"Raios de Luz"


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sexta-feira, 18 de abril de 2014

Adoramos, Senhor, a Vossa Cruz!

Ouvir o Hino

O estandarte da Cruz proclama ao mundo
A morte de Jesus e a sua glória,
Porque o autor de todo o universo
Contemplamos suspenso do madeiro.

Com um golpe de lança trespassado,
Ficou aberto o Coração de Cristo,
Manando sangue e água como rio,
Para lavar os crimes deste mundo.

Ó árvore fecunda e refulgente,
Ornada com a túnica real,
Sois tálamo, sois trono e sois altar,
Para o corpo chagado e glorioso.

Ó Cruz bendita, só tu nos abriste
Os braços de Jesus, o Redentor,
Balança do resgate que arrancaste
Nossas almas das mãos do inimigo.

Cruz do Senhor, és única esperança,
No tempo da tristeza e da Paixão.
Aumenta nos cristãos a luz da fé,
Sê para os homens o sinal da paz.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Horários das celebrações do Tríduo Pascal - Mafra 2014



Quinta-Feira Santa:

•  21:15h Missa vespertina da Ceia do Senhor, na Basílica (Unção com o Óleo dos Catecúmenos), seguida de Hora Santa (tempo de adoração ao Santíssimo Sacramento até às 00h);

Sexta-Feira Santa, (dia de jejum e abstinência):

10:30h Ofício de Leitura e Hora de Laudes, na Basílica.
15:00h Celebração da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, na Basílica;
21:00h Procissão do Enterro do Senhor, na Basílica;

Sábado Santo:

10:30h Ofício de Leitura e Hora de Laudes, na Basílica, (com administração dos ritos preparatórios do Baptismo aos catecúmenos);
21:30h Vigília Pascal, na Basílica (com a administração dos sacramentos da iniciação cristã aos catecúmenos da paróquia);

Domingo de Páscoa:

• Missas no Sobreiro (9.30h), Achada (11h) e na Basílica (11.30h)

Com informações da página oficial do Facebook da Paróquia de Mafra



Quinta-feira Santa: um exemplo a seguir

Na Missa Vespertina da Ceia do Senhor, com a qual abrimos o Sagrado Tríduo Pascal, meditamos nas palavras de Jesus: «dei-vos o exemplo».

De facto, Jesus deixou-nos um exemplo de amor para também nós nos fazermos servos uns dos outros. Aqueles que nos olham de fora, Jesus pede a cada um de nós o esforço por lavar os pés dos outros, segundo o exemplo que Ele nos deixou. Quanto isso nos custa! Especialmente quando os pés a serem lavados são ásperos. Suportar a carga não é fácil!

Mas a grandiosidade desta celebração neste dia não se prende só com o exemplo que Jesus nos deixou e nos convidou a seguir. Neste dia, recordamos a Instituição da Santíssima Eucaristia.

Dizia o Papa Bento XVI, na celebração de Quinta-feira Santa de 2012:
«A Quinta-feira Santa não é apenas o dia da instituição da Santíssima Eucaristia, cujo esplendor se estende sem dúvida sobre tudo o mais, tudo atraindo, por assim dizer, para dentro dela. Faz parte da Quinta-feira Santa também a noite escura do Monte das Oliveiras, nela Se embrenhando Jesus com os seus discípulos; faz parte dela a solidão e o abandono vivido por Jesus, que, rezando, vai ao encontro da escuridão da morte; faz parte dela a traição de Judas e a prisão de Jesus, bem como a negação de Pedro; e ainda a acusação diante do Sinédrio e a entrega aos pagãos, a Pilatos. Nesta hora, procuremos compreender mais profundamente alguma coisa destes acontecimentos, porque neles se realiza o mistério da nossa Redenção.»

Neste dia, somos convidados a reflectir em três grandes aspectos que nos devem interpelar na nossa vida: em primeiro lugar, o exemplo de Jesus no "Lava-pés" e de como também nós nos devemos esforçar por fazer o mesmo.

No centro da celebração deste dia está a instituição da Santíssima Eucaristia. Jesus deu-nos o Pão do Céu, deu-nos o Seu Corpo, para que ao alimentarmo-nos d'Ele, sejamos fortalecidos do Seu amor e vivamos com Ele e por Ele.

Por fim, mas não menos importante, o exemplo de oração e entrega ao Pai do Céu. Jesus também rezou e pediu ao Pai que O ajudasse naquele momento de provação. Possamos também nós seguir o Seu exemplo e rezar ao Pai, para que nos ajude a caminhar para a santidade.

PROPOSTA DE CÂNTICOS PARA A MISSA:
(com partituras)

Entrada: Toda a nossa glória está na Cruz - NCT 124
Salmo: O cálice de bênção é comunhão no Sangue de Cristo
Lava-pés: Recebemos do Senhor - NCT 127
Comunhão: O Corpo de Jesus é alimento - CEC I pág. 115,116
Pós-Comunhão: Ó Verdadeiro Corpo do Senhor - NCT 269
Trasladação do Santíssimo Sacramento: Tantum ergo sacramentum

CEC I - Cânticos de Entrada e Comunhão, vol. I
NCT - Novo Cantemos Todos

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Os instrumentos da Paixão – A lança

«Durante todo esse tempo reinava silêncio e tristeza sobre o Gólgota. O povo assustado dispersara-se, indo esconder-se em casa. A Mãe de Jesus e João, Madalena, Maria, filha de Cleofas e Salomé estavam, em pé ou sentados, em frente à cruz, com as cabeças veladas, chorando. Alguns soldados estavam sentados no barranco, com as lanças fincadas no chão.


