"Raios de Luz"


sábado, 29 de março de 2014

Sete Dores de Nossa Senhora: Jesus a caminho do Calvário

Andor do Encontro com Jesus a caminho do Calvário - Mafra
Meditemos na quarta dor de Maria Santíssima - o Encontro com Jesus a caminho do Calvário. São Boaventura refere que a Bem Aventurada Virgem Maria passou a noite que precedeu a Paixão de Seu Filho, sem descansar e em dolorosa vigília.

Chegada a manhã, os discípulos vieram junto da Santíssima Virgem contar-lhe os maus tratos que Jesus havia recebido em casa de Caifás e dos desprezos e flagelações diante de Herodes. Veio finalmente São João que Lhe disse: «Ah, Mãe Dolorosa, o Teu filho já foi condenado à morte e saiu, levando ele mesmo a Sua cruz para o Calvário».

Ao ouvir isto, Nossa Senhora parte com João e encontra-Se com Jesus. Quanta dor terá sentido ao trocar o olhar com o Seu Filho que era levado como cordeiro para o matadouro! Uma fria e dura espada trespassou novamente o Coração Imaculado da Virgem Maria.

De certo que a Divina Mãe queria abraçar Jesus, mas os judeus e os soldados proferiam injúrias contra Nossa Senhora e empurram o Senhor para que este não pudesse ser abraçado pela Sua bendita Mãe. São Guilherme refere que o Filho caminha, pelas ruas de Jerusalém com a cruz às costas e Nossa Senhora segue atrás d'Ele para ser crucificada com Ele.

Quanta dor, quanta aflição! Sabemos da nossa vida que é para uma mãe é sempre uma grande dor a morte de um filho. Quanto não terá sido para Nossa Senhora? Foi por nossa causa que Jesus foi crucificado e foi também pelos nossos pecados que esta tão grande dor atravessou o coração da Virgem Maria.


Rezemos pois, tal como Santo Afonso: «Minha Mãe Dolorosa, pelo merecimento da dor que sentistes ao ver o Vosso amado Filho levado à morte, impenetrai em mim a graça de levar também com paciência as cruzes que Deus me envia. Feliz de mim se souber acompanhar-Vos com a minha cruz até à morte».

quinta-feira, 27 de março de 2014

Meditações de Quaresma: Os obstáculos à vida sobrenatural

1º - Os obstáculos que ameaçam a existência ou crescimento da nossa vida sobrenatural podem resumir-se aos seguintes:

- O pecado mortal, que é o obstáculo radical, porque destrói por completo a vida divina da alma;

- O pecado venial, principalmente deliberado, a tristeza, o hábito do pecado venial deliberado, e as imperfeições: todos estes, sem destruir nem diminuir a graça da vida sobrenatural, empenha a sua beleza, debilita a sua actividade e freia o seu crescimento;

- As inclinações viciosas, os defeitos naturais, e principalmente o defeito dominante: são a fonte ordinária dos nossos pecados e imperfeições.

2º - O pecado tem uma tripla causa:

- A carne, que é a nossa natureza desordenada, na qual o pecado original deixou uma tripla concupiscência que nos arrasta ao pecado: a concupiscência dos olhos, o afã desordenado de bens e riquezas temporais; a concupiscência da carne, o afã desenfreado dos prazeres dos sentidos; e a concupiscência do espírito, o afã desmedido das honras e vontade própria;

- O demónio, que é o conjunto de anjos caídos que nos puxam ao pecado instigando a nossa tripa concupiscência por meio das tentações;

- O mundo, que é o conjunto de homens que se regem pela triple concupiscência, e de que o demónio se serve como de instrumento para conduzir as almas à eterna condenação, pelas suas falsas máximas, modas, escândalos, espectáculos, perseguições, etc.


3º Assim como para crescer na vida sobrenatural há que desenvolver o gérmen da vida que Deus estabeleceu nas nossas almas pela graça, assim também para protegê-la e defendê-la há que combater esse triplo gérmen de morte (mundo, demónio, e carne) por meio de uma luta enérgica, vigilante e contínua.

A mortificação cristã é uma condição indispensável e necessária para conservar a vida sobrenatural no nosso presente estado de prova.

Fonte: Blogue Senza Pagare

Domingo IV da Quaresma

A Liturgia deste Domingo enfatiza que Cristo é o Pastor das nossas almas e que nos abre os olhos para ver a luz de Deus.

