"Raios de Luz"


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sexta-feira, 18 de abril de 2014

Em paz me deito e descanso tranquilo


«Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, 
mas aniquilou-Se a Si próprio»

Filip 2, 6-11 

Adoramos, Senhor, a Vossa Cruz!

Ouvir o Hino

O estandarte da Cruz proclama ao mundo
A morte de Jesus e a sua glória,
Porque o autor de todo o universo
Contemplamos suspenso do madeiro.

Com um golpe de lança trespassado,
Ficou aberto o Coração de Cristo,
Manando sangue e água como rio,
Para lavar os crimes deste mundo.

Ó árvore fecunda e refulgente,
Ornada com a túnica real,
Sois tálamo, sois trono e sois altar,
Para o corpo chagado e glorioso.

Ó Cruz bendita, só tu nos abriste
Os braços de Jesus, o Redentor,
Balança do resgate que arrancaste
Nossas almas das mãos do inimigo.

Cruz do Senhor, és única esperança,
No tempo da tristeza e da Paixão.
Aumenta nos cristãos a luz da fé,
Sê para os homens o sinal da paz.

«Vigiai e orai, para não entrardes em tentação»

«Permanece junto de Mim» | Taizé

«Disse-lhes, então: 'A Minha alma está numa tristeza de morte. 
Permanecei aqui e vigiai comigo»
 (Mt 26,38).

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Horários das celebrações do Tríduo Pascal - Mafra 2014



Quinta-Feira Santa:

•  21:15h Missa vespertina da Ceia do Senhor, na Basílica (Unção com o Óleo dos Catecúmenos), seguida de Hora Santa (tempo de adoração ao Santíssimo Sacramento até às 00h);

Sexta-Feira Santa, (dia de jejum e abstinência):

10:30h Ofício de Leitura e Hora de Laudes, na Basílica.
15:00h Celebração da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, na Basílica;
21:00h Procissão do Enterro do Senhor, na Basílica;

Sábado Santo:

10:30h Ofício de Leitura e Hora de Laudes, na Basílica, (com administração dos ritos preparatórios do Baptismo aos catecúmenos);
21:30h Vigília Pascal, na Basílica (com a administração dos sacramentos da iniciação cristã aos catecúmenos da paróquia);

Domingo de Páscoa:

• Missas no Sobreiro (9.30h), Achada (11h) e na Basílica (11.30h)

Com informações da página oficial do Facebook da Paróquia de Mafra



Quinta-feira Santa: um exemplo a seguir

Na Missa Vespertina da Ceia do Senhor, com a qual abrimos o Sagrado Tríduo Pascal, meditamos nas palavras de Jesus: «dei-vos o exemplo».

De facto, Jesus deixou-nos um exemplo de amor para também nós nos fazermos servos uns dos outros. Aqueles que nos olham de fora, Jesus pede a cada um de nós o esforço por lavar os pés dos outros, segundo o exemplo que Ele nos deixou. Quanto isso nos custa! Especialmente quando os pés a serem lavados são ásperos. Suportar a carga não é fácil!

Mas a grandiosidade desta celebração neste dia não se prende só com o exemplo que Jesus nos deixou e nos convidou a seguir. Neste dia, recordamos a Instituição da Santíssima Eucaristia.

Dizia o Papa Bento XVI, na celebração de Quinta-feira Santa de 2012:
«A Quinta-feira Santa não é apenas o dia da instituição da Santíssima Eucaristia, cujo esplendor se estende sem dúvida sobre tudo o mais, tudo atraindo, por assim dizer, para dentro dela. Faz parte da Quinta-feira Santa também a noite escura do Monte das Oliveiras, nela Se embrenhando Jesus com os seus discípulos; faz parte dela a solidão e o abandono vivido por Jesus, que, rezando, vai ao encontro da escuridão da morte; faz parte dela a traição de Judas e a prisão de Jesus, bem como a negação de Pedro; e ainda a acusação diante do Sinédrio e a entrega aos pagãos, a Pilatos. Nesta hora, procuremos compreender mais profundamente alguma coisa destes acontecimentos, porque neles se realiza o mistério da nossa Redenção.»