A Santíssima Virgem foi novamente presa de angústia e receio de que os verdugos ainda maltratassem o Corpo de Jesus; pois encostaram as escadas à cruz e subindo, sacudiram o santo Corpo conferindo se apenas se fingia morto. Como, porém, notassem que o corpo já estava inteiramente frio e rígido e João, a pedido das mulheres piedosas, a eles se dirigisse para impedir a crueldade, deixaram provisoriamente o corpo do Senhor, mas os carrascos ainda pareciam duvidar da morte do Senhor.

Os parentes de Jesus estavam ainda mais assustados, pela brutalidade com que haviam procedido e com medo de que pudessem voltar. Mas Cássio, oficial subalterno, recebeu de repente uma inspiração sobrenatural. Parando assim entre a cruz do bom ladrão e a de Jesus, ao lado direito do corpo de Nosso Salvador, tomou a lança com ambas as mãos e introduziu-a com tal força no lado direito do Santo Corpo, através das entranhas e do coração.

A Santíssima Virgem e os outros, cujos olhos estavam sempre fixos no Salvador, viram a súbita acção do oficial com grande angústia e acompanharam o golpe da lança com um grito de dor, precipitando-se para a cruz».
 Dos Escritos da Beata Anna Katharina Emmerich

terça-feira, 15 de abril de 2014

Os instrumentos da Paixão – A esponja

«Jesus consumia-se de sede e disse com a língua seca: "Tenho sede”. E como os amigos o olhassem com tristeza, disse-lhes: "Não me podíeis dar um gole de água?" Queria dizer que durante a escuridão ninguém os teria impedido. João, muito incomodado, respondeu: "Senhor, esquecemo-Io mesmo".


Jesus disse ainda algumas palavras, cujo sentido era: "Também os amigos mais íntimos deviam esquecer-se e não me dar a beber, para que se cumprisse a Escritura". Mas esse esquecimento Lhe doeu amargamente. Ofereceram então dinheiro aos soldados, para Lhe dar um pouco de água; eles recusaram, mas um deles tomou uma esponja em forma de pera, embebeu-a em vinagre, que havia lá num pequeno barril de casca de árvore e ainda lhe misturou fel.

Mas o centurião Abenadar, compadecido de Jesus, tomou a esponja do soldado, espremeu-a e embebeu-a de vinagre puro. Ajustou depois um lado da esponja num pedaço curto de uma haste de hissope, que servia de boquilha para chupar, fincou-o na ponta da lança e levantou-a à altura do rosto de Jesus, aproximando-Lhe dos lábios a esponja».

 Dos Escritos da Beata Anna Katharina Emmerich

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Os instrumentos da Paixão – A cruz e os pregos

«Jesus, imagem viva da dor, foi estendido pelos carrascos sobre a cruz; Ele próprio se sentou sobre ela e eles brutalmente O deitaram de costas. Colocaram-Lhe a mão direita sobre o orifício do prego, no braço direito da cruz e aí lhe amarraram o braço. Um deles se ajoelhou sobre o santo peito, enquanto outro lhe segurava a mão, que se estava contraindo e um terceiro colocou o cravo grosso e comprido, com a ponta limada, sobre essa mão cheia de bênção e cravou-o nela, com violentas pancadas de um martelo de ferro.


Depois de terem pregado a mão direita de Nosso Senhor, viram os crucificadores que a mão esquerda, que tinham também amarrado ao braço da cruz, não chegava até o orifício do cravo, que tinham perfurado a duas polegadas distante das pontas dos dedos. Por isso ataram uma corda ao braço esquerdo do Salvador e, apoiando os pés sobre a cruz, puxaram a toda força, até que a mão chegou ao orifício do cravo. Jesus dava gemidos tocantes (…).

Todo o corpo de nosso Salvador tinha-se contraído para o alto da cruz, pela violenta extensão dos braços e os joelhos tinham-se-Lhe dobrado. Os carrascos lançaram-se então sobre esses e, por meio de cordas, amarraram-nos ao tronco da cruz; mas pela posição errada dos orifícios dos cravos, os pés ficavam longe da peça de madeira que os devia suportar. Tinham-Lhe amarrado também o peito e os braços, para os pregos não rasgarem as mãos; o ventre encolheu-se-Lhe inteiramente, as costelas pareciam a ponto de destacar-se do esterno. Foi uma tortura horrorosa.

(…) Tomaram o cravo mais comprido que o das mãos, o mais horrível de todos e, passando-o brutalmente pelo furo feito no pé esquerdo, atravessaram-lhe a marteladas o direito, cujos ossos estalavam, até o cravo entrar no orifício do suporte e, através desse, no tronco da cruz. Olhando de lado a cruz, vi como o prego atravessou os dois pés.

Contei 36 golpes de martelo, no meio dos gemidos claros e penetrantes do pobre Salvador; as vozes em redor, que proferiam insultos e maldições, pareciam-me sombrias e sinistras».


Dos Escritos da Beata Anna Katharina Emmerich

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Meditações de Quaresma: 'A Cruz, só por amor!'

