"Raios de Luz"


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quinta-feira, 5 de junho de 2014

Vinde, Espírito Santo, e acendei em nós o fogo do Vosso amor!


«No Pentecostes, o Espírito Santo manifesta-se como fogo. A sua chama desceu sobre os discípulos reunidos, acendeu-se neles e infundiu-lhes o novo ardor de Deus. Realiza-se assim aquilo que o Senhor Jesus tinha predito:  «Vim lançar fogo sobre a terra; e como gostaria que ele já tivesse sido ateado!» (Lc 12, 49).

Juntamente com os fiéis das diversas comunidades, os Apóstolos levaram esta chama divina até aos extremos confins da Terra; abriram assim um caminho para a humanidade, uma senda luminosa, e colaboraram com Deus que com o seu fogo quer renovar a face da terra. Como é diferente este fogo, daquele das guerras e das bombas! Como é diverso o incêndio de Cristo, propagado pela Igreja, em relação aos que são acendidos pelos ditadores de todas as épocas, também do século passado, que atrás de si deixam terra queimada. O fogo de Deus, o fogo do Espírito Santo, é aquele da sarça que ardia sem se consumir (cf. Êx 3, 2). É uma chama que arde, mas não destrói; aliás, ardendo faz emergir a parte melhor e mais verdadeira do homem, como numa fusão faz sobressair a sua forma interior, a sua vocação à verdade e ao amor.
[…]
Este efeito do fogo divino assusta-nos, temos medo de nos "queimar", preferiríamos permanecer assim como somos. Isto depende do facto que muitas vezes a nossa vida é delineada segundo a lógica do ter, do possuir, e não do doar-se. Muitas pessoas crêem em Deus e admiram a figura de Jesus Cristo, mas quando se lhes pede que abandonem algo de si mesmas, então elas recuam, têm medo das exigências da fé. Existe o temor de ter que renunciar a algo de bonito, ao que estamos apegados; o temor de que seguir Cristo nos prive da liberdade, de certas experiências, de uma parte de nós mesmos. Por um lado, queremos permanecer com Jesus, segui-lo de perto, e por outro temos medo das consequências que isto comporta.

Caros irmãos e irmãs, temos sempre necessidade de ouvir o Senhor Jesus dizer-nos aquilo que Ele repetia aos seus amigos: «Não tenhais medo!». Como Simão Pedro e os outros, temos que deixar que a sua presença e a sua graça transformem o nosso coração, sempre sujeito às debilidades humanas. Temos que saber reconhecer que perder algo, aliás, perder-se a si mesmo pelo Deus verdadeiro, o Deus do amor e da vida, é na realidade ganhar, encontrar-se mais plenamente a si próprio».
                                                                               Da Homilia do Papa Bento XVI na Solenidade do Pentecostes
                        23 de Maio de 2010

PROPOSTA DE CÂNTICOS PARA A MISSA
- com partituras
CEC I - Cânticos de Entrada e Comunhão, vol. I
NCT - Novo Cantemos Todos
OC - Orar Cantando

segunda-feira, 2 de junho de 2014

A cultura do bem-estar ameaça as famílias

«O amor entre os cônjuges deve ser fiel, perseverante e fecundo, de acordo com o modelo do amor de Deus pela Sua Igreja. A fidelidade é como uma luz no casamento. 

A fidelidade do amor. Sempre! A vida matrimonial deve ser perseverante. Senão, o amor não pode continuar. 

Deve haver perseverança no amor, nos momentos bons e nos momentos difíceis, quando há problemas: os problemas com os filhos, problemas económicos, os problemas aqui e ali... Mas o amor persevera, vai em frente, tenta sempre resolver as coisas, para salvar a família. 

Num Matrimónio, a fecundidade pode ser posta à prova quando os filhos não chegam ou estão doentes. Nessas provações, há casais que olham para Jesus e tomam a força da fecundidade que Jesus tem com a Sua Igreja. Enquanto, por outro lado, ele conclui, há coisas que não agradam a Jesus, como os casamentos estéreis por escolha do casal.

Estes Matrimónios não querem os filhos, querem permanecer sem serem fecundos. Esta cultura do bem-estar de há dez anos para trás convenceu-nos que: ‘É melhor não ter filhos! É melhor! Então podes conhecer melhor o mundo, ir de férias, teres uma casa no campo, sem preocupações...

Mas talvez seja melhor - mais confortável - ter um cão , dois gatos, e o amor vai para dois gatos e o cão. Isto é verdade ou não? E no fim da vida, desse casamento virá a velhice na solidão, a amargura da solidão. Isto não é proveitoso, não faz o que Jesus faz com a sua Igreja: torna-a fecunda!»

sábado, 31 de maio de 2014

Mês de Maio termina com a Festa da Visitação de Nossa Senhora

«Bendita é tu entre as mulheres
e bendito é o fruto do teu ventre!»
Lc 1, 42
Das Catequeses de São João Paulo II, Papa:

Ressoam no nosso coração as palavras do evangelista São Lucas: «E quando Isabel ouviu a saudação de Maria, (...) ficou cheia do Espírito Santo» (Lc 1, 41). O encontro entre a Virgem e sua prima Isabel é uma espécie de ‘pequeno Pentecostes’. Na narração evangélica, a Visitação segue imediatamente a Anunciação: a Virgem Santíssima, que leva no Seu seio o Filho concebido por obra do Espírito Santo, irradia em torno de Si graça e gozo espiritual. A presença do Espírito n’Ela faz saltar de alegria o filho de Isabel, João, destinado a preparar o caminho do Filho de Deus feito homem.