Neste dia, somos convidados a reflectir em três grandes aspectos que nos devem interpelar na nossa vida: em primeiro lugar, o exemplo de Jesus no "Lava-pés" e de como também nós nos devemos esforçar por fazer o mesmo.

No centro da celebração deste dia está a instituição da Santíssima Eucaristia. Jesus deu-nos o Pão do Céu, deu-nos o Seu Corpo, para que ao alimentarmo-nos d'Ele, sejamos fortalecidos do Seu amor e vivamos com Ele e por Ele.

Por fim, mas não menos importante, o exemplo de oração e entrega ao Pai do Céu. Jesus também rezou e pediu ao Pai que O ajudasse naquele momento de provação. Possamos também nós seguir o Seu exemplo e rezar ao Pai, para que nos ajude a caminhar para a santidade.

PROPOSTA DE CÂNTICOS PARA A MISSA:
(com partituras)

Entrada: Toda a nossa glória está na Cruz - NCT 124
Salmo: O cálice de bênção é comunhão no Sangue de Cristo
Lava-pés: Recebemos do Senhor - NCT 127
Comunhão: O Corpo de Jesus é alimento - CEC I pág. 115,116
Pós-Comunhão: Ó Verdadeiro Corpo do Senhor - NCT 269
Trasladação do Santíssimo Sacramento: Tantum ergo sacramentum

CEC I - Cânticos de Entrada e Comunhão, vol. I
NCT - Novo Cantemos Todos

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Os instrumentos da Paixão – A lança

«Durante todo esse tempo reinava silêncio e tristeza sobre o Gólgota. O povo assustado dispersara-se, indo esconder-se em casa. A Mãe de Jesus e João, Madalena, Maria, filha de Cleofas e Salomé estavam, em pé ou sentados, em frente à cruz, com as cabeças veladas, chorando. Alguns soldados estavam sentados no barranco, com as lanças fincadas no chão.


A Santíssima Virgem foi novamente presa de angústia e receio de que os verdugos ainda maltratassem o Corpo de Jesus; pois encostaram as escadas à cruz e subindo, sacudiram o santo Corpo conferindo se apenas se fingia morto. Como, porém, notassem que o corpo já estava inteiramente frio e rígido e João, a pedido das mulheres piedosas, a eles se dirigisse para impedir a crueldade, deixaram provisoriamente o corpo do Senhor, mas os carrascos ainda pareciam duvidar da morte do Senhor.

Os parentes de Jesus estavam ainda mais assustados, pela brutalidade com que haviam procedido e com medo de que pudessem voltar. Mas Cássio, oficial subalterno, recebeu de repente uma inspiração sobrenatural. Parando assim entre a cruz do bom ladrão e a de Jesus, ao lado direito do corpo de Nosso Salvador, tomou a lança com ambas as mãos e introduziu-a com tal força no lado direito do Santo Corpo, através das entranhas e do coração.

A Santíssima Virgem e os outros, cujos olhos estavam sempre fixos no Salvador, viram a súbita acção do oficial com grande angústia e acompanharam o golpe da lança com um grito de dor, precipitando-se para a cruz».
 Dos Escritos da Beata Anna Katharina Emmerich

terça-feira, 15 de abril de 2014

Os instrumentos da Paixão – A esponja

«Jesus consumia-se de sede e disse com a língua seca: "Tenho sede”. E como os amigos o olhassem com tristeza, disse-lhes: "Não me podíeis dar um gole de água?" Queria dizer que durante a escuridão ninguém os teria impedido. João, muito incomodado, respondeu: "Senhor, esquecemo-Io mesmo".


Jesus disse ainda algumas palavras, cujo sentido era: "Também os amigos mais íntimos deviam esquecer-se e não me dar a beber, para que se cumprisse a Escritura". Mas esse esquecimento Lhe doeu amargamente. Ofereceram então dinheiro aos soldados, para Lhe dar um pouco de água; eles recusaram, mas um deles tomou uma esponja em forma de pera, embebeu-a em vinagre, que havia lá num pequeno barril de casca de árvore e ainda lhe misturou fel.

Mas o centurião Abenadar, compadecido de Jesus, tomou a esponja do soldado, espremeu-a e embebeu-a de vinagre puro. Ajustou depois um lado da esponja num pedaço curto de uma haste de hissope, que servia de boquilha para chupar, fincou-o na ponta da lança e levantou-a à altura do rosto de Jesus, aproximando-Lhe dos lábios a esponja».