«Porque a palavra da cruz é loucura para os que se perdem; 
mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus» 1 Cor 1,18

Verdadeiramente, para lá dos modismos da actualidade, a grande virtude cristã é uma só: o amor! E, compreendamo-nos bem: um amor apaixonado, louco, incorrecto, absoluto, radical, a Cristo Jesus! Desses amores que nos tira do sério, que nos faz perder o juízo: “Por Ele eu perdi tudo!” – dizia aquele louco chamado Paulo de Tarso!

Este amor – e só ele! – é a grande virtude cristã, que regula, julga e dá sentido a tudo o mais na vida do cristão!

Os inimigos da cruz de Cristo são aqueles que não amam o Senhor a ponto de tudo crucificarem por Ele, são aqueles que querem um cristianismo lógico, politicamente correcto.

Como é triste ver cristãos preocupados com a aprovação e o aplauso do pensamento dominante actual! Para que serviria um sal que se diluísse de tal modo que não mais se diferenciasse daquilo a que deveria salgar? Jesus nos preveniu tão claro: Não sois do mundo; a Minha escolha vos separou do mundo; por isso o mundo vos odeia!” (cf. Jo 15,18-20)


Somos, com Cristo e por causa de Cristo, um sinal de contradição – e somente assim o nosso cristianismo será autêntico e valerá a pena! Os cristãos somente servirão de verdade à humanidade servindo fielmente a Cristo que salvou o mundo precisamente pela inconveniente, chocante e escandalosa Cruz!

Bispo nomeado de Palmares - Brasil

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Via Sacra no Sobreiro

Ontem à noite a JMV Sobreiro meditou na Via Sacra juntamente com a comunidade, inserindo esta forma de oração no programa Quaresmal da Catequese: "Atracção às Quartas". Em clima de recolhimento e oração, foram representadas as catorze estações que relembram o caminho que Jesus fez desde que foi condenado à morte até à Sua sepultura.

Este presente connosco o Diácono Pedro Oliveira que proferiu algumas palavras iniciais, convidando todos a sentirem-se como se estivessem a viver de facto os acontecimentos que ali se representaram. Tal como em anos anteriores, o objectivo do grupo foi de que todos os presentes não tivessem apenas umas 'simples compaixão', mas sim que se sentissem participantes do sofrimento de Jesus.

Antes de iniciar a oração propriamente dita, foi lido um excerto dos escritos da Beata Ana Ana Catharina Ammerich: «Depois do doloroso encontro da Santíssima Virgem com o Divino Filho, carregando a cruz, a Virgem Maria caiu sem sentidos, as mulheres com auxílio de João, conduziram-na para dentro de casa, separando-a do Filho bem-amado, carregado do peso da cruz e cruelmente maltratado (...) Saíram então, seguindo o caminho doloroso de Jesus. Passaram pelo ponto onde Jesus tomara ao ombro a cruz, beijaram a terra; depois seguiram todo o caminho da Paixão de Jesus, venerando todos os lugares onde Ele mais sofrera.

Deste modo a primeira e mais tocante devoção da Igreja foi escrita no coração amoroso de Maria, Mãe de Deus; escrita pela espada profetizada por Simeão; os santos lábios da Virgem transmitiram-na aos companheiros do sofrimento e por esses a nós. Esta é a santa tradição vinda de Deus ao coração da Mãe Santíssima e do coração da Mãe aos corações dos filhos; assim continua sempre a tradição na Igreja.»

Meditámos no esquema tradicional da Via Sacra no qual somos convidados a reviver as quedas de Jesus, o  encontro com Sua Mãe e também com as mulheres de Jerusalém que tristemente choram por ver o Messias carregando a cruz às costas, coberto de chagas.

Ao som de bonitos cânticos foram intercaladas as catorze estações da Via-Sacra. Por fim, Jesus é descido da cruz e colocado nos braços da Virgem Maria, Sua Mãe. O corpo frio de Jesus, com o Seu rosto desfigurado repousa nos braços carinhosos desta Mãe Dolorosa, que chora de tristeza e amargura, depois de ter assistido à agonia e à morte de Seu Filho.

Estamos a aproximar-nos a passos largos do fim desta Quaresma. Procuremos viver estes dias com o coração humilhado e contrito e fazer nossas as atitudes de Nossa Senhora que acompanhou sempre o Seu Filho até à cruz.

Mais fotografias no nosso Álbum do Facebook

Os instrumentos da Paixão - A túnica e os dados

«Os carrascos tiraram então o manto do Senhor, que Lhe tinham antes enrolado em redor do peito; tiraram-Lhe o cinturão, com as cordas e o próprio cinto. Despiram-na da longa veste de lã branca, passando-a pela cabeça, pois estava aberta no peito, ligada com correias.




Depois lhe tiraram a longa faixa estreita, que caia do pescoço sobre os ombros e como não Lhe podiam tirar a túnica sem costuras, por causa da coroa de espinhos, arrancaram-Lhe a coroa da cabeça, reabrindo assim todas as feridas; arregaçando depois a túnica, puxaram-lha, com vis gracejos, pela cabeça ferida e sangrenta. Os carrascos juntaram as vestes de Jesus no lugar onde tinham jazido os ladrões e fizeram delas vários lotes, para tirar à sorte. O manto era mais largo em baixo do que em cima e tinha várias pregas; sobre o peito estava dobrado e formava assim bolsos. 

