miguel de Alcainça.

A Paróquia de Mafra honrou verdadeiramente a Mãe de Deus, acompanhando-a nas celebrações nas diferentes localidades e rezando-lhe confiadamente. Apesar da chuva e do mau tempo que se fez sentir durante praticamente toda a visita da Imagem Peregrina, as Igrejas foram sempre pequenas para acolher tantos que se quiseram ir "Ad Jesum per Mariam" - a Jesus por Maria.

Que Nossa Senhora do Rosário de Fátima proteja todos os paroquianos debaixo do Seu Manto Maternal, e que, na hora da tribulação, saibamos que Maria é o Auxilium Cristianorum - Auxílio dos Cristãos - e a nossa maior intercessora junto de Seu amado Filho. 

Nossa Senhora do Rosário de Fátima, salvai-nos e salvai Portugal que em Vós confia!


sexta-feira, 22 de março de 2013

Domingo de Ramos na Paixão do Senhor


No próximo Domingo a Igreja inicia a «semana maior» - a Semana Santa na qual são revividos os últimos momentos antes da Redenção que nos foi dada por Jesus na Cruz. Com o Domingo de Ramos revive-se a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém e medita-se na Sua Paixão e Morte inicia-se assim a sacra semana.

A celebração do Domingo de Ramos tem dois momentos. O primeiro é a procissão jubilosa que lembra a entrada de Jesus em Jerusalém sendo acolhido pelo povo. É o Rei que vem à Sua cidade para dela tomar posse anunciando assim  a Sua  glória definitiva na Jerusalém Celeste.

Estando próximo da Paixão, o Nosso Redentor partiu de Betânia rumo a Jerusalém. Sendo Rei e Senhor, Jesus Cristo entrou humildemente naquela cidade montado num pequeno jumento. Entretanto, os habitantes da cidade que já em tempos O tinham venerado pelos Seus milagres e curas foram ao Seu encontro estendendo as suas capas no chão e aclamando-O com ramos.

No início da Semana, Jesus foi gloriosamente aclamado como rei, no entanto, poucos dias mais tarde haviam de olhar para Ele com escárnio e acabando por condená-Lo à morte. Com esta glorificação iniciamos as celebrações da Semana Santa, de modo particular do Tríduo Sacro da Morte, Sepultura e Ressurreição do Senhor, celebrando com Ele a Páscoa.

A segunda parte da celebração do Domingo de Ramos compreende a Santa Missa, cujo evangelho é o relato da Paixão de Jesus. Nela contemplamos Cristo e a Sua dor. Ele é o Servo sofredor que abre os ouvidos para prestar atenção como discípulo. Em todo Seu mistério da Paixão não Se sente humilhado, porque tem a confiança e a certeza que Deus está com Ele, “pois ao Senhor se confiou” (Sl 22,9).

Celebrar a paixão e morte de Jesus é abismar-se na contemplação de um Deus a quem o amor tornou frágil. Por amor, Ele veio ao nosso encontro, assumiu os nossos limites, experimentou a fome, o sono, o cansaço, foi tentado, tremeu perante a morte, suou sangue antes de aceitar a vontade do Pai; e, estendido no chão, esmagado contra a terra, atraiçoado, abandonado, incompreendido, continuou a amar.

Contemplar a cruz onde se manifesta o amor e a entrega de Jesus significa assumir a mesma atitude. Significa aprender com Jesus a entregar a vida por amor. Viver deste jeito pode conduzir à morte; mas o cristão sabe que amar como Jesus é viver a partir de um dinâmica que a morte não pode vencer.

Procuremos nestes dias em que revivemos a Paixão e Morte de Jesus olhar para Ele e pedir-lhe que nos redima também a nós. A Virgem Maria, aquando da Morte de Jesus, estava junto à Sua cruz e foi entregue a João como sua Mãe. O coração sofredor e dilacerado de Maria é entregue a todos aqueles que confiam n'Ela e sabem que por Ela chegaremos mais próximos do Filho.