Onde está Maria, está Cristo; e onde está Cristo, está o Seu Espírito Santo, que procede do Pai e d’Ele, no mistério sacrossanto da vida Trinitária. Os Actos dos Apóstolos destacam com razão a presença orante de Maria no Cenáculo, junto com os Apóstolos reunidos a espera de receber o ‘poder do alto'. O ‘sim' da Virgem, o «fiat», atrai sobre a humanidade o dom de Deus: como na Anunciação, também em Pentecostes. Assim continua sucedendo no caminho da Igreja.

Reunidos em oração com Maria, invoquemos uma abundante efusão do Espírito Santo sobre toda a Igreja, para que, com velas alçadas, reme mar adentro neste novo milénio. De modo particular, invoquemo-lo sobre quantos trabalham diariamente a serviço da Sé Apostólica, para que o trabalho de cada um esteja sempre animado por um espírito de Fé e de zelo apostólico.

É muito significativo que no último dia de Maio se celebre a festa da Visitação. Com esta conclusão é como se quiséssemos dizer que cada dia deste mês foi para nós uma espécie de visitação. Vivemos durante o mês de Maio uma contínua visitação, como a viveram Maria e Isabel. Damos graças a Deus porque a Liturgia nos propõe novamente hoje este acontecimento bíblico».



quinta-feira, 29 de maio de 2014

A Ascensão de Jesus ao Céu

No dia da Ascensão do Senhor, o cristão percebe que no seu coração há um duplo movimento: o primeiro, olhar para o Céu; o segundo, olhar para a terra. Na verdade, Jesus é O que possui todo o poder sobre o mundo e sobre a História. É o Mestre cujo ensinamento será sempre uma referência para os discípulos. Jesus é o «Deus-connosco” que acompanhará a caminhada dos discípulos pela História do mundo.

Nosso Senhor garante que estará sempre com os discípulos, «até ao fim dos tempos», ajudando os Seus discípulos a superar as crises e as dificuldades na caminhada por este mundo.

Celebrar a ascensão de Jesus ao Céu significa, antes de mais, tomar consciência da missão que foi confiada aos discípulos e sentir-se responsável pela presença do Reino de Deus já aqui na Terra, na vida dos homens. Estaremos conscientes de que a Igreja é, hoje, a presença salvadora de Jesus no meio dos homens?

Tornar-se discípulo de Cristo é, em primeiro lugar, aprender os ensinamentos de Jesus, a partir das Suas palavras, dos Seus gestos, da Sua vida oferecida em sacrifício por amor. Mas, com frequência, os discípulos de Jesus são objecto da ridicularização e do menosprezo dos homens, porque insistem em testemunhar que a felicidade está em Deus, no Amor e no dom da Vida…


O confronto com o mundo gera muitas vezes, nos discípulos, desilusão, sofrimento, frustração… Mas nos momentos de decepção e de desilusão convém, no entanto, recordar as palavras de Jesus: «Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos». Esta certeza deve alimentar a coragem com que testemunhamos aquilo e Aquele em quem acreditamos. Sem medo do mundo e das suas seduções!


PROPOSTA DE CÂNTICOS PARA A MISSA:
- com partituras:

CEC II - Cânticos de Entrada e Comunhão, vol.II
IC - Igreja Canta
NCT - Novo Cantemos Todos


quinta-feira, 22 de maio de 2014

Domingo VI do Tempo pascal

No Evangelho deste próximo Domingo, Jesus garante aos discípulos que não os deixará sozinhos no mundo. Ele vai para o Pai, mas vai continuar presente, acompanhando a caminhada dos seus discípulos.

É preciso, no entanto, que os discípulos continuem a seguir Jesus, cumprindo os mandamentos que Ele deixou. Seguindo com amor os ensinamentos de Cristo, os Mandamentos deixam de ser normas externas que é preciso cumprir, mas tornam-se expressão clara do amor dos discípulos e da sua sintonia com Nosso Senhor.

Como é que Jesus vai estar presente ao lado dos discípulos, dando-lhes a coragem para percorrer o mundo a anunciar o Evangelho?

Jesus fala no envio do Paráclito, que estará sempre com os discípulos (vers. 16). A palavra ‘Paráclito’ pode traduzir-se como ‘advogado’, ‘auxiliar’, ‘defensor’. Pode deduzir-se, também, o sentido de ‘consolador’ e de ‘intercessor’.

O Paráclito que Jesus vai enviar é o Espírito Santo – apresentado aqui como o ‘Espírito da Verdade’. Por vezes, sentimo-nos desanimados e frustrados, diante de um futuro que não sabemos até onde conduzirá a humanidade. No entanto, nós os crentes temos razões para ter esperança: Jesus garantiu-nos que não nos deixaria órfãos e que estaria sempre a nosso lado.

Na nossa leitura do mundo e da história, o que é que prevalece: o pessimismo de quem se sente só e perdido no meio de forças de morte, ou a esperança de quem está seguro de que Jesus ressuscitado continua presente, a acompanhar a caminhada do Seu povo pela história?


Vivamos sempre com esta certeza: por mais escuro que seja o caminho, por mais pedras que existam na estrada… Jesus caminha connosco e envia-nos o Consolador, o Espírito Santo para nos fortalecer e dar coragem nesta peregrinação até ao Céu!

PROPOSTA DE CÂNTICOS PARA A MISSA:
- com partituras

NCT - Novo Cantemos Todos

sexta-feira, 16 de maio de 2014

V Domingo do Tempo Pascal

“ Eu sou o caminho, a verdade e a vida". 
Esta é a frase máxima do Evangelho do V Domingo do Tempo Pascal, resposta dada por Jesus à  pergunta de Tomé que, não compreendendo tudo o que Jesus afirmara acerca do Seu regresso ao Pai, lhe perguntara: “Senhor, não sabemos para onde vais. Como é que sabemos o caminho?”.