Rasgaram-no em várias tiras, como também a longa veste branca, aberta no peito, onde havia correias para atá-Ia e distribuíram-nas pelos lotes; assim fizeram também várias partes da faixa de pano que vestia em volta do pescoço, do cinto, do escapulário e do pano com que cobria o corpo; todas essas vestes estavam ensopadas do sangue de Nosso Senhor.

Como, porém, não chegaram a um acordo a respeito da túnica sem costuras, que, rasgada em partes, não serviria mais para nada, tomaram uma tabuleta com algarismos e dados em forma de favas, com marcas, que trouxeram consigo e jogando esses dados, tiraram à sorte a túnica. Viu-lhes. porém, um mensageiro de Nicodemos e José de Arimatéia, dizendo-lhe que ao pé do Cal vário havia quem quisesse comprar as vestes de Jesus; juntaram então depressa todas as vestes e, correndo para baixo, venderam-nas; assim ficaram essas relíquias com os cristãos».

Dos Escritos da Beata Anna Katharina Emmerich

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Os instrumentos da Paixão – A Coroa de espinhos e a cana

«Puseram-Lhe a coroa de espinhos na cabeça. Essa tinha dois palmos de altura, era muito espessa e trançada com arte; em cima tinha uma borda um pouco saliente. Puseram-Lha em redor da fronte, como uma ligadura e ataram-na atrás com muita força, de modo que formavam uma coroa ou um chapéu. Era artisticamente trançada de três varas de espinheiro, da grossura de um dedo, que tinham crescido alto, através dos espessos arbustos. Os espinhos, pela maior parte, foram propositadamente virados para dentro.


Pertenciam a três diferentes espécies de espinheiros, que tinham alguma semelhança com a nossa cambroeira, o abrunheiro e espinheiro branco. Em cima tinham acrescentado uma borda, trançada de um espinheiro semelhante à nossa sarça silvestre e pela qual pegavam e puxavam brutalmente a coroa. Puseram-Lhe também na mão um grosso caniço, com um tufo na ponta. Fizeram tudo isso com solenidade derrisória, como se O coroassem de facto rei. Tiravam-Lhe o caniço da mão e batiam com tanta força na coroa, que os olhos de Nosso Senhor se enchiam de sangue.

Curvavam os joelhos diante d'Ele, mostravam-Lhe a língua, batiam e cuspiam-Lhe no rosto, gritando: "Salve, rei dos judeus!" Depois, entre gargalhadas, fizeram-nO cair no chão, junto com o escabelo e tornaram a colocá-Lo sobre ele aos empurrões. Jesus sofreu horrível sede; pois em consequência das feridas, causadas pela desumana flagelação, estava com febre e tremia; a pele e os músculos dos lados estavam dilacerados e deixavam entrever as costelas em vários lugares; a língua contraía-se-Lhe espasmodicamente; somente o sangue sagrado que lhe corria da fronte, se compadecia da boca ardente, que se abria ansiosa.

Mas aqueles homens horríveis tomaram-Lhe a boca divina por alvo de nojentos escarros. Jesus foi assim maltratado por cerca de meia hora e a tropa, cujas fileiras cercavam o pretório, aplaudia com gritos e gargalhadas».
Dos Escritos da Beata Anna Katharina Emmerich

terça-feira, 8 de abril de 2014

Os instrumentos da Paixão – A coluna e o flagelo

«Bateram em Nosso Senhor com os punhos e com cordas, apesar de não lhes opor resistência alguma, arrastaram-nO com brutalidade furiosa, até à coluna da flagelação. Tiraram-Lhe o manto derrisório de Herodes e quase deitaram o nosso Salvador por terra. Jesus trepidava e tremia diante da coluna. Ele mesmo se apressou a despir a roupa, com as mãos inchadas e ensanguentadas pelas cordas, enquanto os carrascos O empurravam e puxavam.

.


Orava de um modo comovente e volveu a cabeça por um momento para a Mãe Santíssima e disse, voltando-se para a coluna, porque O obrigaram a despir-se também do pano que lhe cingia os rins: "Desvia os teus olhos de mim.". Percebi que Maria as entendeu; pois vi-a nesse momento desviar o rosto e cair sem sentidos nos braços das santas mulheres. Então abraçou Jesus a coluna e os algozes ataram-Lhe as mãos levantadas à argola de cima; puxaram-Lhe assim todo o corpo para cima, de modo que os pés, amarrados em baixo à coluna, quase não tocavam no chão. O Santo dos Santos estava cruelmente estendido sobre a coluna dos malfeitores, em ignominiosa nudez e indescritível angústia e dois dos homens furiosos começaram a flagelar-Lhe todo o santo corpo, da cabeça aos pés. (…)



Os violentos golpes rasgaram todos os traumatismos do santo corpo de Jesus; o sangue regou o chão, em redor da coluna e salpicou os braços dos carrascos. Jesus gemia, rezava, torcia-se de dor. Os dois seguintes carrascos bateram em Jesus com flagelos: eram curtas correntes ou correias, fixas num cabo, cujas extremidades estavam munidas de ganchos de ferro, que arrancavam, a cada golpe, pedaços de pele e carne das costas. Mas a crueldade dos carrascos ainda não estava satisfeita; desprenderam Jesus e amarraram-nO de novo, mas com as costas viradas para a coluna. Como, porém, não podia manter-se em pé, passaram-Lhe cordas finas sobre o peito e sob os braços e debaixo dos joelhos, amarrando-O assim todo à coluna. Todo o corpo sagrado se Lhe contraia dolorosamente, as chagas e o sangue cobriam-Lhe a nudez».