 Dos Escritos da Beata Anna Katharina Emmerich

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Os instrumentos da Paixão – A cruz e os pregos

«Jesus, imagem viva da dor, foi estendido pelos carrascos sobre a cruz; Ele próprio se sentou sobre ela e eles brutalmente O deitaram de costas. Colocaram-Lhe a mão direita sobre o orifício do prego, no braço direito da cruz e aí lhe amarraram o braço. Um deles se ajoelhou sobre o santo peito, enquanto outro lhe segurava a mão, que se estava contraindo e um terceiro colocou o cravo grosso e comprido, com a ponta limada, sobre essa mão cheia de bênção e cravou-o nela, com violentas pancadas de um martelo de ferro.


Depois de terem pregado a mão direita de Nosso Senhor, viram os crucificadores que a mão esquerda, que tinham também amarrado ao braço da cruz, não chegava até o orifício do cravo, que tinham perfurado a duas polegadas distante das pontas dos dedos. Por isso ataram uma corda ao braço esquerdo do Salvador e, apoiando os pés sobre a cruz, puxaram a toda força, até que a mão chegou ao orifício do cravo. Jesus dava gemidos tocantes (…).

Todo o corpo de nosso Salvador tinha-se contraído para o alto da cruz, pela violenta extensão dos braços e os joelhos tinham-se-Lhe dobrado. Os carrascos lançaram-se então sobre esses e, por meio de cordas, amarraram-nos ao tronco da cruz; mas pela posição errada dos orifícios dos cravos, os pés ficavam longe da peça de madeira que os devia suportar. Tinham-Lhe amarrado também o peito e os braços, para os pregos não rasgarem as mãos; o ventre encolheu-se-Lhe inteiramente, as costelas pareciam a ponto de destacar-se do esterno. Foi uma tortura horrorosa.

(…) Tomaram o cravo mais comprido que o das mãos, o mais horrível de todos e, passando-o brutalmente pelo furo feito no pé esquerdo, atravessaram-lhe a marteladas o direito, cujos ossos estalavam, até o cravo entrar no orifício do suporte e, através desse, no tronco da cruz. Olhando de lado a cruz, vi como o prego atravessou os dois pés.

Contei 36 golpes de martelo, no meio dos gemidos claros e penetrantes do pobre Salvador; as vozes em redor, que proferiam insultos e maldições, pareciam-me sombrias e sinistras».


Dos Escritos da Beata Anna Katharina Emmerich

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Os instrumentos da Paixão - A túnica e os dados

«Os carrascos tiraram então o manto do Senhor, que Lhe tinham antes enrolado em redor do peito; tiraram-Lhe o cinturão, com as cordas e o próprio cinto. Despiram-na da longa veste de lã branca, passando-a pela cabeça, pois estava aberta no peito, ligada com correias.




Depois lhe tiraram a longa faixa estreita, que caia do pescoço sobre os ombros e como não Lhe podiam tirar a túnica sem costuras, por causa da coroa de espinhos, arrancaram-Lhe a coroa da cabeça, reabrindo assim todas as feridas; arregaçando depois a túnica, puxaram-lha, com vis gracejos, pela cabeça ferida e sangrenta. Os carrascos juntaram as vestes de Jesus no lugar onde tinham jazido os ladrões e fizeram delas vários lotes, para tirar à sorte. O manto era mais largo em baixo do que em cima e tinha várias pregas; sobre o peito estava dobrado e formava assim bolsos. 

Rasgaram-no em várias tiras, como também a longa veste branca, aberta no peito, onde havia correias para atá-Ia e distribuíram-nas pelos lotes; assim fizeram também várias partes da faixa de pano que vestia em volta do pescoço, do cinto, do escapulário e do pano com que cobria o corpo; todas essas vestes estavam ensopadas do sangue de Nosso Senhor.