O apóstolo pensava num caminho material, tal como muitas vezes também nós estamos à espera que Jesus nos mostre um caminho concerto a seguir, mas Jesus indica-lhe um espiritual, tão sublime que se identifica com a Sua Pessoa: “Eu sou o caminho”; e não lhe mostra apenas o caminho, mas também a meta- “ a verdade e a vida”- à qual conduz e que é também Ele mesmo.

Jesus é o caminho que conduz ao Pai: “Ninguém vai ao Pai senão por Mim”; é a verdade que O revela: “Quem Me viu, viu o Pai”; é a vida que comunica aos homens a vida divina: “Assim como o Pai  tem a vida em Si mesmo” , assim a tem o Filho e dá-a “àquele que quer”.

Jesus, com a Sua resposta, está como que a dizer: Por onde queres ir? Eu sou o caminho. Para onde queres ir? Eu sou a Verdade. Onde queres permanecer? Eu sou a Vida. Todo o homem consegue compreender a Verdade e a Vida; mas nem todos encontram o Caminho.

Na primeira Leitura, do Livro dos Actos dos Apóstolos, temos a escolha dos diáconos para ajudarem os Apóstolos no atendimento da comunidade que crescia cada dia, pois a Palavra de Deus espalhava-se cada vez mais. Disseram os Apóstolos: “Quanto a nós entregar-nos-emos assiduamente à oração e ao serviço da Palavra” (At 6,4).

Assim como o Mestre passava longas horas em oração individual, também o apóstolo reconhece a necessidade de alcançar forças novas na oração pessoal, feita em íntima união com Cristo, pois só assim será eficaz o seu ministério e poderá levar ao mundo a palavra e o amor do Senhor.

O apostolado é fruto do amor a Cristo. Ele é a luz com que iluminamos, a verdade que devemos ensinar, a Vida que comunicamos. E isto só será possível se formos homens e mulheres unidos a Deus pela oração.

A oração nunca deixa de dar os seus frutos. Dela tiraremos a coragem necessária para enfrentar as dificuldades com a dignidade dos filhos de Deus, bem como para perseverar no convívio com os amigos que desejamos levar a Deus. Por isso a nossa amizade com Cristo há de ser cada dia mais profunda e sincera. Sem oração, o cristão seria como uma planta sem raízes; acabaria por secar, e não  teria assim a menor possibilidade de dar fruto. A oração é o suporte de toda a nossa vida e a condição de todo o apostolado. 

Fonte: Adaptado


PROPOSTA DE CÂNTICOS PARA A MISSA:
- com partituras

sábado, 10 de maio de 2014

O Terço: arma poderosa para alcançar a Paz

«A pé, milhares de fiéis rumam em direcção a Fátima. Têm um encontro marcado com “a Senhora mais brilhante do que o sol”, que os espera onde, em 1917, apareceu a três pastorinhos. Por essas estradas fora, arrastam alegrias e tristezas, penas próprias e dores alheias, acções de graças e petições, nas contas do terço que desgranam pelos caminhos da nossa terra. E, no bordão, a esperança que não desfalece, mesmo quando o cansaço entorpece o andar.

A fé é caminho. Desde tempos imemoriais, os cristãos peregrinam em direcção aos Lugares Santos. Neste ano, é a Terra Santa que vem ao encontro dos romeiros da Cova da Iria, na pessoa do Patriarca latino de Jerusalém, Sua Beatitude Fouad Twal. Não é só Maria mas também a sua terra e as suas gentes que vão estar presentes nas celebrações da primeira aparição mariana. Duas terras de Santa Maria vão, assim, encontrar-se no altar do mundo: a Palestina, que é a pátria terrena da Mãe de Deus, e esta nossa pátria, de que ela é, há já vários séculos, padroeira e rainha.

Foi em 1914, faz agora um século, que começou a primeira Guerra Mundial, a que a Senhora do Rosário quis pôs termo pela oração e sacrifícios dos seus filhos. Neste centenário desse conflito, a presença do Patriarca de Jerusalém na Cova da Iria recorda que o terço, que logrou a “conversão da Rússia”, é o meio mais eficaz para alcançar a paz na Terra Santa.

“Si vis pacem, para bellum”, isto é, se queres a paz, prepara-te para a guerra. A paz na Palestina, a pátria de Jesus, requer o uso diário de uma arma poderosa: o terço de Nossa Senhora. Porque cada conta é uma bala contra a guerra e um passo para a paz».

Pe. Gonçalo Portocarrero Almada

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Domingo IV da Páscoa

Na nossa cultura, a figura do “Pastor” é uma figura de outros tempos, ude m mundo parado em amplos espaços verdes. Ao propor-nos a figura bíblica do Bom Pastor, o Evangelho propõe como modelo de Pastor alguém que oferece a vida, que serve, que respeita a liberdade das pessoas, que se dedica totalmente e que ama gratuitamente.

Para nós, cristãos, o Pastor por excelência é Cristo: Ele recebeu do Pai a missão de conduzir o rebanho de Deus das trevas para a luz, da escravidão para a liberdade, da morte para a vida. Contudo, quantas vezes não temos outros “pastores” que nos arrastam e que são as referências fundamentais à volta das quais construímos a nossa existência? 

O que é que nos conduz e condiciona as nossas opções? Cristo? Ou a voz do política e socialmente correcto? A voz da opinião pública? A voz do comodismo e da instalação? A voz do preservar os nossos esquemas e os nossos privilégios? A voz do êxito e do triunfo?

Para que distingamos a voz de Jesus no meio de tantos outros apelos, de propostas enganadoras que não conduzem à vida plena, é preciso um permanente diálogo íntimo com o Bom Pastor, com Aquele que conhece as ovelhas e dá a Sua vida por elas.


Para que o rebanho – que somos nós! – não se deixe enganar pelos lobos que muitas vezes se disfarçam de pastores, é preciso um encontro permanente com Cristo, rezando, ouvindo a Sua Palavra e frequentando os Sacramentos que a Igreja nos oferece.