Dos Escritos da Beata Anna Katharina Emmerich

Celebração Penitencial na Basílica de Mafra

Realizou-se ontem a Celebração Penitencial dos Jovens da Vigararia de Mafra, bem como de todos os paroquianos da Paróquia de Santo André de Mafra, na Basílica.

Como todos sabemos, é Mandamento da Santa Igreja «confessar-se pelo menos para a Páscoa da Ressurreição». Todos os anos, a equipa vicarial de jovens da nossa vigararia organiza uma Celebração Penitencial direccionada para os Jovens. Este ano, coube à JMV Sobreiro organizar este momento que coincidiu com as confissões paroquiais.

A celebração teve início com a Santa Missa celebrada pelo Padre Luís Barros. Após a Missa, cada um foi convidado a fazer o seu exame de consciência e a reconhecer os seus pecados. Dizia o Padre João Vergamonta - padre assistente dos jovens - "Não tenhamos medo de nos confessar e dizer os nossos pecados. O medo e a vergonha já são uma forma da nossa consciência nos acusar das nossas falhas".

Ao longo da noite, muitos jovens e muitos paroquianos aproveitaram a presença dos Padres da Vigararia para se abeirarem do Sacramento da Penitência. Como o Pai Misericordioso, cada sacerdote, pelo poder dado por Nosso Senhor Jesus Cristo, escuta atentamente os pecados dos seus filhos e perdoa com amor, as ofensas reconhecidas.

A JMV Sobreiro foi cantando cânticos penitenciais de forma a ir ajudando os fiéis a meditar nos seus pecados e em como estes nos afastam de Deus. Diante da cruz, cada um foi convidado a rezar:

«Eis-me aqui, ó bom e dulcíssimo Jesus; prostrado de joelhos diante da Vossa Presença,  peço-Vos e suplico, com o mais ardente fervor, que imprimais no meu coração vivos sentimentos de fé, esperança e caridade, e um verdadeiro arrependimento dos meus pecados, com vontade firmíssima de os emendar; enquanto eu, com grande afecto e dor de alma, medito nas vossas Cinco Chagas abertas pelos meus pecados, tendo diante dos olhos o que já o Profeta David dizia por Vós, ó bom Jesus: 'Trespassaram as minhas mãos e os meus pés, posso contar todos os meus ossos'».


Peçamos ao Senhor que estes dias que nos separam da celebração dos Mistérios Pascais nos ajudem a purificar as nossas faltas para podermos celebrar dignamente a Ressureição de Jesus e com Ele, nos prepararmos para a Vida eterna.


«Perdoai, Senhor, perdoai ao Vosso povo!»




domingo, 6 de abril de 2014

Papa oferece milhares de “Evangelhos de bolso”


O Papa Francisco ofereceu milhares de exemplares de um “Evangelho de bolso” aos fiéis que participaram na oração do Angelus, na Praça de São Pedro.

Em comunicado publicado no site do Vaticano, a Santa Sé explica que com este presente, o Papa visa encorajar os fiéis a terem sempre com eles uma cópia dos Evangelhos que possam consultar durante as celebrações, sobretudo para poderem meditar nas leituras do dia que o Papa sublinha nas suas catequeses.

A edição especial é feita pela Santa Sé e não está à venda. Contém os quatro Evangelhos e os Actos dos Apóstolos, abre com uma citação da mais recente exortação apostólica “A Alegria do Evangelho” e contém ainda uma oração de autoria do cardeal Newman. O comunicado da Santa Sé não esclarece se haverá edições em diferentes línguas ou se o “Evangelho de Bolso” será apenas em italiano.

Em Novembro de 2013, numa iniciativa parecida, a Santa Sé distribuiu a todos os presentes uma caixa de remédios chamada “Misericordina”, que continha um terço e uma pagela.


A distribuição dos Evangelhos será feita com o auxílio de voluntários, incluindo cerca de 150 escuteiros, seminaristas e freiras.
Fonte da imagem: Blogue Senza Pagare

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Domingo V da Quaresma

Aproximamo-nos a passos largos das Celebrações Pascais. Neste último Domingo antes do início da Semana Santa, a Liturgia apresenta-nos Jesus como a nossa Ressurreição e nossa Vida.

No Evangelho do V Domingo da Quaresma, o Senhor fala-nos da Vida e da Ressurreição e ensina-nos como devemos viver. A Palavra de Deus neste Domingo apresenta-nos a morte e posterior ressurreição de Lázaro, amigo de Jesus.

O amigo de Jesus estava doente e as suas irmãs estavam angustiadas, tendo implorado pela vinda do Senhor para curar o irmão, no entanto Jesus "não foi a tempo". Detenhamo-nos nas palavras do Evangelho: «Jesus era muito amigo de Marta, de sua irmã Maria e de Lázaro. Quando ouviu que estava doente, Jesus ficou ainda dois dias no lugar em que se encontrava».