Como, porém, não chegaram a um acordo a respeito da túnica sem costuras, que, rasgada em partes, não serviria mais para nada, tomaram uma tabuleta com algarismos e dados em forma de favas, com marcas, que trouxeram consigo e jogando esses dados, tiraram à sorte a túnica. Viu-lhes. porém, um mensageiro de Nicodemos e José de Arimatéia, dizendo-lhe que ao pé do Cal vário havia quem quisesse comprar as vestes de Jesus; juntaram então depressa todas as vestes e, correndo para baixo, venderam-nas; assim ficaram essas relíquias com os cristãos».

Dos Escritos da Beata Anna Katharina Emmerich

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Os instrumentos da Paixão – A Coroa de espinhos e a cana

«Puseram-Lhe a coroa de espinhos na cabeça. Essa tinha dois palmos de altura, era muito espessa e trançada com arte; em cima tinha uma borda um pouco saliente. Puseram-Lha em redor da fronte, como uma ligadura e ataram-na atrás com muita força, de modo que formavam uma coroa ou um chapéu. Era artisticamente trançada de três varas de espinheiro, da grossura de um dedo, que tinham crescido alto, através dos espessos arbustos. Os espinhos, pela maior parte, foram propositadamente virados para dentro.


Pertenciam a três diferentes espécies de espinheiros, que tinham alguma semelhança com a nossa cambroeira, o abrunheiro e espinheiro branco. Em cima tinham acrescentado uma borda, trançada de um espinheiro semelhante à nossa sarça silvestre e pela qual pegavam e puxavam brutalmente a coroa. Puseram-Lhe também na mão um grosso caniço, com um tufo na ponta. Fizeram tudo isso com solenidade derrisória, como se O coroassem de facto rei. Tiravam-Lhe o caniço da mão e batiam com tanta força na coroa, que os olhos de Nosso Senhor se enchiam de sangue.

Curvavam os joelhos diante d'Ele, mostravam-Lhe a língua, batiam e cuspiam-Lhe no rosto, gritando: "Salve, rei dos judeus!" Depois, entre gargalhadas, fizeram-nO cair no chão, junto com o escabelo e tornaram a colocá-Lo sobre ele aos empurrões. Jesus sofreu horrível sede; pois em consequência das feridas, causadas pela desumana flagelação, estava com febre e tremia; a pele e os músculos dos lados estavam dilacerados e deixavam entrever as costelas em vários lugares; a língua contraía-se-Lhe espasmodicamente; somente o sangue sagrado que lhe corria da fronte, se compadecia da boca ardente, que se abria ansiosa.

Mas aqueles homens horríveis tomaram-Lhe a boca divina por alvo de nojentos escarros. Jesus foi assim maltratado por cerca de meia hora e a tropa, cujas fileiras cercavam o pretório, aplaudia com gritos e gargalhadas».
Dos Escritos da Beata Anna Katharina Emmerich

terça-feira, 8 de abril de 2014

Os instrumentos da Paixão – A coluna e o flagelo

«Bateram em Nosso Senhor com os punhos e com cordas, apesar de não lhes opor resistência alguma, arrastaram-nO com brutalidade furiosa, até à coluna da flagelação. Tiraram-Lhe o manto derrisório de Herodes e quase deitaram o nosso Salvador por terra. Jesus trepidava e tremia diante da coluna. Ele mesmo se apressou a despir a roupa, com as mãos inchadas e ensanguentadas pelas cordas, enquanto os carrascos O empurravam e puxavam.

.


Orava de um modo comovente e volveu a cabeça por um momento para a Mãe Santíssima e disse, voltando-se para a coluna, porque O obrigaram a despir-se também do pano que lhe cingia os rins: "Desvia os teus olhos de mim.". Percebi que Maria as entendeu; pois vi-a nesse momento desviar o rosto e cair sem sentidos nos braços das santas mulheres. Então abraçou Jesus a coluna e os algozes ataram-Lhe as mãos levantadas à argola de cima; puxaram-Lhe assim todo o corpo para cima, de modo que os pés, amarrados em baixo à coluna, quase não tocavam no chão. O Santo dos Santos estava cruelmente estendido sobre a coluna dos malfeitores, em ignominiosa nudez e indescritível angústia e dois dos homens furiosos começaram a flagelar-Lhe todo o santo corpo, da cabeça aos pés. (…)