PROPOSTA DE CÂNTICOS PARA A MISSA:
- com partituras

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Maria Santíssima, Mãe da Igreja e Nossa Mãe

«O mês de Maio é o mês de Maria Santíssima, Mãe da Igreja e Nossa Mãe. A vivência deste mês há-de ser, por isso, muito voltada para os Mistérios do Filho de Deus que nos são expressos na maternidade Divina. Caminhemos ao longo deste mês com Maria Santíssima Senhora do Sim aquando da visita do Anjo. Vivamos com diligente caridade a visita a sua prima Santa Isabel.

Contemplemos com o coração cheio de Amor o nascimento discreto do Salvador no presépio de Belém. Apresentemos o menino no Templo, mesmo que isso seja desígnio e profecia de dor e de espírito trespassado.

Acompanhemos com esforçada compreensão a fuga para o Egipto e como experiência libertadora o regresso à Pátria. Paremos diante da perda do menino e descansemos no desejo que Ele teve de estar “nas coisas de Seu Pai”. Permaneçamos firmes na Fé com Maria quando ela pede aos discípulos de Seu Filho que “façam o que Ele disser” ou quando se vê exaltada na humildade quando escuta que mais feliz por ser mãe e irmão é “aquele que ouve a palavra de Deus e a põe em prática”. De um modo especial neste tempo pascal que acompanha, quase na totalidade, o decurso deste mês de Maio, vivamos a dor e o silêncio do túmulo junto à Senhora das Dores ou a experiência da Ressurreição com Nossa Senhora da Alegria. Todos estes mistérios de Jesus são festas e invocações de Maria Santíssima.

São encontros e intercessões da Mãe de Deus e mãe nossa, pela Igreja e pelos baptizados. Neste mês prostremos o nosso coração por terra diante de Deus que “escolhe o fraco para confundir o forte”. Escolhe o humilde para levar a bom caminho a obra de Salvação da humanidade. Na senda de Maria, alegremo-nos por sermos discípulos do Filho, pois na simplicidade dessa entrega encontramos a beleza da nossa doação. Encontramos a realidade de um Deus que escolhe a natureza humana para nela habitar.

 Este é o mês do terço, o mês das romarias aos santuários marianos, é o mês de darmos à nossa Mãe Santíssima do Céu a alegria de cumprirmos os pedidos de Seu Filho: “Convertei-vos, mudai de vida”. 

Voltemos o olhar do nosso coração para Maria, a Senhora de Fátima que nos recordou a Penitência e a Oração e façamos desse pedido o nosso meio de santificação de cada momento do nosso dia e de cada dia do nosso mês».


P. Pedro Manuel - Diocese de Faro

sexta-feira, 2 de maio de 2014

III Domingo da Páscoa

O Evangelho deste III Domingo do Tempo Pascal remete-nos novamente para a tarde do Domingo de Páscoa, no qual Jesus tinha ressuscitado de entre os mortos.

Sob as aparências de um peregrino, Jesus junta-se aos dois discípulos que se dirigem para Emaús e falam, entre si, dos acontecimentos surpreendentes da Sexta-feira anterior, em Jerusalém. Os discípulos estão tristes, desanimados... esperavam um Messias glorioso e vencedor e encontram-se diante de um derrotado, que tinha morrido na Cruz.

Jesus caminha junto daqueles dois homens que perderam quase toda a esperança, de modo que a vida começa a parecer-lhes sem sentido. Compreende a sua dor e penetra nos seus corações. Também connosco o Senhor age assim! Apesar de muitas vezes perdermos a esperança e nos sentirmos desanimados, Jesus compreende a nossa dor e dá-nos alento para caminhar.

A conversa dos dois discípulos com Jesus a caminho de Emaús, resume perfeitamente a desilusão dos que tinham seguido o Senhor, diante do aparente fracasso que representava para eles a Sua morte. Jesus, em resposta ao desalento dos discípulos, vai pacientemente descobrindo-lhes o sentido de toda a Sagrada Escritura acerca do Messias: “Não era preciso que o Cristo padecesse estas coisas e assim entrasse na Sua glória?”

A cruz não é um fracasso, mas o caminho escolhido por Deus para o triunfo definitivo de Cristo sobre o pecado e sobre a morte!

Depois da escuta da Palavra e o partir o Pão, os discípulos de Emaús sentem necessidade de voltar a Jerusalém, partindo para anunciar a descoberta aos irmãos e , junto com eles, proclamar que  “ O Senhor ressuscitou.”


Procuremos também nós saber fazer esta caminhada, sabendo que apesar das tristezas e desânimos, o Senhor está connosco e nos acompanha. Depois de nos encontrarmos com Ele, não fiquemos calados, mas sigamos o exemplo dos discípulos de Emaús e caminhemos a anunciar que o Senhor ressuscitou verdadeiramente!


PROPOSTA DE CÂNTICOS PARA A MISSA:
(com partituras)

Entrada: Aclamai o Senhor - J. Santos
Comunhão: Os discípulos reconheceram - C. Silva
Pós-Comunhão: Surrexit Christus - Taizé
Final: Com minha Mãe estarei - Popular


quinta-feira, 17 de abril de 2014

Quinta-feira Santa: um exemplo a seguir

Na Missa Vespertina da Ceia do Senhor, com a qual abrimos o Sagrado Tríduo Pascal, meditamos nas palavras de Jesus: «dei-vos o exemplo».

De facto, Jesus deixou-nos um exemplo de amor para também nós nos fazermos servos uns dos outros. Aqueles que nos olham de fora, Jesus pede a cada um de nós o esforço por lavar os pés dos outros, segundo o exemplo que Ele nos deixou. Quanto isso nos custa! Especialmente quando os pés a serem lavados são ásperos. Suportar a carga não é fácil!