Os caminhos de Deus não são os nossos caminhos, os nossos tempos e modos não são os d'Ele. Deus ama-nos, é fiel e preocupa-se connosco: o Senhor conhece as nossas dores e os nossos sofrimentos, mas jamais compreenderemos o Seu modo de agir no mundo e na nossa vida! Uma coisa é certa: se crermos, veremos sempre a glória de Deus, em tudo no mundo e em tudo na nossa vida Deus será glorificado!

Então, Jesus consola Marta e Maria, prometendo a Ressurreição. «Eu sou a Ressurreição! Eu sou a Vida!» A Ressurreição é Jesus em pessoa: «Eu sou a Ressurreição e a Vida! Quem crê em mim, mesmo que esteja morto, viverá!».  É Ele quem nos vem buscar, é na força d'Ele que seremos erguidos da morte, é n'Ele que nossa vida é salva do Vazio.

Estamos prestes a celebrar a Páscoa! Não esqueçamos que é para que tenhamos a vida que Nosso Senhor Jesus Cristo Se entregou por nós: morto na carne foi vivificado no Espírito Santo pela Sua ressurreição.


É esta a nossa esperança: a Ressurreição! Por ela vivemos, dela temos certeza! E já possuímos, como primícias, como garantia o Espírito Santo. Então, vivamos uma vida nova, uma vida de ressuscitados em Cristo Jesus. Renovemo-nos! Convertamo-nos! Que as observâncias da Quaresma, o combate aos vícios, a abstinência dos alimentos e a confissão dos pecados nos preparem para celebrar de coração renovado a Páscoa do Senhor!



PROPOSTA DE CÂNTICOS PARA A MISSA:
(com partituras)

Entrada: Deus, vinde em meu auxílio - NCT 87
Comunhão: Eu vim para que tenham vida - CEC II, pág. 131-132
Pós-Comunhão: Eu sou a ressurreição e a vida - IC pág. 918

CEC II - Cânticos de Entrada e Comunhão, vol. II
IC - Igreja Canta
LHC II - Liturgia das Horas cantada, vol. II
NCT - Novo Cantemos Todos

sábado, 29 de março de 2014

Sete Dores de Nossa Senhora: Jesus a caminho do Calvário

Andor do Encontro com Jesus a caminho do Calvário - Mafra
Meditemos na quarta dor de Maria Santíssima - o Encontro com Jesus a caminho do Calvário. São Boaventura refere que a Bem Aventurada Virgem Maria passou a noite que precedeu a Paixão de Seu Filho, sem descansar e em dolorosa vigília.

Chegada a manhã, os discípulos vieram junto da Santíssima Virgem contar-lhe os maus tratos que Jesus havia recebido em casa de Caifás e dos desprezos e flagelações diante de Herodes. Veio finalmente São João que Lhe disse: «Ah, Mãe Dolorosa, o Teu filho já foi condenado à morte e saiu, levando ele mesmo a Sua cruz para o Calvário».

Ao ouvir isto, Nossa Senhora parte com João e encontra-Se com Jesus. Quanta dor terá sentido ao trocar o olhar com o Seu Filho que era levado como cordeiro para o matadouro! Uma fria e dura espada trespassou novamente o Coração Imaculado da Virgem Maria.

De certo que a Divina Mãe queria abraçar Jesus, mas os judeus e os soldados proferiam injúrias contra Nossa Senhora e empurram o Senhor para que este não pudesse ser abraçado pela Sua bendita Mãe. São Guilherme refere que o Filho caminha, pelas ruas de Jerusalém com a cruz às costas e Nossa Senhora segue atrás d'Ele para ser crucificada com Ele.

Quanta dor, quanta aflição! Sabemos da nossa vida que é para uma mãe é sempre uma grande dor a morte de um filho. Quanto não terá sido para Nossa Senhora? Foi por nossa causa que Jesus foi crucificado e foi também pelos nossos pecados que esta tão grande dor atravessou o coração da Virgem Maria.


Rezemos pois, tal como Santo Afonso: «Minha Mãe Dolorosa, pelo merecimento da dor que sentistes ao ver o Vosso amado Filho levado à morte, impenetrai em mim a graça de levar também com paciência as cruzes que Deus me envia. Feliz de mim se souber acompanhar-Vos com a minha cruz até à morte».

quinta-feira, 27 de março de 2014

Meditações de Quaresma: Os obstáculos à vida sobrenatural

1º - Os obstáculos que ameaçam a existência ou crescimento da nossa vida sobrenatural podem resumir-se aos seguintes:

- O pecado mortal, que é o obstáculo radical, porque destrói por completo a vida divina da alma;

- O pecado venial, principalmente deliberado, a tristeza, o hábito do pecado venial deliberado, e as imperfeições: todos estes, sem destruir nem diminuir a graça da vida sobrenatural, empenha a sua beleza, debilita a sua actividade e freia o seu crescimento;

- As inclinações viciosas, os defeitos naturais, e principalmente o defeito dominante: são a fonte ordinária dos nossos pecados e imperfeições.