O episódio da cura do cego, no Evangelho de São João, é certamente uma das páginas mais esplêndidas do Evangelho. Jesus realiza o milagre desta cura para provar a Sua divindade e da consequente necessidade, para nós, de aceitarmos a Sua pessoa e a Sua mensagem.

Ele é verdadeiramente Deus. Como tal, pode rapidamente dar vista a um homem cego  e muito mais iluminar a alma, fazer-nos abrir os olhos interiores para conhecer as verdades que se relacionam com a natureza de Deus e o destino dos homens.

A história do Evangelho faz-nos perceber quão preciosa é o sentido da visão, mas também quanto mais bonita é a luz da fé.

Mas sabemos que a profissão da Fé exige firmeza e força. Diante da luz de Cristo, há sempre uma atitude de hostilidade aberta ou rejeição e indiferença, ou mesmo uma crítica injusta e tendenciosa.
O primeiro mandamento ordena-nos que alimentemos e guardemos com prudência e vigilância a nossa fé, rejeitando tudo quanto a ela se opõe.

O Catecismo da Igreja Católica explica que pode pecar-se contra a fé de vários modos, desde a dúvida involuntária (cuja culpa pode ser atenuada) até aos pecados gravíssimos de heresia e cisma. O catecismo ensina ainda que a dúvida de Fé voluntariamente cultivada leva à cegueira espiritual:

«A dúvida voluntária em relação à fé negligencia ou recusa ter por verdadeiro o que Deus revelou e a Igreja nos propõe para crer. A dúvida involuntária é a hesitação em crer, a dificuldade em superar as objecções relacionadas com a fé, ou ainda a angústia suscitada pela sua obscuridade. Quando deliberadamente cultivada, a dúvida pode levar à cegueira do espírito» (CIC, 2088)

É desta cegueira espiritual que Jesus nos quer libertar. Mas para isso, precisamos de reconhecer que muitas vezes vivemos na escuridão, reconhecer que recusamos ver a Luz que Jesus nos traz. Depois, aproximando-nos d'Ele, dizer humildemente: ‘Eu creio, Senhor’! E, com confiança, pedir ao Senhor que nos ilumine e nos abra os olhos da Fé.
Fonte (adaptado)

PROPOSTA DE CÂNTICOS PARA A MISSA:
(com parituras)

Entrada: Alegra-te, Jerusalém - A.M. Seiça
Comunhão: Em Vós, Senhor - IC, pág. 436
Pós-Comunhão: Senhor Jesus, Tu és Luz do mundo - Taizé
Final: Senhor, eu creio que sois Cristo - CEC II, pág. 42-43

CEC II - Cânticos de Entrada e Comunhão, vol. II
IC - Igreja Canta

quarta-feira, 26 de março de 2014

Papa pede orações pela santificação do Clero

O Papa Francisco pediu hoje no Vaticano as orações de todos os católicos pela santificação de bispos e padres, para que estes reforcem a sua vida espiritual e evitem a mediocridade.

«O bispo que não reza, que não ouve e escuta a Palavra de Deus, que não celebra todos os dias, que não se vai confessar regularmente – o mesmo para o sacerdote que não faz isto – acaba por perder a união com Jesus e caem numa mediocridade que não faz bem à Igreja», declarou o Santo Padre.

Perante dezenas de milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, para a audiência pública semanal, o Papa pediu em particular as orações dos fiéis pelos sacerdotes «que atravessam dificuldades ou que têm necessidade de redescobrir a frescura da sua vocação».

«Um bispo que não esteja ao serviço da comunidade, não faz bem; um sacerdote, um padre que não esteja ao serviço da sua comunidade não faz bem, está errado» - advertiu Francisco.

Francisco pediu que os padres tenham um «amor apaixonado pela Igreja» e evitem a tentação de considerar a comunidade como «propriedade sua, mas do Senhor»:

“Quando não se alimenta o ministério ordenado com a oração, a escuta da Palavra, a celebração quotidiana da Eucaristia e a recepção frequente do Sacramento da Penitência, acaba por se perder o sentido autêntico do próprio serviço e a alegria que deriva de uma profunda comunhão com o Senhor».