Confiemo-nos a Nossa Senhora e olhemos para a Paixão de Jesus, não como meros espectadores ou como os judeus que escarneciam d'Ele ou que simplesmente o ignoravam, mas procuremos sentir as dores de Maria no momento da Paixão de Cristo.


Cânticos para a Celebração da Missa:

Entrada: Bendito, Bendito o que vem - CECI 101
Ofertório: Bendito és Tu, Senhor - Pe. Simões
Comunhão: Pai, se este cálice - NCT 114
Acção de Graças: Hossana, Hossana - Marco Frisina
Fim: Hossana, Tu reinarás

quinta-feira, 21 de março de 2013

Nos passos da Paixão - Via Sacra



Estamos quase na Semana Santa e, para melhor lembrar os últimos passos de Jesus antes de entregar a Sua vida por nós, a JMV Sobreiro realizará a oração da Via-Sacra, com as 14 estações encenadas, na Igreja do Sobreiro no próximo Sábado, pelas 19h30.


Convidamos todos a estarem presentes para rezarem connosco!

quarta-feira, 20 de março de 2013

Sobreiro honra Nossa Senhora


A comunidade cristã do Sobreiro recebeu, no passado Sábado, dia 16 de Março, a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima. Depois de ter passado pelas diferentes localidades da paróquia de Mafra, coube ao Sobreiro receber a Virgem Peregrina no último dia antes da partida para a Paróquia de São Miguel de Alcainça. 

A veneranda Imagem de Nossa Senhora de Fátima entrou no Sobreiro pelas 09h30 ao som de cânticos marianos do Santuário de Fátima e com os sinos a tocar a repique e foguetes a estalar no ar, anunciando, com alegria, que a Virgem Mãe estava a chegar. O carro que transportou a Imagem fez uma pequena paragem no Largo da Briosa que se encontrava repleto de fiéis  e devidamente engalanado para dar as boas-vindas a Nossa Senhora.

À chegada, estava presente o Diácono Pedro Oliveira que convidou os presentes a olharem para o rosto ternurento e maternal da imagem, fixando assim os olhos n'Aquela que sempre acreditou e que disse o Seu "Sim" ao Senhor. Com as palavras do Anjo Gabriel o povo do Sobreiro saudou a Senhora mais brilhante com o sol e acompanhou o carro que a transportava até à Igreja.

Pelas ruas, muitas pessoas acenavam com emoção a Nossa Senhora e juntavam-se ao cortejo que se encaminhava para o Largo da Igreja no qual estava desenhado um bonito tapete de serradura feito pela JMV Sobreiro com a ajuda de alguns pais e amigos do grupo.

Já na Igreja, colocada a imagem no trono que foi preparado para a receber, foram cantadas as Laudes de Nossa Senhora e seguiu-se um momento de oração individual até ao meio-dia, hora a que foi rezado o Angelus seguido do Terço do Rosário.

Durante o dia, todos os momentos de oração foram transmitidos para o exterior da Igreja, através de um sistema de som, com o objectivo de convidar todos os que passavam na rua a entrar e a rezar a Nossa Senhora. 

Pelas 14:30 houve actividades com a catequese e esteve presente o Departamento de Animação Vocacional do Patriarcado de Lisboa que conversaram com as crianças acerca de como cada um de nós deve escutar e discernir acerca da vontade de Deus a seu respeito.

Pelas 16:00 foi novamente recitado o Terço do Rosário, estando as meditações e os cânticos à responsabilidade da catequese e dos pais. Foi um momento em que a Igreja se encheu de crianças, que à semelhança dos Pastorinhos de Fátima, rezaram à bonita Senhora a Sua oração predilecta, o Rosário.