Mas a grandiosidade desta celebração neste dia não se prende só com o exemplo que Jesus nos deixou e nos convidou a seguir. Neste dia, recordamos a Instituição da Santíssima Eucaristia.

Dizia o Papa Bento XVI, na celebração de Quinta-feira Santa de 2012:
«A Quinta-feira Santa não é apenas o dia da instituição da Santíssima Eucaristia, cujo esplendor se estende sem dúvida sobre tudo o mais, tudo atraindo, por assim dizer, para dentro dela. Faz parte da Quinta-feira Santa também a noite escura do Monte das Oliveiras, nela Se embrenhando Jesus com os seus discípulos; faz parte dela a solidão e o abandono vivido por Jesus, que, rezando, vai ao encontro da escuridão da morte; faz parte dela a traição de Judas e a prisão de Jesus, bem como a negação de Pedro; e ainda a acusação diante do Sinédrio e a entrega aos pagãos, a Pilatos. Nesta hora, procuremos compreender mais profundamente alguma coisa destes acontecimentos, porque neles se realiza o mistério da nossa Redenção.»

Neste dia, somos convidados a reflectir em três grandes aspectos que nos devem interpelar na nossa vida: em primeiro lugar, o exemplo de Jesus no "Lava-pés" e de como também nós nos devemos esforçar por fazer o mesmo.

No centro da celebração deste dia está a instituição da Santíssima Eucaristia. Jesus deu-nos o Pão do Céu, deu-nos o Seu Corpo, para que ao alimentarmo-nos d'Ele, sejamos fortalecidos do Seu amor e vivamos com Ele e por Ele.

Por fim, mas não menos importante, o exemplo de oração e entrega ao Pai do Céu. Jesus também rezou e pediu ao Pai que O ajudasse naquele momento de provação. Possamos também nós seguir o Seu exemplo e rezar ao Pai, para que nos ajude a caminhar para a santidade.

PROPOSTA DE CÂNTICOS PARA A MISSA:
(com partituras)

Entrada: Toda a nossa glória está na Cruz - NCT 124
Salmo: O cálice de bênção é comunhão no Sangue de Cristo
Lava-pés: Recebemos do Senhor - NCT 127
Comunhão: O Corpo de Jesus é alimento - CEC I pág. 115,116
Pós-Comunhão: Ó Verdadeiro Corpo do Senhor - NCT 269
Trasladação do Santíssimo Sacramento: Tantum ergo sacramentum

CEC I - Cânticos de Entrada e Comunhão, vol. I
NCT - Novo Cantemos Todos

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Meditações de Quaresma: 'A Cruz, só por amor!'

«Porque a palavra da cruz é loucura para os que se perdem; 
mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus» 1 Cor 1,18

Verdadeiramente, para lá dos modismos da actualidade, a grande virtude cristã é uma só: o amor! E, compreendamo-nos bem: um amor apaixonado, louco, incorrecto, absoluto, radical, a Cristo Jesus! Desses amores que nos tira do sério, que nos faz perder o juízo: “Por Ele eu perdi tudo!” – dizia aquele louco chamado Paulo de Tarso!

Este amor – e só ele! – é a grande virtude cristã, que regula, julga e dá sentido a tudo o mais na vida do cristão!

Os inimigos da cruz de Cristo são aqueles que não amam o Senhor a ponto de tudo crucificarem por Ele, são aqueles que querem um cristianismo lógico, politicamente correcto.

Como é triste ver cristãos preocupados com a aprovação e o aplauso do pensamento dominante actual! Para que serviria um sal que se diluísse de tal modo que não mais se diferenciasse daquilo a que deveria salgar? Jesus nos preveniu tão claro: Não sois do mundo; a Minha escolha vos separou do mundo; por isso o mundo vos odeia!” (cf. Jo 15,18-20)


Somos, com Cristo e por causa de Cristo, um sinal de contradição – e somente assim o nosso cristianismo será autêntico e valerá a pena! Os cristãos somente servirão de verdade à humanidade servindo fielmente a Cristo que salvou o mundo precisamente pela inconveniente, chocante e escandalosa Cruz!

Bispo nomeado de Palmares - Brasil

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Domingo V da Quaresma

Aproximamo-nos a passos largos das Celebrações Pascais. Neste último Domingo antes do início da Semana Santa, a Liturgia apresenta-nos Jesus como a nossa Ressurreição e nossa Vida.

No Evangelho do V Domingo da Quaresma, o Senhor fala-nos da Vida e da Ressurreição e ensina-nos como devemos viver. A Palavra de Deus neste Domingo apresenta-nos a morte e posterior ressurreição de Lázaro, amigo de Jesus.

O amigo de Jesus estava doente e as suas irmãs estavam angustiadas, tendo implorado pela vinda do Senhor para curar o irmão, no entanto Jesus "não foi a tempo". Detenhamo-nos nas palavras do Evangelho: «Jesus era muito amigo de Marta, de sua irmã Maria e de Lázaro. Quando ouviu que estava doente, Jesus ficou ainda dois dias no lugar em que se encontrava».

Os caminhos de Deus não são os nossos caminhos, os nossos tempos e modos não são os d'Ele. Deus ama-nos, é fiel e preocupa-se connosco: o Senhor conhece as nossas dores e os nossos sofrimentos, mas jamais compreenderemos o Seu modo de agir no mundo e na nossa vida! Uma coisa é certa: se crermos, veremos sempre a glória de Deus, em tudo no mundo e em tudo na nossa vida Deus será glorificado!