A audiência concluiu-se já debaixo de chuva, com o Papa a elogiar a coragem dos que se mantiveram na Praça de São Pedro até ao fim:


«Obrigado pela vossa presença e sobretudo pelas vossas orações!»

Meditações de Quaresma: 'Regressarei à casa de meu Pai'


Regressarei à casa de meu Pai como o filho pródigo, e serei acolhido.
Tal como ele o fez, também eu o farei: Ele atender-me-á?
Eis-me a bater, Pai misericordioso, à Tua porta;
abre, para que eu entre, não me perca, não me afaste nem pereça!

Fizeste-me Teu herdeiro,
mas eu abandonei a herança e dissipei os meus bens;
que doravante eu seja como um diarista e um servo.
Assim como pelo publicano a tiveste, tem piedade de mim,
e eu viverei pela Tua graça!
Assim como à pecadora, a quem remiste,
redime também os pecados que cometi, ó Filho de Deus!
Assim como a Pedro, que salvaste,
salva-me do meio das ondas.
Assim como pelo ladrão a tiveste,
tem piedade da minha baixeza e lembra-Te de mim!
Assim como fizeste com a ovelha perdida,
procura-me, Senhor, e encontrar-me-ás;
e em Teus ombros, Senhor, leva-me à casa de Teu Pai.

Abre-me os olhos, como os abriste ao cego,
para que eu veja a Tua luz!
E tal como o fizeste ao surdo, abre-me os ouvidos,
para que eu ouça a Tua voz.
Cura esta minha enfermidade, como a curaste ao paralítico,
para que eu louve o Teu nome.
Purifica-me as chagas com o Teu hissope (cf. Sl 51/50,9),
como ao leproso purificaste.

Faz-me viver, Senhor, como fizeste à menina, a filha de Jairo.
Cura-me, como à sogra de Pedro curaste, porque estou doente.
Faz que me levante, como o fizeste ao rapaz, filho da viúva.
Como a Lázaro, que chamaste,
chama-me com a Tua própria voz e desprende-me destas faixas.
Porque eu estou morto pelo pecado, como de uma doença;
reergue-me desta ruína, e louvarei o Teu Nome!

Peço-te, Senhor da Terra e do Céu,
vem em meu auxílio e indica-me o Teu caminho,
para que eu vá até Ti.
Leva-me a Ti, Filho do Bom Deus, e eleva ao máximo a Tua misericórdia.
Irei até Ti e, junto a Ti, saciar-me-ei na alegria!

Tiago de Saroug (449-521), monge e bispo sírio

terça-feira, 25 de março de 2014

O Anjo do Senhor anunciou a Maria

AVÉ, Ó CHEIA DE GRAÇA!

Estamos a exactamente 9 meses do Natal e a Igreja hoje lembra, numa Solenidade, a Anunciação do Anjo a Nossa Senhora e a Encarnação de Jesus Cristo no seio virginal de Maria.

E porque Deus escolheu a solução da Encarnação? Deus preferiu a Encarnação por que foi a maneira mais perfeita de nos salvar, conciliando a Justiça com a Caridade Divina.

Em Cristo, as naturezas humana e divina estão unidas. As duas naturezas estão unidas, mas sem confusão. A duas naturezas permanecem distintas uma da outra, mas sem separação. Em Cristo, as duas naturezas, divina e humana, estão unidas na mesma Pessoa Divina, na Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. É um Mistério.

A Encarnação dá-se em Maria. Maria é ‘Mãe de Deus’ porque o seu Filho é Deus; embora seja Mãe só na ordem da geração humana, dado que o Menino, que ela concebeu e deu à luz, é Deus, deve ser chamada ‘Mãe de Deus’. A afirmação da Maternidade Divina ilumina-nos sobre o sentido da Encarnação:

Demonstra que o Verbo, Pessoa divina, tornou-Se humano: fez-se homem graças à participação de uma Mulher, na obra do Espírito Santo. Uma Mulher foi associada de forma singular ao mistério da vinda do Salvador ao mundo.

«Com a sua maternidade, Maria permite ao Filho de Deus ter — depois da concepção extraordinária pela ação do Espírito Santo — um desenvolvimento e uma inserção normal na sociedade humana». (Papa João Paulo II, Audiência Geralde 4 de Janeiro de 1984).