O programa de actividades do dia estava bastante preenchido e após o Terço da Catequese foi a vez dos mais idosos poderem receber o Sacramento da Santa Unção. Durante o dia o Padre Luís Barros foi confessando muitas pessoas, não só os mais idosos e doentes mas também muitos que há mais de 20 anos que não se confessavam. A Virgem Mãe veio até à Paróquia de Mafra para chamar os filhos dispersos e num tempo em que a Igreja convida à Penitência e à Conversão. Por isso, fazendo jus à Mensagem de Fátima que não é mais do que a Mensagem do Evangelho, muitos crentes quiseram abeirar-se do Sacramento da Penitência.

Por volta das 18:00 coube à JMV Sobreiro louvar a Virgem Maria com a oração de Vésperas, seguindo mais um momento de oração individual até à hora da Santa Missa.

A Missa foi presidida por Sua Exa. Reverendíssima D.Nuno Brás, Bispo Auxiliar de Lisboa e concelebrada pelo Padre Luís Barros. O coro entoou cânticos dedicados a Nossa Senhora e aos acólitos serviram dignamente o altar. A Igreja estava repleta de pessoas que quiseram honrar a Mãe do Céu e por isso, ir «a Jesus por Maria».

Na homilia, D. Nuno Brás falou da importância da conversão e de como o Evangelho da mulher adúltera nos deve interpelar e fazer tomar consciência da misericórdia de Deus.

A Missa foi celebrada em acção de graças pelos 25 anos do Lar e Centro de Dia do Sobreiro e no final da celebração foram entregues algumas lembranças ao D. Nuno Brás e feitos os devidos agradecimentos a todos aqueles que idealizaram, construíram e colaboram actualmente com o Centro Social.

Após a celebração da Santa Missa, apesar do tempo estar a começar a chuviscar, formou-se a procissão que percorreu o itinerário habitual de verão. No momento em que a Imagem Peregrina de Nossa Senhora desceu, no seu andor, ao Largo da Igreja, começou a chover com bastante intensidade.

«Eram as graças do céu que Nossa Senhora derramou sobre a vossa terra» disse o Servita de Fátima, Senhor António Mucharreira no dia seguinte à visita ao Sobreiro. 


Durante a procissão foi recitado o Terço do Rosário, acompanhado por cânticos marianos entoados pelo coro. Os Mistérios do Terço meditavam nas Aparições da Santíssima Virgem em Fátima e foram representados pelas crianças da Catequese com o auxílio do Grupo de Jovens.

Milhares de velas iluminaram, na noite de sábado, as ruas do Sobreiro e muitos altares e flores honravam dignamente a Virgem Mãe. Certamente a Mãe do Céu ficou feliz e sentiu-se honrada e venerada nesta terra que se consagra a Ela, sob o título de Senhora da Saúde.

 No final da Procissão a Banda da Escola de Música e Juventude de Mafra interpretou duas peças musicais dedicadas a Nossa Senhora e após este momento, o Padre Luís Barros deu a bênção final e a veneranda Imagem foi retirada do andor e colocada no carro que a transportou durante estes dez dias na Paróquia.

Entre muitas lágrimas e orações no coração de todos os presentes, o povo do Sobreiro despediu-se da Imagem de Nossa Senhora ao som do "Adeus de Fátima". A JMV Sobreiro ainda teve a oportunidade de acompanhar a veneranda Imagem até à Basílica, onde lhe rezou e cantou antes da última despedida.

Que a visita de Nossa Senhora de Fátima ao Sobreiro permita que este povo cresça na fé e seja mais devoto da Virgem Mãe, a maior intercessora entre Deus e os Homens.

sábado, 9 de março de 2013

A imagem de Nossa Senhora chega à Achada


Neste Sábado, dia 09 de Março, a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima está na comunidade da Achada. Por volta das 09h30, os sinos tocaram a repique e a povoação saudou Nossa Senhora, ao mesmo tempo que as crianças colocavam no chão flores brancas para o carro que transportava a imagem passar. Em procissão e ao som de cânticos do Santuário de Fátima, a Imagem dirigiu-se para a Igreja da Achada seguida das pessoas - jovens, adultos, idosos e muitas crianças - que rezavam e cantavam à Virgem Mãe.