Então, Jesus consola Marta e Maria, prometendo a Ressurreição. «Eu sou a Ressurreição! Eu sou a Vida!» A Ressurreição é Jesus em pessoa: «Eu sou a Ressurreição e a Vida! Quem crê em mim, mesmo que esteja morto, viverá!».  É Ele quem nos vem buscar, é na força d'Ele que seremos erguidos da morte, é n'Ele que nossa vida é salva do Vazio.

Estamos prestes a celebrar a Páscoa! Não esqueçamos que é para que tenhamos a vida que Nosso Senhor Jesus Cristo Se entregou por nós: morto na carne foi vivificado no Espírito Santo pela Sua ressurreição.


É esta a nossa esperança: a Ressurreição! Por ela vivemos, dela temos certeza! E já possuímos, como primícias, como garantia o Espírito Santo. Então, vivamos uma vida nova, uma vida de ressuscitados em Cristo Jesus. Renovemo-nos! Convertamo-nos! Que as observâncias da Quaresma, o combate aos vícios, a abstinência dos alimentos e a confissão dos pecados nos preparem para celebrar de coração renovado a Páscoa do Senhor!



PROPOSTA DE CÂNTICOS PARA A MISSA:
(com partituras)

Entrada: Deus, vinde em meu auxílio - NCT 87
Comunhão: Eu vim para que tenham vida - CEC II, pág. 131-132
Pós-Comunhão: Eu sou a ressurreição e a vida - IC pág. 918

CEC II - Cânticos de Entrada e Comunhão, vol. II
IC - Igreja Canta
LHC II - Liturgia das Horas cantada, vol. II
NCT - Novo Cantemos Todos

sábado, 29 de março de 2014

Sete Dores de Nossa Senhora: Jesus a caminho do Calvário

Andor do Encontro com Jesus a caminho do Calvário - Mafra
Meditemos na quarta dor de Maria Santíssima - o Encontro com Jesus a caminho do Calvário. São Boaventura refere que a Bem Aventurada Virgem Maria passou a noite que precedeu a Paixão de Seu Filho, sem descansar e em dolorosa vigília.

Chegada a manhã, os discípulos vieram junto da Santíssima Virgem contar-lhe os maus tratos que Jesus havia recebido em casa de Caifás e dos desprezos e flagelações diante de Herodes. Veio finalmente São João que Lhe disse: «Ah, Mãe Dolorosa, o Teu filho já foi condenado à morte e saiu, levando ele mesmo a Sua cruz para o Calvário».

Ao ouvir isto, Nossa Senhora parte com João e encontra-Se com Jesus. Quanta dor terá sentido ao trocar o olhar com o Seu Filho que era levado como cordeiro para o matadouro! Uma fria e dura espada trespassou novamente o Coração Imaculado da Virgem Maria.

De certo que a Divina Mãe queria abraçar Jesus, mas os judeus e os soldados proferiam injúrias contra Nossa Senhora e empurram o Senhor para que este não pudesse ser abraçado pela Sua bendita Mãe. São Guilherme refere que o Filho caminha, pelas ruas de Jerusalém com a cruz às costas e Nossa Senhora segue atrás d'Ele para ser crucificada com Ele.

Quanta dor, quanta aflição! Sabemos da nossa vida que é para uma mãe é sempre uma grande dor a morte de um filho. Quanto não terá sido para Nossa Senhora? Foi por nossa causa que Jesus foi crucificado e foi também pelos nossos pecados que esta tão grande dor atravessou o coração da Virgem Maria.


Rezemos pois, tal como Santo Afonso: «Minha Mãe Dolorosa, pelo merecimento da dor que sentistes ao ver o Vosso amado Filho levado à morte, impenetrai em mim a graça de levar também com paciência as cruzes que Deus me envia. Feliz de mim se souber acompanhar-Vos com a minha cruz até à morte».

quinta-feira, 27 de março de 2014

Meditações de Quaresma: Os obstáculos à vida sobrenatural

1º - Os obstáculos que ameaçam a existência ou crescimento da nossa vida sobrenatural podem resumir-se aos seguintes:

- O pecado mortal, que é o obstáculo radical, porque destrói por completo a vida divina da alma;

- O pecado venial, principalmente deliberado, a tristeza, o hábito do pecado venial deliberado, e as imperfeições: todos estes, sem destruir nem diminuir a graça da vida sobrenatural, empenha a sua beleza, debilita a sua actividade e freia o seu crescimento;

- As inclinações viciosas, os defeitos naturais, e principalmente o defeito dominante: são a fonte ordinária dos nossos pecados e imperfeições.

2º - O pecado tem uma tripla causa:

- A carne, que é a nossa natureza desordenada, na qual o pecado original deixou uma tripla concupiscência que nos arrasta ao pecado: a concupiscência dos olhos, o afã desordenado de bens e riquezas temporais; a concupiscência da carne, o afã desenfreado dos prazeres dos sentidos; e a concupiscência do espírito, o afã desmedido das honras e vontade própria;

- O demónio, que é o conjunto de anjos caídos que nos puxam ao pecado instigando a nossa tripa concupiscência por meio das tentações;

- O mundo, que é o conjunto de homens que se regem pela triple concupiscência, e de que o demónio se serve como de instrumento para conduzir as almas à eterna condenação, pelas suas falsas máximas, modas, escândalos, espectáculos, perseguições, etc.


3º Assim como para crescer na vida sobrenatural há que desenvolver o gérmen da vida que Deus estabeleceu nas nossas almas pela graça, assim também para protegê-la e defendê-la há que combater esse triplo gérmen de morte (mundo, demónio, e carne) por meio de uma luta enérgica, vigilante e contínua.

A mortificação cristã é uma condição indispensável e necessária para conservar a vida sobrenatural no nosso presente estado de prova.

Fonte: Blogue Senza Pagare

Domingo IV da Quaresma

A Liturgia deste Domingo enfatiza que Cristo é o Pastor das nossas almas e que nos abre os olhos para ver a luz de Deus.