Rezemos, em especial neste dia, por todas as Mães e pela Causa da Vida! Que Nossa Senhora, Mãe de Deus humanado, possa interceder no Céu para que a Vida Humana seja sempre inviolável, desde a concepção até à morte natural.

sábado, 22 de março de 2014

Sete Dores de Nossa Senhora: perda de Jesus no templo

Andor da Perda de Jesus no Templo - Basílica de Mafra
A terceira das Sete dores de Nossa Senhora que meditamos é a Perda de Jesus no Templo. Esta foi de certo uma das mais fortes, pois a Virgem Maria sofria longe de Jesus, e a Sua humildade fazia-lhe crer que o Seu Filho se tinha apartado de Si por negligência Sua.

Quem nasce cego sofre menos com o facto de se ver privado de contemplar a luz do que aqueles que durante a sua vida puderam ver, e de repente, ficam cegos. Igualmente isso acontece com as almas infelizes e cegas, que pelo lodo deste mundo, pouco tenham conhecido Deus, pouca pena sentem de não O encontrarem.

Pelo contrário, quem vive iluminado pela luz celeste sente muito mais tristeza por se ver privado dela. Imaginemos agora Nossa Senhora, que estava acostumada a gozar da presença de Jesus e de como esta terceira espada a deve ter ferido quando, tendo-O perdido em Jerusalém, esteve três dias sem O encontrar.

Esta dor de Nossa Senhora deve servir de conforto a todas as almas que estão desoladas e não gozam da doce presença do Senhor. Se Jesus se ausenta dos olhos das almas que o amam, não se ausenta dos seus corações.

Aprendamos desta dor de Maria Santíssima a buscar Jesus. Não o procuremos nas delícias e prazeres deste mundo, mas entre as cruzes e mortificações, tal como fez Nossa Senhora. 

Tal como Santo Afonso digamos:
«Maria, minha Mãe amabilíssima, se por minha desgraça e pelos meus pecados eu também perdi Jesus, rogo-Vos que pelos méritos das Vossas dores, eu O encontre para nunca mais o perder em toda a eternidade.»


quinta-feira, 20 de março de 2014

Domingo III da Quaresma

Ao celebrar o III Domingo da Quaresma, meditamos no conhecido Evangelho da Samaritana. De certo já escutámos este Evangelho em tantas situações na nossa vida, mas também é certo que temos sempre algo a aprender com este texto encantador.

Na sua Mensagem para a Quaresma de 2011, o Santo Padre Bento XVI dizia que «o pedido de Jesus à Samaritana: 'Dá-Me de beber', exprime a paixão de Deus por todos os homens e quer suscitar no nosso coração o desejo do dom da 'água a jorrar para a vida eterna'. Só esta água pode extinguir a nossa sede do bem, da verdade e da beleza! Só esta água, que nos foi dada pelo Filho, irriga os desertos da alma inquieta e insatisfeita».

Jesus, ao abeirar-Se da Samaritana pede-lhe de beber porque tem sede. O Senhor tem sede de nós mesmos, tem sede do pobre amor dos nossos corações. Essa sede de Deus por cada homem ficou claramente expressa naquele grito que somente o evangelista João conservou no Evangelho: “Tenho sede”
É profundo o diálogo de Jesus com a Samaritana: o Senhor pede de beber e promete dar de beber. Apresenta-se como necessitado que espera receber, mas possui em abundância para saciar os outros.

A transformação que a graça opera na Samaritana é maravilhosa! O pensamento dessa mulher centra-se agora somente em Jesus e, esquecendo-se do motivo que a tinha levado ao poço, deixa o seu cântaro e dirige-se à aldeia para comunicar a sua descoberta.

Deste evangelho podemos retirar algumas atitudes que também nós devemos ter na nossa vida. A primeira é a da sede de Deus, tal como a Samaritana que quando percebeu que o Senhor tinha algo de especial, Lhe pede que lhe dê dessa água.

A Samaritana centra a sua atenção em Jesus e parte para dar a conhecer. Que bom seria se cada um de nós, quando encontra Jesus se centrasse n'Ele e O desse a conhecer a toda a humanidade.


Procuremos durante este Tempo da Quaresma, saciar a nossa sede de Deus e levar aos outros esta Água Viva que só Jesus nos dá.