Ao chegar à Igreja, o servita que a acompanhava, colocou a Imagem à veneração, enquanto o Diácono Pedro Oliveira falou especialmente para as crianças sobre a história da Imagem e das Aparições:

«É bonita aquela Senhora, não é? E é uma imagem, que apesar de muito fiel àquela Senhora vestida de luz que os pastorinhos viram, não é de carne e osso. Essa sim, como disse a Lúcia, é muito, mas muito mais bonita!»

As crianças, na verdade, não tiravam os olhos da imagem, fazendo lembrar os Pastorinhos, que ansiavam cada diz 13 daquele ano de 1917, para poderem ver novamente 'aquela Senhora tão bonita'!

«Sabiam que os Pastorinhos eram da vossa idade? E sabem o que Nossa Senhora lhes pediu e que pede hoje a cada um de vós? Pede que rezem. Que rezem muito, porque os pecados do mundo são muito grandes... Que rezem muito pela conversão dos pecadores, que somos todos nós, para que possamos chegar ao Céu!»

A seguir, o Diácono explicou que «Nossa Senhora trouxe Jesus na sua barriguinha, tal como todos nós, com a diferença que foi o Espírito Santo que O colocou lá. Mas não foi só quando Jesus nasceu que Ela nos deu Jesus! Nossa Senhora deu-nos Jesus também na Cruz. Se olhardes para a Cruz, vedes o quanto Jesus nos amou. Ele está ali, morto, pendurando por amor! E foi ali, do alto da Cruz, que Ele nos deu a Sua Mãe. Que bonito! Nós temos a mesma Mãe que Jesus! Vede como ele gosta de nós!»

Após rezar uma Avé-Maria, o Diácono voltou a dirigir-se aos pequeninos: «Sabei que a Mãe de Jesus gosta muito de vós! Amai-a e não A entristeceis com nenhum pecado!».

Seguidamente foi rezada a Oração de Laudes orientada pelo Diácono Pedro Oliveira, com a colaboração de jovens da JMV Achada. Da parte da tarde haverá alguns momentos de oração comunitária e será administrado o Sacramento da Santa Unção aos doentes.
  
À noite será celebrada a Missa, pelas 20h30 na qual não só será venerada a Virgem Mãe, Nossa Senhora de Fátima, como o padroeiro desta comunidade cristã -  São João de Deus, um santo português que soube ver no pobre e no doente o rosto de Jesus. De Maria aprendamos a amar Jesus e a "fazer tudo o que Ele disser". Do testemunho de Fé de São João de Deus saibamos ver nas nossas vidas os mais pobres e doentes como os amados de Jesus.

A JMV Sobreiro irá acompanhar as celebrações da comunidade da Achada, como tal, esperamos ainda hoje publicar mais algumas fotografias e excertos do sermão da Missa e Procissão.



Nossa Senhora de Fátima no Zambujal


A Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima continua a visitar as diferentes localidades da freguesia de Mafra. Ontem foi a vez da comunidade do Zambujal receber a Veneranda Senhora. A imagem chegou à Capela do Zambujal pelas 19h15, tendo passado por algumas localidades que devidamente honraram a Virgem Mãe com bonitos altares e com flores e velas.

À chegada à Capela de Santo António do Zambujal foi feita uma saudação a Nossa Senhora pelo Padre Luís, após a qual ficou a atender fiéis em confissão. Enquanto alguns se abeiravam do sacramento da Penitência, fazendo presente nas suas vidas o apelo de Nossa Senhora em Fátima: a conversão e a penitência, os outros fiéis rezaram o Terço a Nossa Senhora, findo o qual se realizou um jantar partilhado.