Os violentos golpes rasgaram todos os traumatismos do santo corpo de Jesus; o sangue regou o chão, em redor da coluna e salpicou os braços dos carrascos. Jesus gemia, rezava, torcia-se de dor. Os dois seguintes carrascos bateram em Jesus com flagelos: eram curtas correntes ou correias, fixas num cabo, cujas extremidades estavam munidas de ganchos de ferro, que arrancavam, a cada golpe, pedaços de pele e carne das costas. Mas a crueldade dos carrascos ainda não estava satisfeita; desprenderam Jesus e amarraram-nO de novo, mas com as costas viradas para a coluna. Como, porém, não podia manter-se em pé, passaram-Lhe cordas finas sobre o peito e sob os braços e debaixo dos joelhos, amarrando-O assim todo à coluna. Todo o corpo sagrado se Lhe contraia dolorosamente, as chagas e o sangue cobriam-Lhe a nudez».


Dos Escritos da Beata Anna Katharina Emmerich

sábado, 30 de março de 2013

Ao sepultar Jesus, sepultemos o nosso coração, como o de Maria


Quando uma mãe assiste à morte de seu filho, sem dúvida que ela sente e sofre bastante com isso. Mas quando o filho atormentado, já morto, deve ser sepultado e a aflita mãe despedir-se dele com o pensamento de não mais o tornar a ver é uma dor que excede todas as dores. Foi esta a última dor que trespassou o Coração aflito de Maria Santíssima.

Neste dia em que a Igreja aguarda na expectativa da Ressurreição Gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo, voltemos ao Calvário de forma a observar atentamente a dor de Maria, que ainda com o corpo de Jesus nos braços, se consome de dor ao beijar-lhe as chagas.

Os discípulos de forma a pouparem a Virgem Maria de tão grande dor, prepararam o necessário para colocar Jesus no sepulcro. Envolvido num sudário e embalsamado com aromas, carregam o corpo de Jesus até ao sepulcro novo cavado na rocha. De certo que as mulheres seguiam atentamente o cortejo e entre elas, a Mãe Santíssima com o Coração trespassado, acompanhando o Filho à sepultura.

Depois de colocado o corpo no sepulcro novo, os discípulos rolam a pedra para a entrada e assim encerram o corpo de Jesus, naquela terra.

Diz São Boaventura que a Divina Mãe, antes de deixar o sepulcro, abençoou aquela sagrada pedra e assim, dando o Seu último adeus ao Filho, volta para casa, deixando o Seu coração sepultado com Jesus.

E nós? Onde termos o nosso coração sepultado? Será que o sepultamos nos bens do mundo, nos interesses, no lodo do pecado? «Porque é que não sepultamos o nosso coração com Jesus que depois de morto e ressuscitado não quis ficar morto mas no Santíssimo Sacramento do altar para assim ter consigo todos os nossos corações?», diz-nos Santo Afonso.

Procuremos imitar Maria nas nossas vidas. Encerremos o nosso coração, como fez Maria, no santo Tabernáculo para não mais o tirar de lá. Coloquemo-nos em espírito com a Mãe Dolorosa junto do sepulcro de Jesus e unamos os nossos afectos com os de Maria e digamos com amor:

«Ó meu Jesus sepultado, beijo a pedra que Vos encerra. Vós que ressuscitastes ao terceiro dia, fazei que, pelos méritos da Vossa Gloriosa Ressurreição, no último dia também eu ressuscite convosco na glória, para estar sempre unido a Vós no céu, para Vos louvar e adorar eternamente».

sexta-feira, 29 de março de 2013

A descida de Jesus da cruz e a dor de Maria


Na tarde da Paixão, temendo a Mãe dolorosa que depois do ultraje da morte de Seu amado Filho, fossem feitas injúrias ao Seu corpo, pede a José de Arimateia que obtivesse de Pilatos o corpo de Jesus, a fim de que, ao menos morto, o pudesse guardar e livrar dos ultrajes.

Diz-nos Santo Anselmo que, tomado por compaixão pela Virgem Dolorosa, José foi ter com Pilatos e pediu-lhe que deixasse retirar o corpo de Jesus. E eis que descem Jesus da cruz.

Foi revelado a Santa Brígida que para o descimento, encostaram à cruz três escadas. Primeiro, os discípulos despregaram as mãos e depois os pés, sendo os cravos entregues a Maria. Depois, segurando um o corpo de Jesus por cima e o outro por baixo, desceram-no da cruz.