PROPOSTA DE CÂNTICOS PARA A MISSA:

Entrada: Os meus olhos, Senhor - CAC, pág. 156-157 [partitura]
Salmo: Escutai hoje a voz do Senhor [partitura]
Comunhão: Bebei, se tendes sede - OC, pág. 41-42 [partitura]
Pós-Comunhão: De noite iremos em busca - Taizé - [partitura]
Final: Das fontes da salvação - F. Santos - [partitura]

CAC - Cânticos da Assembleia Cristã
OC - Orar Cantando

segunda-feira, 17 de março de 2014

Meditações de Quaresma: A necessidade da conversão

O santo tempo da Quaresma convida-nos a abrir o coração à medida do Coração de Deus! Ter compaixão, ter misericórdia, ir ao encontro daqueles de quem nos afastamos ou afastamos de nós!
 
O teu irmão pecou? O teu irmão escandalizou? O teu irmão foi ingrato? Perdoa-lhe, por amor ao Senhor que a todos perdoa! Aproxima-te dele, por amor ao Senhor que de todos Se aproxima!
 
O teu irmão encontra-se no erro, nas trevas? Com paciência, com humildade, com paciente compaixão, procura corrigi-lo, alertá-lo, trazê-lo de volta, como faz o Senhor que de todos cuida!
 
Sem conversão morreremos, seremos destruídos, pois viveremos distantes d’Aquele para Quem fomos criados e em Quem temos a Vida!
 
 
Só o Altíssimo absolve:
E o passo para isto é o reconhecimento do pecado!
E a humildade de pedir perdão! Do pecado!
E o sincero desejo de mudar de vida, de romper com o pecado!
 
Nunca te canses de tentar salvar o irmão!
Nunca descanses no próprio pecado!
Só o Senhor o perdoa, quando o reconhecemos e dele nos arrependemos!
 
Estamos a levar a sério a exortação à penitência que o Senhor nos faz nesta Quaresma? Que atitudes, que obras concretas estamos a fazer para a nossa penitência e para a nossa conversão?

domingo, 16 de março de 2014

Procissão do Senhor dos Passos em Mafra

A Vila de Mafra viu hoje sair à rua a primeira das quatro Procissões Quaresmais que compõem as celebrações da Quaresma e da Semana Santa. A Procissão do Senhor dos Passos, também conhecida por Procissão do Encontro, realiza-se nesta Vila desde a segunda metade do século XVIII.

Inicialmente, a Procissão do Senhor dos Passos saía da Basílica e a de Nossa Senhora da Soledade saía da Capela do Campo Santo, no Palácio. Actualmente o andor com Jesus a caminho do Calvário sai da Basílica e o andor com a Virgem Lacrimosa sai do claustro sul do Palácio.

Tal como tem acontecido nos últimos anos, foi celebrada a Santa Missa antes da Procissão pelo Rev. Prior de Mafra - Padre Luís Barros. Esteve também presente o Rev. Padre Rui Cantarilho, das Paróquias de Arranhó e de São Tiago dos Velhos, no concelho de Arruda dos Vinhos, tendo este pregador proferido o Sermão do Encontro, do qual deixamos agora algumas meditações:

«Por tradição, seguimos Jesus a caminho do Calvário mas esquecemo-nos que seguir Jesus não traz facilidades. Queremos segui-Lo sem a cruz, sem dor, sem sangue. Mas isso não nos traz a Salvação! Neste caminho, seguimos o próprio Deus: Aquele que nos criou do pó da terra e que nos fez à Sua imagem e semelhança.»

O Padre Rui Cantarilho, fazendo também alusão ao evangelho deste Domingo dizia que o discípulo João que viu Jesus transfigurado no Monte Tabor, tal como seu irmão Tiago e com São Pedro, foi o único que seguiu Jesus desfigurado no caminho para o Calvário.

«Quantos temos a coragem de carregar a cruz, de levar o coroa de espinhos e de ser maltratados em nome de Deus?», interrogou o pregador.

A Quaresma é por excelência o tempo em que somos convidados a reconhecer os nossos pecados e a aproximar-nos do Sacramento da Penitência. O Padre Rui alertou ainda para «não esperar que seja Sexta-feira Santa para enterrar os nossos pecados que nos fazem morrer aos poucos para Deus. É necessário pedir-Lhe perdão e segui-Lo até à cruz».

Fazendo referência ao gesto de Verónica - que vendo Jesus cheio de sangue enquanto caminhava para o Calvário, lhe limpou o rosto - o pregador dizia que «o rosto de Jesus não ficou só marcado na toalha, mas também na sua alma. Que bom seria se também em nós, Deus pudesse imprimir o Seu rosto no nosso coração!».  