Às 21:00 foi celebrada Missa na Capela pelo pároco e concelebrada pelo Padre missionário Comboniano, Padre Carlos Nunes, a quem coube fazer a homilia. Dirigindo-se às crianças, o pregador dirigiu-se para as três pequenas crianças que representavam os Pastorinhos e convidou-os a rezar com ele três Avé-Marias, pedindo à Rainha da Paz que conceda paz e esperança ao mundo. Depois, convidou todos os presentes a «olhar para a face de Nossa Senhora. Vede como este olhar transmite luz, tranquilidade, como Ela está cheia de amor!»

Seguidamente foi explicada a história da Imagem peregrina, desde 1947 - ano em que foi esculpida a primeira, sob as indicações directas da Irmã Lúcia - até ao presente, em que 10 imagens percorrem o mundo.

«Esta Imagem transmite-nos uma mensagem de Esperança. É ao mesmo tempo um dom e um convite a nos sentirmos mais unidos a Jesus e à Igreja, através de Maria. Nossa Senhora peregrina pelos caminhos do mundo, como peregrina da Fé. Neste Ano da Fé, deixemos que seja Ela que nos ensine o caminho até Jesus. A Sua vida foi um constante peregrinar, uma repetição constante do 'SIM' dado na Anunciação, desde aquele momento em que Deus e fez carne até ao Encontro doloroso com Seu filho no caminho para o Calvário».

Após a Missa, iniciou-se a Procissão das Velas pelas ruas do Zambujal. A imagem seguiu no carro, toda iluminada e ladeada das bandeiras de Portugal e da Santa Sé. Atrás, o povo ia respondendo à recitação do Terço, orientado pelo Padre Luís e pelo Diácono Pedro Oliveira. Entre os mistérios, ouviam-se os cânticos do Santuário de Fátima.

Eis que, imprevisivelmente, se abate sobre a região uma forte trovoada e chuva torrencial, fazendo lembrar o dia da última aparição na Cova da Iria! Mas todos continuaram a seguir a Senhora mais brilhante que o Sol, a rezar-Lhe o Terço. Por entre incómodos chapéus-de-chuva abertos, casacos molhados, relâmpagos que iluminavam o céu, estradas alagadas e vento forte, a procissão recolheu à Capela, onde foi rezado o último mistério do Terço e a Consagração a Nossa Senhora.

No final, O servita António Mucharreira dirigiu algumas palavras à comunidade, dizendo que, também em Fátima, «o trovão foi sempre um anúncio da presença de Nossa Senhora. Tenho a certeza que Ela ficará aqui presente convosco. Que Ela vos abençoe agora e interceda sempre por esta terra!»

Era já bem perto das 23h30 quando a Imagem se preparava para deixar o Zambujal, ao som do cântico "Adeus de Fátima" e enquanto o povo se despedia da Mãe do Céu, acenando com lenços feitos pela Paróquia para saudar Nossa Senhora. Foi então que a água da chuva se misturou com as lágrimas que percorriam a face dos presentes, numa emocionada despedida à Santíssima Virgem que se dirigia lentamente para a Basílica do Convento de Mafra, onde ficou até à manhã de hoje.



sexta-feira, 8 de março de 2013

Nossa Senhora do Rosário de Fátima: bem-vinda sejais!



A Paróquia de Mafra recebeu ontem a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima num ambiente de oração e de profunda devoção que contrariava a tristeza que se fazia sentir da parte da tarde, por causa da chuva que teimava em cair.

Pelas 20:00 horas a veneranda imagem entrou na freguesia, no lugar da Cabeça-Alta (Achada) e esteve presente, para a receber o reverendo Padre Luís Barros, prior de Mafra e muitos fiéis. As velas que estavam colocadas no chão e nos altares devidamente enfeitados pelos moradores mostravam a devoção do povo português à Virgem Mãe.