À Sua espera estavam os braços abertos da Santíssima Virgem Maria cujo coração tinha acabado de ser trespassado com a morte de Seu Filho e seria trespassado ainda quando O recebesse em Seus braços.
O corpo de Jesus, deposto nos braços de Maria, está coberto de sangue. A Sua santa cabeça está marcada pelos espinhos que lhe serviram de coroa e as Suas santas mãos e pés estão perfurados.

«Ah Meu amado Filho! A que estado te reduziu o amor para com os homens! Que mal fizeste para assim te maltratarem? Ó espinhos cruéis, cravos atrozes e bárbara lança, como pudestes tratar assim o vosso criador?»

A Mãe amargurada, junto à cruz, com Seu Filho nos braços chora pelos pecadores. Quais cravos e quais espinhos? As dores que Jesus sentiu, o sofrimento que causaram no Seu Corpo foram os pecados da Humanidade inteira que foi redimida pelo Seu sangue.

«O Virgem Santíssima, depois que Vós, com tanto amor destes o Vosso Filho ao mundo para a nossa salvação, eis que o colocamos assim em Vossos braços»

A Virgem Maria sofreu com a morte de Seu Filho e continua a sofrer com os pecados que continuamente proferimos contra o fruto das Suas entranhas. Não continuemos pois a atormentar esta Dolorosa Mãe, e se no passado nós também a temos afligido com as nossas culpas, façamos o que Ela mesmo nos diz: «Pecadores, voltai ao coração ferido do Meu Jesus, voltai arrependidos e Ele vos acolherá» - revelação feita pela Santíssima Virgem a Santa Brígida.

Terminamos a nossa meditação com mais uma oração de Santo Afonso que provém da tomada de consciência das dores de Maria:
«Ó Virgem Dolorosa, ó alma grande nas virtudes e grande também nas dores, pois tanto umas como outras nascem do amor que tendes para com Deus. Ah, minha Mãe! Tende piedade de mim, que não tenho amado Deus e O tenho ofendido. Nas Vossas dores medito e tenho confiança no perdão de Deus. Ó Maria, Vós que consolais a todos, consolai-me também a mim».

Sexta-feira Santa: Jesus morre pelos nossos pecados



«Pater, in manus tuas commendo spiritum meum»

É esta a última palavra que Jesus profere com confiança filial e perfeita resignação com a vontade de Deus. Celebramos hoje a Sexta-feira da Paixão do Senhor. Depois de meditarmos nestes últimos dias, o que aconteceu a Jesus desde a Sua entrada triunfal em Jesus, hoje contemplamos o Senhor pregado da cruz, entre dois ladrões, como se de um malfeitor se tratasse.

As últimas palavras de Jesus demonstram que Ele não estava no mundo para fazer a Sua vontade, mas a de Seu excelso Pai, Nosso Senhor. E colocando-se nas mãos de Deus, Jesus estava disposto a suportar, se fosse vontade divina, maior padecimento sobre a cruz.

Poder-nos-íamos questionar se algumas vez seríamos de fazer o mesmo nas nossas vidas. Será que seríamos capazes de entregá-La por Deus, padecendo os suplícios que nos fossem impostos? Quantos mártires já fizeram parte dos dois mil anos de história da Santa Igreja. De certo que todos eles olharam para a entrega total de Jesus na Cruz e foram capazes de entregar as suas vidas nas mãos do Pai.

Pelas três horas da tarde, a morte abeira-se de Jesus, e enquanto treme a terra, se abrem os túmulos e se rasga o véu do templo, as forças de Nosso Senhor vão-lhe falhando e eis que ao abandonar o corpo, deixa cair a cabeça e expira: «Tudo está consumado».

Todos aqueles que estavam com Jesus, por causa da força com que proferiu as Suas últimas palavras, contemplam-no silenciosamente, e vendo-o expirar dizem: o Senhor morreu!

O Autor da Vida morreu!

«Vem minha alma, levanta os olhos e contempla o Cordeiro Divino já imolado no altar da cruz; lembra-te que Ele é o Filho predilecto do Pai e que morreu pelo amor que te tem dedicado. Vê esses braços abertos para te acolherem, a cabeça inclinada e o lado perfurado para te receber.»