O sermão terminou com uma referência ao silêncio contemplativo da Virgem Maria, sofrendo cada atrocidade que faziam a Seu Filho: «Oh Santíssima Virgem, ensinai cada um de nós a olhar para o rosto do Vosso Filho, a chegar aos pés da Cruz, para que um dia possamos também chegar à alegria da glória!» 

Terminado o sermão, a procissão percorreu o terreiro em frente à Basílica, tendo terminado com a bênção do Santo Lenho - um pedaço da cruz de Jesus.

Mais uma vez estiveram presentes centenas de pessoas que quiseram assistir a esta manifestação de fé e acompanhar Jesus com a sua oração. A próxima procissão a realizar na Vila de Mafra será a Procissão da Penitência da Venerável Ordem Terceira, no dia 30 de Março. Não faltem!


sábado, 15 de março de 2014

Sete Dores de Nossa Senhora: a fuga para o Egipto

Andor da Fuga para o Egipto «Burrinha» - Basílica de Mafra
Na segunda dor de Maria Santíssima, meditamos na Fuga para o Egipto da Sagrada Família. O Anjo aparece em sonhos a São José avisa-o que Herodes vai procurar o Menino Jesus, para Lhe tirar a vida. Eis como Jesus apenas nascido é perseguido de morte. — Herodes é figura daqueles miseráveis pecadores que vendo Jesus Cristo apenas renascido em sua alma pelo perdão obtido, novamente o perseguem à morte, tornando a pecar.

José, tendo recebido a ordem do Anjo, obedece logo, sem demora, e avisa Nossa Senhora que depois de se ajoelhar junto ao berço de Seu tenro Filhinho, beija-Lhe os pés, e derramando lágrimas de ternura, lhe diz: Ó meu Filho e meu Deus, acabas de nascer e de vir ao mundo para salvar os homens e já os homens vêm procurar-Te para Te matarem!

Meditemos no quanto terá sofrido Nossa Senhora no caminho para o Egipto. Segundo São Boaventura, a estrada era áspera, desconhecida e sobretudo muito longa. A viagem foi feita de Inverno, pelo que a Sagra Família teve de caminhar com chuvas e ventos, sem ter quem os guiasse.

Durante a viagem, de certo que o Menino chorava, e também Maria e José choravam de compaixão. Ó santa fé! Quem não havia de chorar ao ver o Filho de Deus, feito criancinha, que, pobre e desamparado, vai pelo deserto a fim fugir à morte em tão tenra idade?

Ver assim Jesus, Maria e José andarem fugitivos, peregrinando por este mundo, ensina-nos que também nós devemos viver nesta terra como peregrinos, sem nos apegarmos aos bens que o mundo oferece.

«Perdoai-me, ó meu Jesus, todas as minhas ingratidões para convosco. Permiti que assim como na Sua fuga para o Egipto, a Virgem Maria Vos trouxe nos braços, assim eu possa trazer-Vos sempre em meu coração durante a minha viagem para a eternidade.»


sexta-feira, 14 de março de 2014

II Domingo da Quaresma

No Domingo passado, fixávamos a nossa meditação nas tentações de Jesus. No deserto, o Senhor foi lutando contra o diabo e convidava-nos também nós a travarmos o nosso próprio combate espiritual, em especial durante o Tempo da Quaresma.

No Evangelho deste II Domingo da Quaresma, Jesus aparece ladeado por Moisés e Elias - que também enfrentaram durante quarenta dias e quarenta noites o combate no deserto - e revela-nos qual o objectivo do nosso combate espiritual. Qual a finalidade de lutarmos, todos os dias, contra as tentações do Maligno e por nos esforçarmos por carregar a cruz com amor?

Jesus surge transfigurado no cimo do Monte Tabor. O Senhor mostra aos discípulos a Sua glória e convida-nos a pormos os seus olhos no seu Corpo Glorioso. Também nós, quando um dia chegarmos à Vida Eterna, seremos envolvidos da glória de Cristo.

A transfiguração de Jesus é prenúncio da ressurreição. Com sua bendita Transfiguração, Jesus deseja preparar o seus para as dores da paixão – do mesmo modo que a Igreja nos deseja alentar e motivar para as renúncias e observâncias quaresmais. Por isso mesmo, Pedro, Tiago e João, o três que estão no Tabor são os mesmos que estarão no Jardim das Oliveiras.