O episódio da cura do cego, no Evangelho de São João, é certamente uma das páginas mais esplêndidas do Evangelho. Jesus realiza o milagre desta cura para provar a Sua divindade e da consequente necessidade, para nós, de aceitarmos a Sua pessoa e a Sua mensagem.

Ele é verdadeiramente Deus. Como tal, pode rapidamente dar vista a um homem cego  e muito mais iluminar a alma, fazer-nos abrir os olhos interiores para conhecer as verdades que se relacionam com a natureza de Deus e o destino dos homens.

A história do Evangelho faz-nos perceber quão preciosa é o sentido da visão, mas também quanto mais bonita é a luz da fé.

Mas sabemos que a profissão da Fé exige firmeza e força. Diante da luz de Cristo, há sempre uma atitude de hostilidade aberta ou rejeição e indiferença, ou mesmo uma crítica injusta e tendenciosa.
O primeiro mandamento ordena-nos que alimentemos e guardemos com prudência e vigilância a nossa fé, rejeitando tudo quanto a ela se opõe.

O Catecismo da Igreja Católica explica que pode pecar-se contra a fé de vários modos, desde a dúvida involuntária (cuja culpa pode ser atenuada) até aos pecados gravíssimos de heresia e cisma. O catecismo ensina ainda que a dúvida de Fé voluntariamente cultivada leva à cegueira espiritual:

«A dúvida voluntária em relação à fé negligencia ou recusa ter por verdadeiro o que Deus revelou e a Igreja nos propõe para crer. A dúvida involuntária é a hesitação em crer, a dificuldade em superar as objecções relacionadas com a fé, ou ainda a angústia suscitada pela sua obscuridade. Quando deliberadamente cultivada, a dúvida pode levar à cegueira do espírito» (CIC, 2088)

É desta cegueira espiritual que Jesus nos quer libertar. Mas para isso, precisamos de reconhecer que muitas vezes vivemos na escuridão, reconhecer que recusamos ver a Luz que Jesus nos traz. Depois, aproximando-nos d'Ele, dizer humildemente: ‘Eu creio, Senhor’! E, com confiança, pedir ao Senhor que nos ilumine e nos abra os olhos da Fé.
Fonte (adaptado)

PROPOSTA DE CÂNTICOS PARA A MISSA:
(com parituras)

Entrada: Alegra-te, Jerusalém - A.M. Seiça
Comunhão: Em Vós, Senhor - IC, pág. 436
Pós-Comunhão: Senhor Jesus, Tu és Luz do mundo - Taizé
Final: Senhor, eu creio que sois Cristo - CEC II, pág. 42-43

CEC II - Cânticos de Entrada e Comunhão, vol. II
IC - Igreja Canta

quarta-feira, 26 de março de 2014

Meditações de Quaresma: 'Regressarei à casa de meu Pai'


Regressarei à casa de meu Pai como o filho pródigo, e serei acolhido.
Tal como ele o fez, também eu o farei: Ele atender-me-á?
Eis-me a bater, Pai misericordioso, à Tua porta;
abre, para que eu entre, não me perca, não me afaste nem pereça!

Fizeste-me Teu herdeiro,
mas eu abandonei a herança e dissipei os meus bens;
que doravante eu seja como um diarista e um servo.
Assim como pelo publicano a tiveste, tem piedade de mim,
e eu viverei pela Tua graça!
Assim como à pecadora, a quem remiste,
redime também os pecados que cometi, ó Filho de Deus!
Assim como a Pedro, que salvaste,
salva-me do meio das ondas.
Assim como pelo ladrão a tiveste,
tem piedade da minha baixeza e lembra-Te de mim!
Assim como fizeste com a ovelha perdida,
procura-me, Senhor, e encontrar-me-ás;
e em Teus ombros, Senhor, leva-me à casa de Teu Pai.

Abre-me os olhos, como os abriste ao cego,
para que eu veja a Tua luz!
E tal como o fizeste ao surdo, abre-me os ouvidos,
para que eu ouça a Tua voz.
Cura esta minha enfermidade, como a curaste ao paralítico,
para que eu louve o Teu nome.
Purifica-me as chagas com o Teu hissope (cf. Sl 51/50,9),
como ao leproso purificaste.

Faz-me viver, Senhor, como fizeste à menina, a filha de Jairo.
Cura-me, como à sogra de Pedro curaste, porque estou doente.
Faz que me levante, como o fizeste ao rapaz, filho da viúva.
Como a Lázaro, que chamaste,
chama-me com a Tua própria voz e desprende-me destas faixas.
Porque eu estou morto pelo pecado, como de uma doença;
reergue-me desta ruína, e louvarei o Teu Nome!

Peço-te, Senhor da Terra e do Céu,
vem em meu auxílio e indica-me o Teu caminho,
para que eu vá até Ti.
Leva-me a Ti, Filho do Bom Deus, e eleva ao máximo a Tua misericórdia.
Irei até Ti e, junto a Ti, saciar-me-ei na alegria!

Tiago de Saroug (449-521), monge e bispo sírio

terça-feira, 25 de março de 2014

O Anjo do Senhor anunciou a Maria

AVÉ, Ó CHEIA DE GRAÇA!

Estamos a exactamente 9 meses do Natal e a Igreja hoje lembra, numa Solenidade, a Anunciação do Anjo a Nossa Senhora e a Encarnação de Jesus Cristo no seio virginal de Maria.

E porque Deus escolheu a solução da Encarnação? Deus preferiu a Encarnação por que foi a maneira mais perfeita de nos salvar, conciliando a Justiça com a Caridade Divina.

Em Cristo, as naturezas humana e divina estão unidas. As duas naturezas estão unidas, mas sem confusão. A duas naturezas permanecem distintas uma da outra, mas sem separação. Em Cristo, as duas naturezas, divina e humana, estão unidas na mesma Pessoa Divina, na Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. É um Mistério.