2º - O pecado tem uma tripla causa:

- A carne, que é a nossa natureza desordenada, na qual o pecado original deixou uma tripla concupiscência que nos arrasta ao pecado: a concupiscência dos olhos, o afã desordenado de bens e riquezas temporais; a concupiscência da carne, o afã desenfreado dos prazeres dos sentidos; e a concupiscência do espírito, o afã desmedido das honras e vontade própria;

- O demónio, que é o conjunto de anjos caídos que nos puxam ao pecado instigando a nossa tripa concupiscência por meio das tentações;

- O mundo, que é o conjunto de homens que se regem pela triple concupiscência, e de que o demónio se serve como de instrumento para conduzir as almas à eterna condenação, pelas suas falsas máximas, modas, escândalos, espectáculos, perseguições, etc.


3º Assim como para crescer na vida sobrenatural há que desenvolver o gérmen da vida que Deus estabeleceu nas nossas almas pela graça, assim também para protegê-la e defendê-la há que combater esse triplo gérmen de morte (mundo, demónio, e carne) por meio de uma luta enérgica, vigilante e contínua.

A mortificação cristã é uma condição indispensável e necessária para conservar a vida sobrenatural no nosso presente estado de prova.

Fonte: Blogue Senza Pagare

Domingo IV da Quaresma

A Liturgia deste Domingo enfatiza que Cristo é o Pastor das nossas almas e que nos abre os olhos para ver a luz de Deus.

O episódio da cura do cego, no Evangelho de São João, é certamente uma das páginas mais esplêndidas do Evangelho. Jesus realiza o milagre desta cura para provar a Sua divindade e da consequente necessidade, para nós, de aceitarmos a Sua pessoa e a Sua mensagem.

Ele é verdadeiramente Deus. Como tal, pode rapidamente dar vista a um homem cego  e muito mais iluminar a alma, fazer-nos abrir os olhos interiores para conhecer as verdades que se relacionam com a natureza de Deus e o destino dos homens.

A história do Evangelho faz-nos perceber quão preciosa é o sentido da visão, mas também quanto mais bonita é a luz da fé.

Mas sabemos que a profissão da Fé exige firmeza e força. Diante da luz de Cristo, há sempre uma atitude de hostilidade aberta ou rejeição e indiferença, ou mesmo uma crítica injusta e tendenciosa.
O primeiro mandamento ordena-nos que alimentemos e guardemos com prudência e vigilância a nossa fé, rejeitando tudo quanto a ela se opõe.

O Catecismo da Igreja Católica explica que pode pecar-se contra a fé de vários modos, desde a dúvida involuntária (cuja culpa pode ser atenuada) até aos pecados gravíssimos de heresia e cisma. O catecismo ensina ainda que a dúvida de Fé voluntariamente cultivada leva à cegueira espiritual:

«A dúvida voluntária em relação à fé negligencia ou recusa ter por verdadeiro o que Deus revelou e a Igreja nos propõe para crer. A dúvida involuntária é a hesitação em crer, a dificuldade em superar as objecções relacionadas com a fé, ou ainda a angústia suscitada pela sua obscuridade. Quando deliberadamente cultivada, a dúvida pode levar à cegueira do espírito» (CIC, 2088)

É desta cegueira espiritual que Jesus nos quer libertar. Mas para isso, precisamos de reconhecer que muitas vezes vivemos na escuridão, reconhecer que recusamos ver a Luz que Jesus nos traz. Depois, aproximando-nos d'Ele, dizer humildemente: ‘Eu creio, Senhor’! E, com confiança, pedir ao Senhor que nos ilumine e nos abra os olhos da Fé.
Fonte (adaptado)

PROPOSTA DE CÂNTICOS PARA A MISSA:
(com parituras)

Entrada: Alegra-te, Jerusalém - A.M. Seiça
Comunhão: Em Vós, Senhor - IC, pág. 436
Pós-Comunhão: Senhor Jesus, Tu és Luz do mundo - Taizé
Final: Senhor, eu creio que sois Cristo - CEC II, pág. 42-43

CEC II - Cânticos de Entrada e Comunhão, vol. II
IC - Igreja Canta

quarta-feira, 26 de março de 2014

Meditações de Quaresma: 'Regressarei à casa de meu Pai'


Regressarei à casa de meu Pai como o filho pródigo, e serei acolhido.
Tal como ele o fez, também eu o farei: Ele atender-me-á?
Eis-me a bater, Pai misericordioso, à Tua porta;
abre, para que eu entre, não me perca, não me afaste nem pereça!

Fizeste-me Teu herdeiro,
mas eu abandonei a herança e dissipei os meus bens;
que doravante eu seja como um diarista e um servo.
Assim como pelo publicano a tiveste, tem piedade de mim,
e eu viverei pela Tua graça!
Assim como à pecadora, a quem remiste,
redime também os pecados que cometi, ó Filho de Deus!
Assim como a Pedro, que salvaste,
salva-me do meio das ondas.
Assim como pelo ladrão a tiveste,
tem piedade da minha baixeza e lembra-Te de mim!
Assim como fizeste com a ovelha perdida,
procura-me, Senhor, e encontrar-me-ás;
e em Teus ombros, Senhor, leva-me à casa de Teu Pai.

Abre-me os olhos, como os abriste ao cego,
para que eu veja a Tua luz!
E tal como o fizeste ao surdo, abre-me os ouvidos,
para que eu ouça a Tua voz.
Cura esta minha enfermidade, como a curaste ao paralítico,
para que eu louve o Teu nome.
Purifica-me as chagas com o Teu hissope (cf. Sl 51/50,9),
como ao leproso purificaste.