Após uma pequena oração feita pelo Padre Luís, a imagem seguiu em cortejo até à Vila de Mafra, escoltada por um carro da Guarda Nacional Republicana e acompanhada por muitas pessoas que quiseram acompanhar a Senhora mais brilhante que o sol até à Basílica, para em comunidade paroquial, rezar-Lhe a Sua oração predilecta: o Terço.
À chegada à Vila de Mafra estavam muitos habitantes para saudar Nossa Senhora e a guarda de honra a cavalo dos militares do Centro Militar de Educação Física e Desportos que A acompanharam até ao terreiro fronteiro ao Palácio Nacional. Para além da guarda de honra, esperavam também Nossa Senhora vários vereadores da Câmara Municipal, o presidente da Junta de Freguesia de Mafra e os comandantes da Guarda Nacional Republicana, da Escola Prática de Infantaria, do Centro Militar de Educação Física e Desportos bem como dos Bombeiros Voluntários de Mafra.

A Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima entrou na Basílica nas mãos do Servita de Fátima, o senhor António Mucharreira e acompanhada pelo Padre Luís, o Diácono Pedro Oliveira e o Padre Paulo Serra que gentilmente se juntou à Paróquia de Mafra que é a primeira da Vigararia a receber a Virgem Maria.

Também esteve presente a Banda da Escola de Música e Juventude de Mafra que interpretou vários temas dedicados a Nossa Senhora, criando assim um espírito de oração de devoção a Virgem Santíssima.

A Recitação do Terço do Rosário foi dirigida pelos jovens da paróquia (Achada, Mafra e Sobreiro) e acompanhada pelo Coro Paroquial que entoou o majestoso cântico Mater Ecclesiae. As meditações de cada mistério do terço foram escritas por um jovem da JMV Sobreiro e estavam relacionadas com a Mensagem de Fátima e o exemplo de vida e fé dos Beatos Francisco e Jacinta.

As três Avé-Marias finais foram rezadas em honra da pureza de Nossa, pedindo a intercessão da Mãe da Igreja pelos Cardeais eleitores que se encontram no Vaticano com vista à eleição no novo Papa, para que escolham um Sumo Pontífice Santo e capaz de guiar fielmente o leme da Santa Igreja.

A celebração terminou com o cântico Totus Tuus Mariae, frase-chave do pontificado do Beato João Paulo II na qual se consagra tudo a Nossa Senhora, a Mãe de Cristo e a Mãe da Igreja.



A Imagem Peregrina de Nossa Senhora estará no Zambujal dia 08, na Achada dia 09 e em Mafra dia 10. Continuaremos a acompanhar a visita de Nossa Senhora à nossa paróquia nos próximos dias.

Poderá visualizar mais algumas imagens no slideshow que preparámos.






"Alegra-te meu filho, porque o teu irmão voltou à vida!"


A Liturgia deste Domingo, o IV da Quaresma, marca o início de uma "segunda parte" deste tempo Santo. A antífona de entrada desta Missa resume um pouco o tema central da liturgia deste Domingo Laetare: Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações!”

A meio da Quaresma a Igreja convida e é convidada a reunir todos os seus membros para celebrar com alegria e de coração, o memorial da Paixão e Morte de Jesus e respectiva Redenção. Não se trata de viver as solenidades Pascais com uma alegria desregrada mas sim com a alegria trazida pela Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O Evangelho deste Domingo, do evangelista São Lucas traz-nos à memória a Parábola do Filho Pródigo, uma 'história' já tantas vezes escutada e meditada mas que tem sempre algo de novo a dizer-nos e que nos aponta qual deve ser a nossa atitude face aos erros e que demonstra a grandiosidade do amor de Deus por cada um de nós.

Poderemos pois começar por perceber quem são, ou quem podem ser as diferentes personagens desta parábola que Jesus contou aos publicanos que d'Ele se aproximavam e também aos escribas e fariseus que se julgavam melhores que os outros.

O Pai que Jesus refere na parábola é o Seu próprio Pai, Deus todo-poderoso. No que se refere aos dois filhos, o mais novo que sem juízo deixou o Pai, largou tudo, pensando poder ser feliz por si mesmo, longe de Deus, procurando uma liberdade que não passava de ilusão.