Santo Afonso convida-nos a olhar para o amor com que Jesus nos ama e que culminou na cruz. Deus não poupou a Sua própria pessoa para demonstrar o quanto nos ama.

«Meu Jesus, lançai sobre mim um esse olhar afectuoso com que me olháveis da cruz, olhai-me, iluminai-me e perdoai-me! Perdoai-me em particular a ingratidão que tenho para convosco, pensando tão pouco na Vossa Paixão e no amor que nela me tendes demonstrado».

Ao contemplarmos o triste cenário da morte do Autor da Vida no madeiro da cruz, detenhamo-nos naquilo que foi esta entrega. Jesus padeceu, foi açoitado, coroado de espinhos, pregado num madeiro e posto à vista de todos. Muitos  foram aqueles que O escarneceram e duvidaram da Sua Divindade.

Quantas vezes, também nós o açoitamos com os nossos pecados? Sem termos consciência do que Jesus sofreu ao ser trespassado por aqueles pregos, ofendemo-lo, ofendemos a Sua Santa Mãe e carregamos ainda mais nos cravos que chagaram as Suas benditas mãos.

Ó Maria, minha Mãe e Mãe das Dores, Vós que chorastes amargamente a morte do Vosso Filho no madeiro da cruz, purificai-me com as Vossas lágrimas, para que me emende e procure, em tudo e sempre, ser verdadeiramente um filho amado de Deus Pai Todo-Poderoso.


quarta-feira, 27 de março de 2013

Meditações para a Semana Santa: Jesus é coroado de espinhos


Nesta quarta-feira da Semana Santa, contemplemos os outros bárbaros suplícios que os soldados infligiram a Nosso Senhor já tão atormentado. Como afirma São João Crisóstomo, subordinados pelo dinheiro dos judeus, reúnem ao redor de Jesus toda a corte, põem-lhe aos ombros um manto escarlate como que a servir de manto real, nas mãos uma cana a servir de ceptro e sobre a cabeça um feixe de espinhos a servir de coroa.

Oh meu Jesus e meu rei! Quanto sofrestes Vós nas mãos dos algozes. Já não bastavam os açoites e a condenação, como ainda Vos escarneceram e troçaram de Vós!

Os espinhos da coroa eram carregados sobre a cabeça de Jesus, com a força das mãos dos malfeitores e cravavam-se-Lhe na Sua Sagrada Face. Gotas de Sangue escorriam no rosto de Jesus. Imaginemos o quanto sofreu o nosso Salvador com aqueles espinhos todos a perfurarem-lhe a testa e a cabeça.

Mas como, para os soldados, isso não bastava, ainda pegaram na cana que 'servia de ceptro' e enquanto O escarravam o rosto, batiam-lhe também no rosto com toda a força sobre a cruel coroa e rios de sangue corriam da cabeça ferida até ao resto do corpo.

Santo Afonso, ao meditar nestes momentos da vida de Jesus, exclama: «Minha alma, prostra-te aos pés do teu Senhor coroado; detesta os teus consentimentos pecaminosos, e roga-Lhe para que, também a ti, te trespasse um daqueles espinhos, consagrados pelo Seu Preciosíssimo Sangue, a fim de que não O voltes a ofender».

Voltando outra vez Jesus ao Pretório de Pilatos, depois da flagelação e da coroação de espinhos, este, ao vê-lo todo dilacerado e  desfigurado, pensou em como comover o povo à compaixão e apresentou-O ao povo dizendo: "Ecce homo" - Eis o Homem.  E nós? Como nos deteríamos diante de tão triste espectáculo? Como reagiríamos ao ver Jesus naquele estado diante de nós? De certo faríamos como Pilatos e lavaríamos as mãos. Quantas vezes os nossos pecados ferem o coração dilacerado de Jesus e não nos importa a forma como Ele é escarnecido e maltratado?

«Ah, Meu Jesus! Quantos papéis de teatro Vos fizeram os homens representar, mas todos eles de dor e ignomínia! Ó dulcíssimo Redentor, não encontraste compaixão diante daqueles homens atrozes!»