Faz-me viver, Senhor, como fizeste à menina, a filha de Jairo.
Cura-me, como à sogra de Pedro curaste, porque estou doente.
Faz que me levante, como o fizeste ao rapaz, filho da viúva.
Como a Lázaro, que chamaste,
chama-me com a Tua própria voz e desprende-me destas faixas.
Porque eu estou morto pelo pecado, como de uma doença;
reergue-me desta ruína, e louvarei o Teu Nome!

Peço-te, Senhor da Terra e do Céu,
vem em meu auxílio e indica-me o Teu caminho,
para que eu vá até Ti.
Leva-me a Ti, Filho do Bom Deus, e eleva ao máximo a Tua misericórdia.
Irei até Ti e, junto a Ti, saciar-me-ei na alegria!

Tiago de Saroug (449-521), monge e bispo sírio

sábado, 22 de março de 2014

Sete Dores de Nossa Senhora: perda de Jesus no templo

Andor da Perda de Jesus no Templo - Basílica de Mafra
A terceira das Sete dores de Nossa Senhora que meditamos é a Perda de Jesus no Templo. Esta foi de certo uma das mais fortes, pois a Virgem Maria sofria longe de Jesus, e a Sua humildade fazia-lhe crer que o Seu Filho se tinha apartado de Si por negligência Sua.

Quem nasce cego sofre menos com o facto de se ver privado de contemplar a luz do que aqueles que durante a sua vida puderam ver, e de repente, ficam cegos. Igualmente isso acontece com as almas infelizes e cegas, que pelo lodo deste mundo, pouco tenham conhecido Deus, pouca pena sentem de não O encontrarem.

Pelo contrário, quem vive iluminado pela luz celeste sente muito mais tristeza por se ver privado dela. Imaginemos agora Nossa Senhora, que estava acostumada a gozar da presença de Jesus e de como esta terceira espada a deve ter ferido quando, tendo-O perdido em Jerusalém, esteve três dias sem O encontrar.

Esta dor de Nossa Senhora deve servir de conforto a todas as almas que estão desoladas e não gozam da doce presença do Senhor. Se Jesus se ausenta dos olhos das almas que o amam, não se ausenta dos seus corações.

Aprendamos desta dor de Maria Santíssima a buscar Jesus. Não o procuremos nas delícias e prazeres deste mundo, mas entre as cruzes e mortificações, tal como fez Nossa Senhora. 

Tal como Santo Afonso digamos:
«Maria, minha Mãe amabilíssima, se por minha desgraça e pelos meus pecados eu também perdi Jesus, rogo-Vos que pelos méritos das Vossas dores, eu O encontre para nunca mais o perder em toda a eternidade.»


quinta-feira, 20 de março de 2014

Domingo III da Quaresma

Ao celebrar o III Domingo da Quaresma, meditamos no conhecido Evangelho da Samaritana. De certo já escutámos este Evangelho em tantas situações na nossa vida, mas também é certo que temos sempre algo a aprender com este texto encantador.

Na sua Mensagem para a Quaresma de 2011, o Santo Padre Bento XVI dizia que «o pedido de Jesus à Samaritana: 'Dá-Me de beber', exprime a paixão de Deus por todos os homens e quer suscitar no nosso coração o desejo do dom da 'água a jorrar para a vida eterna'. Só esta água pode extinguir a nossa sede do bem, da verdade e da beleza! Só esta água, que nos foi dada pelo Filho, irriga os desertos da alma inquieta e insatisfeita».

Jesus, ao abeirar-Se da Samaritana pede-lhe de beber porque tem sede. O Senhor tem sede de nós mesmos, tem sede do pobre amor dos nossos corações. Essa sede de Deus por cada homem ficou claramente expressa naquele grito que somente o evangelista João conservou no Evangelho: “Tenho sede”
É profundo o diálogo de Jesus com a Samaritana: o Senhor pede de beber e promete dar de beber. Apresenta-se como necessitado que espera receber, mas possui em abundância para saciar os outros.

A transformação que a graça opera na Samaritana é maravilhosa! O pensamento dessa mulher centra-se agora somente em Jesus e, esquecendo-se do motivo que a tinha levado ao poço, deixa o seu cântaro e dirige-se à aldeia para comunicar a sua descoberta.

Deste evangelho podemos retirar algumas atitudes que também nós devemos ter na nossa vida. A primeira é a da sede de Deus, tal como a Samaritana que quando percebeu que o Senhor tinha algo de especial, Lhe pede que lhe dê dessa água.

A Samaritana centra a sua atenção em Jesus e parte para dar a conhecer. Que bom seria se cada um de nós, quando encontra Jesus se centrasse n'Ele e O desse a conhecer a toda a humanidade.


Procuremos durante este Tempo da Quaresma, saciar a nossa sede de Deus e levar aos outros esta Água Viva que só Jesus nos dá.


PROPOSTA DE CÂNTICOS PARA A MISSA:

Entrada: Os meus olhos, Senhor - CAC, pág. 156-157 [partitura]
Salmo: Escutai hoje a voz do Senhor [partitura]
Comunhão: Bebei, se tendes sede - OC, pág. 41-42 [partitura]
Pós-Comunhão: De noite iremos em busca - Taizé - [partitura]
Final: Das fontes da salvação - F. Santos - [partitura]

CAC - Cânticos da Assembleia Cristã
OC - Orar Cantando

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