Também nós somos chamados, como Abraão, a sair de nós mesmos, transfigurados à imagem do Jesus! Tenhamos a coragem de atravessar o deserto interior e de enfrentar o deserto do nosso coração.

Toda a caminhada Quaresmal nos aponta para um único objectivo: do homem velho, nos tornarmos um homem novo, passado do pecado à graça, do vício à virtude, da preguiça espiritual à generosidade, da morte à vida.

Mas, acima de tudo, não fiquemos com esta transformação para nós mesmos. Saibamos dar testemunho da glória do Senhor a operar na nossa vida. Vivemos num mundo cada vez mais marcado pela recusa de Deus, pelo pecado, pela guerra, pela violência... sejamos testemunhas vivas do Amor de Deus por cada um de nós.


Tal como Jesus, que glorificado mostrava aos discípulos o seu Corpo luminoso, sejamos também nós luzes no mundo. Homens e mulheres que reflectem a glória de Deus na escuridão do Mundo.



PROPOSTA DE CÂNTICOS PARA A MISSA:

Entrada: Diz-me o coração - F. Lapa - [partitura]
Salmo: Esperamos, Senhor, na Vossa misericórdia [partitura]
Comunhão: Jesus tomou consigo - OC, pág.145 [partitura]
Pós-Comunhão: Ouviu-se uma voz vinda do Céu - CEC I, pág. 87 [partitura]
Final: Cantarei eternamente - José Silva - [partitura]

CEC I - Cânticos de Entrada e Comunhão, vol. I
OC - Orar Cantando

Exéquias de Dom José Policarpo - Vigília de Oração na Sé Patriarcal de Lisboa

Na noite de ontem, 13 de Março, a Sé Patriarcal de Lisboa encheu-se de fiéis para uma Vigília de Oração em sufrágio da alma do Patriarca emérito, Cardeal Dom José Policarpo, falecido ao início da noite de dia 12.
 
Com a presença de muitos seminaristas, do Cabido da Sé, dos Bispos Auxiliares de Lisboa e presidida pelo actual Patriarca, D. Manuel Clemente, nesta Vigília foi cantado o Ofício de Leituras do Ofício dos Defuntos. Vários meios de comunicação social portugueses e estrangeiros estavam presentes.
 
Também a JMV Sobreiro se uniu a esta oração na Sé de Lisboa, tendo estado presente nesta celebração após a recitação do Terço na igreja do Sobreiro, pedindo a Deus que acolha o quanto antes a alma de Dom José na glória do Paraíso.
 
Após os salmos e as leituras com os respectivos Responsórios, Dom Manuel Clemente dirigiu algumas palavras aos presentes, destacando a «incansável busca pela Verdade, essa Verdade na qual o nosso Patriarca emérito está agora imerso. Outro ponto forte de Dom José foi a atenção que sempre teve àquilo que ele chamava de 'sinais dos tempos', sendo uma referência para a Igreja em Portugal, nestes tempos que vivemos».
 
Dom Manuel ressaltou também a relação de muita proximidade que Dom José tinha com o Papa Francisco. Na verdade, o próprio Papa Francisco, sabendo da notícia da morte, recolheu-se em oração e enviou ao Patriarca D. Manuel o seguinte telegrama:

«Entristecido com a notícia da morte do Cardeal José da Cruz Policarpo desejo expressar a minha união na oração com o Patriarcado de Lisboa, a família do defunto e quantos choram a sua morte inesperada. Confio à misericórdia de Deus o amado Cardeal, recordando-me da sua preciosa colaboração nos diversos organismos da Santa Sé e dos meus encontros com este Pastor apaixonado pela busca da verdade. Era solícito ao colocar os dons recebidos ao serviço do povo de Deus e dos seus irmãos bispos, sobretudo nos anos que o viram presidente da Conferência episcopal.
 