A Encarnação dá-se em Maria. Maria é ‘Mãe de Deus’ porque o seu Filho é Deus; embora seja Mãe só na ordem da geração humana, dado que o Menino, que ela concebeu e deu à luz, é Deus, deve ser chamada ‘Mãe de Deus’. A afirmação da Maternidade Divina ilumina-nos sobre o sentido da Encarnação:

Demonstra que o Verbo, Pessoa divina, tornou-Se humano: fez-se homem graças à participação de uma Mulher, na obra do Espírito Santo. Uma Mulher foi associada de forma singular ao mistério da vinda do Salvador ao mundo.

«Com a sua maternidade, Maria permite ao Filho de Deus ter — depois da concepção extraordinária pela ação do Espírito Santo — um desenvolvimento e uma inserção normal na sociedade humana». (Papa João Paulo II, Audiência Geralde 4 de Janeiro de 1984).


Rezemos, em especial neste dia, por todas as Mães e pela Causa da Vida! Que Nossa Senhora, Mãe de Deus humanado, possa interceder no Céu para que a Vida Humana seja sempre inviolável, desde a concepção até à morte natural.

sábado, 22 de março de 2014

Sete Dores de Nossa Senhora: perda de Jesus no templo

Andor da Perda de Jesus no Templo - Basílica de Mafra
A terceira das Sete dores de Nossa Senhora que meditamos é a Perda de Jesus no Templo. Esta foi de certo uma das mais fortes, pois a Virgem Maria sofria longe de Jesus, e a Sua humildade fazia-lhe crer que o Seu Filho se tinha apartado de Si por negligência Sua.

Quem nasce cego sofre menos com o facto de se ver privado de contemplar a luz do que aqueles que durante a sua vida puderam ver, e de repente, ficam cegos. Igualmente isso acontece com as almas infelizes e cegas, que pelo lodo deste mundo, pouco tenham conhecido Deus, pouca pena sentem de não O encontrarem.

Pelo contrário, quem vive iluminado pela luz celeste sente muito mais tristeza por se ver privado dela. Imaginemos agora Nossa Senhora, que estava acostumada a gozar da presença de Jesus e de como esta terceira espada a deve ter ferido quando, tendo-O perdido em Jerusalém, esteve três dias sem O encontrar.

Esta dor de Nossa Senhora deve servir de conforto a todas as almas que estão desoladas e não gozam da doce presença do Senhor. Se Jesus se ausenta dos olhos das almas que o amam, não se ausenta dos seus corações.

Aprendamos desta dor de Maria Santíssima a buscar Jesus. Não o procuremos nas delícias e prazeres deste mundo, mas entre as cruzes e mortificações, tal como fez Nossa Senhora. 

Tal como Santo Afonso digamos:
«Maria, minha Mãe amabilíssima, se por minha desgraça e pelos meus pecados eu também perdi Jesus, rogo-Vos que pelos méritos das Vossas dores, eu O encontre para nunca mais o perder em toda a eternidade.»


quinta-feira, 20 de março de 2014

Domingo III da Quaresma

Ao celebrar o III Domingo da Quaresma, meditamos no conhecido Evangelho da Samaritana. De certo já escutámos este Evangelho em tantas situações na nossa vida, mas também é certo que temos sempre algo a aprender com este texto encantador.

Na sua Mensagem para a Quaresma de 2011, o Santo Padre Bento XVI dizia que «o pedido de Jesus à Samaritana: 'Dá-Me de beber', exprime a paixão de Deus por todos os homens e quer suscitar no nosso coração o desejo do dom da 'água a jorrar para a vida eterna'. Só esta água pode extinguir a nossa sede do bem, da verdade e da beleza! Só esta água, que nos foi dada pelo Filho, irriga os desertos da alma inquieta e insatisfeita».

Jesus, ao abeirar-Se da Samaritana pede-lhe de beber porque tem sede. O Senhor tem sede de nós mesmos, tem sede do pobre amor dos nossos corações. Essa sede de Deus por cada homem ficou claramente expressa naquele grito que somente o evangelista João conservou no Evangelho: “Tenho sede”
É profundo o diálogo de Jesus com a Samaritana: o Senhor pede de beber e promete dar de beber. Apresenta-se como necessitado que espera receber, mas possui em abundância para saciar os outros.

A transformação que a graça opera na Samaritana é maravilhosa! O pensamento dessa mulher centra-se agora somente em Jesus e, esquecendo-se do motivo que a tinha levado ao poço, deixa o seu cântaro e dirige-se à aldeia para comunicar a sua descoberta.

Deste evangelho podemos retirar algumas atitudes que também nós devemos ter na nossa vida. A primeira é a da sede de Deus, tal como a Samaritana que quando percebeu que o Senhor tinha algo de especial, Lhe pede que lhe dê dessa água.

A Samaritana centra a sua atenção em Jesus e parte para dar a conhecer. Que bom seria se cada um de nós, quando encontra Jesus se centrasse n'Ele e O desse a conhecer a toda a humanidade.


Procuremos durante este Tempo da Quaresma, saciar a nossa sede de Deus e levar aos outros esta Água Viva que só Jesus nos dá.


PROPOSTA DE CÂNTICOS PARA A MISSA:

Entrada: Os meus olhos, Senhor - CAC, pág. 156-157 [partitura]
Salmo: Escutai hoje a voz do Senhor [partitura]
Comunhão: Bebei, se tendes sede - OC, pág. 41-42 [partitura]
Pós-Comunhão: De noite iremos em busca - Taizé - [partitura]
Final: Das fontes da salvação - F. Santos - [partitura]

CAC - Cânticos da Assembleia Cristã
OC - Orar Cantando

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