Ao falar para os escribas e fariseus, Jesus queria que eles se revissem na personagem do filho mais velho. Este representa os que pensam que estão em ordem com o Pai e não lhe devem nada, são os que se acham no direito de pensar que são melhores todos os outros e, por isso, merecem a salvação.

Quem somos nós nesta parábola? Somos o filho mais novo, que vivemos num mundo actual que rejeita Deus e acabamos por nos deixar ir atrás das correntes e dos pensamentos, deixando, no nosso dia-a-dia, nos nossos ambientes de estudo e de trabalho, apagar a chama da fé e acabando por colocar Deus em segundo plano?

Ou será que somos como o filho mais velho que negou a misericórdia, e vamos negando o perdão, e enchendo-nos de raiva pela bondade que Deus tem pelos pecadores e que n´so também deveríamos ter para com aqueles que nos ofendem?

Estamos sensivelmente a meio do Tempo Santo da Quaresma. Procuremos preparar o nosso coração e abeirarmo-nos do Pai Misericordioso, através do Sacramento da Penitência, fazendo como o filho que volta ao Pai, de coração contrito e marcado pelo pecado.

Peçamos perdão a Deus e procuremos, perdoar os nossos irmãos. Confiemo-nos à protecção de Maria Santíssima, que Ela, o Doce Coração, faça com que o nosso coração seja semelhante àquele que tanto amou Nosso Senhor Jesus Cristo.


terça-feira, 5 de março de 2013

Consagração a Nossa Senhora


Com a visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora à nossa paróquia podemos querer oferecer-Lhe bonitas flores, honrá-la com dignas procissões, recebê-la como se A recebessemos em nossa casa, mas a melhor homenagem que podemos fazer a Maria Santíssima é o oferecimento do nosso coração, isto é, a renúncia da nossa vontade própria afim de consagrá-la inteiramente e sem reserva ao Seu serviço.

Diz-nos Santo Afonso Maria Ligório que «para que tal oferecimento seja agradável à Mãe de Deus e para que sejamos merecedores da Sua especial protecção, não deve ser só de palavras, mas efectivo e com obras. Quem oferece o coração a Maria, deve, antes de mais, fazer da Virgem Santíssima, depois de Deus, o principal objecto do seu amor

«Quem faz a Maria a oferta do coração, deve em segundo lugar, tomar a Excelsa Virgem por modelo, procurando imitar-Lhe as virtudes, especialmente a pureza, a paciência e o amor a Deus e ao próximo».
«Quem oferece o coração a Nossa Senhora deve também ter a Santíssima Virgem por seu perpétuo refúgio, implorando-a em todas as necessidades».

Acima de tudo, quem faz o oferecimento do seu coração a Maria «deve, depois de tão sublime doação, guardá-lo como um depósito sagrado, evitando não somente profana-lo com o pecado mortal, mas também manchá-lo com os pecados veniais que, da mesma forma que ofendem a Jesus Cristo, desagradam à Divina Mãe».

Santíssima Virgem, Mãe de Deus,
eu, pecador indigníssimo, prostrado a Vossos pés,
na presença de Deus todo-poderoso e de toda a corte celestial,
apresento-vos e ofereço o meu coração, com todos os seus afectos.
Eu vo-Lo consagro e quero que seja sempre Vosso e do Vosso amado Filho.
Aceitai, ó Mãe Clementíssima,
a devota oferta que vos faz este pobre servo,
em união com os corações de todos os Santos.
Fazei com que hoje mesmo, eu comece e depois continue,
a viver unicamente para Vós e para Vosso Divino Filho.
Ó Jesus e Maria,
ponde o meu pobre coração entre os Vossos,
para que seja abrasado no Vosso amor
e, depois de uma vida toda consumido pelo fogo do Vossa amor,
possa consumir-se de amor eterno.


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