Também nós, quando ferimos Jesus com os nossos pecados dizemos-Lhe, como disseram os judeus, «crucifica-O, crucifica-O». Hoje, detenhamo-nos no arrependimento dos nossos pecados, mais do que todos os outros males que afligem a nossa alma, e procuremos fazer nossas as palavras de Santo Afonso: «Amo-Vos sobre todas as coisas, ó Deus da minha alma. Perdoai-me pelos merecimentos da Vossa Paixão. Ó Mãe das Dores, fazei que no dia do juízo, eu seja salvo pelo Vosso Filho!».


sexta-feira, 22 de março de 2013

Domingo de Ramos na Paixão do Senhor


No próximo Domingo a Igreja inicia a «semana maior» - a Semana Santa na qual são revividos os últimos momentos antes da Redenção que nos foi dada por Jesus na Cruz. Com o Domingo de Ramos revive-se a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém e medita-se na Sua Paixão e Morte inicia-se assim a sacra semana.

A celebração do Domingo de Ramos tem dois momentos. O primeiro é a procissão jubilosa que lembra a entrada de Jesus em Jerusalém sendo acolhido pelo povo. É o Rei que vem à Sua cidade para dela tomar posse anunciando assim  a Sua  glória definitiva na Jerusalém Celeste.

Estando próximo da Paixão, o Nosso Redentor partiu de Betânia rumo a Jerusalém. Sendo Rei e Senhor, Jesus Cristo entrou humildemente naquela cidade montado num pequeno jumento. Entretanto, os habitantes da cidade que já em tempos O tinham venerado pelos Seus milagres e curas foram ao Seu encontro estendendo as suas capas no chão e aclamando-O com ramos.

No início da Semana, Jesus foi gloriosamente aclamado como rei, no entanto, poucos dias mais tarde haviam de olhar para Ele com escárnio e acabando por condená-Lo à morte. Com esta glorificação iniciamos as celebrações da Semana Santa, de modo particular do Tríduo Sacro da Morte, Sepultura e Ressurreição do Senhor, celebrando com Ele a Páscoa.

A segunda parte da celebração do Domingo de Ramos compreende a Santa Missa, cujo evangelho é o relato da Paixão de Jesus. Nela contemplamos Cristo e a Sua dor. Ele é o Servo sofredor que abre os ouvidos para prestar atenção como discípulo. Em todo Seu mistério da Paixão não Se sente humilhado, porque tem a confiança e a certeza que Deus está com Ele, “pois ao Senhor se confiou” (Sl 22,9).

Celebrar a paixão e morte de Jesus é abismar-se na contemplação de um Deus a quem o amor tornou frágil. Por amor, Ele veio ao nosso encontro, assumiu os nossos limites, experimentou a fome, o sono, o cansaço, foi tentado, tremeu perante a morte, suou sangue antes de aceitar a vontade do Pai; e, estendido no chão, esmagado contra a terra, atraiçoado, abandonado, incompreendido, continuou a amar.

Contemplar a cruz onde se manifesta o amor e a entrega de Jesus significa assumir a mesma atitude. Significa aprender com Jesus a entregar a vida por amor. Viver deste jeito pode conduzir à morte; mas o cristão sabe que amar como Jesus é viver a partir de um dinâmica que a morte não pode vencer.

Procuremos nestes dias em que revivemos a Paixão e Morte de Jesus olhar para Ele e pedir-lhe que nos redima também a nós. A Virgem Maria, aquando da Morte de Jesus, estava junto à Sua cruz e foi entregue a João como sua Mãe. O coração sofredor e dilacerado de Maria é entregue a todos aqueles que confiam n'Ela e sabem que por Ela chegaremos mais próximos do Filho.

Confiemo-nos a Nossa Senhora e olhemos para a Paixão de Jesus, não como meros espectadores ou como os judeus que escarneciam d'Ele ou que simplesmente o ignoravam, mas procuremos sentir as dores de Maria no momento da Paixão de Cristo.


Cânticos para a Celebração da Missa:

Entrada: Bendito, Bendito o que vem - CECI 101
Ofertório: Bendito és Tu, Senhor - Pe. Simões
Comunhão: Pai, se este cálice - NCT 114
Acção de Graças: Hossana, Hossana - Marco Frisina
Fim: Hossana, Tu reinarás

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