Dou graças ao Pai celeste pelo seu ministério episcopal no qual se prodigalizou com generosidade guiando pelas veredas do Evangelho o povo que lhe tinha sido confiado, com o mesmo zelo com que tinha realizado os seus serviços precedentes, sobretudo na universidade católica portuguesa. Ao recomendar à materna protecção da Virgem Maria quantos o choram, assim como o senhor Patriarca, quantos o ajudaram no seu ministério, e todos os fiéis do Patriarcado, concedo de coração a todos uma confortadora Bênção Apostólica, que faço extensiva a quantos participarem no funeral».
Um dos pontos altos da Vigília foi a presença e o testemunho de Padres Orientais. Antes da oração final, foi feita uma oração em Rito Bizantino, invocando a misericórdia de Deus e a intercessão da Virgem Santíssima e dos Santos em favor da alma de Dom José.
Por fim, as centenas de fiéis fizeram fila para rezar junto do caixão que contém os restos mortais de Dom José Policarpo, num ambiente de silêncio e oração.
 
Neste dia 14 de Março, será celebrada a Hora Litúrgica de Laudes, pelas 10h00. 
À tarde, será celebrada Missa pelas 16h00, seguindo-se o cortejo fúnebre para o Panteão dos Patriarcas, onde Dom José será sepultado.
Na nossa página do Facebook, poderão encontrar publicações, fotografias e vídeos das principais celebrações do dia de hoje.
 
Pedimos novamente as orações de todos por este Príncipe da Igreja, pois rezar a Deus pelos defuntos é uma obra de misericórdia muito agradável a Nosso Senhor e proveitosa para nós e para a nossa alma!

quinta-feira, 13 de março de 2014

Papa Francisco - Um ano de Pontificado

Assinala-se hoje o primeiro aniversário da eleição do Papa Francisco. Às 19h05 (18h05 em Portugal) do dia 13 de Março do ano passado, a chaminé da Capela Sistina lançou o fumo branco, anunciando que o Sucessor de Bento XVI estava escolhido.

Nesse fim-de-tarde, o mundo conhecia o nome e a cara do novo sucessor de São Pedro. Pouco depois, o Cardeal Jean Louis Tauran vinha à varanda da Basílica vaticana pronunciar as famosas palavras: ‘Habemus Papam!’, diante de milhares de peregrinos ali reunidos. E anunciava o seu nome ao mundo: ‘Francisco’.
As novidades começaram logo pelo nome. Nunca na História da Igreja um Papa escolhera o nome do Santo de Assis. Também nunca se tinha elegido um Papa de tão longe, ‘do fim do mundo’ – como o próprio Papa Francisco disse na sua primeira bênção Urbi et Orbi, nessa mesma noite.
Mas as novidades deste Papa não se ficaram por aí. As suas declarações imediatas, as entrevistas, os seus gestos e palavras mostraram que a Igreja iniciava uma nova fase de remodelação e renovação. Uma renovação desejada e iniciada já com Bento XVI, mas que precisava de nova força e vigor que, na sua humildade, o Sumo Pontífice agora emérito tinha reconhecido já não possuir.
Num ano, o Papa Francisco habituou-nos à sua postura simples e às suas palavras também simples, com termos familiares para serem percebidas por todos. Não sendo sempre bem compreendido, houve e haverá sempre quem se aproveite da sua abertura, simplicidade e espontaneidade para fazer de Francisco um Papa à medida do mundo.
Os agentes destas deturpações fazem, no entanto e curiosamente, “ouvidos moucos” quando o Papa que elogiam diz claramente que: “com o mundo e com Satanás não se pode dialogar”, “eu sou filho da Igreja” ou que, por exemplo, o aborto seja “um assunto sujeito a supostas reformas ou «modernizações”.
No fundo, o Papa tenta usar a sua popularidade e o seu carisma particular para transmitir a Doutrina de sempre da Igreja - a mesma que foi, é e sempre será incómoda para o mundo: denunciar o pecado, usando de misericórdia para o pecador, alertar para as tentações do Demónio, criticar as injustiças sociais, fruto de ideologias perversas e renovar espiritualmente os Ministros da Igreja, alertando constantemente para a necessidade santificação dos sacerdotes.
Ajudemo-lo nesta missão que Deus lhe confiou e peçamos a Deus que Francisco não seja o Papa que nós desejamos, mas o Papa que o próprio Deus deseja para as necessidades da Sua Igreja!

Dom José da Cruz Policarpo: 1936 - 2014

Dai-lhe, Senhor, o eterno descanso, nos esplendores da luz perpétua.
Descanse em paz!
 

D. José Policarpo cresceu no seio de uma família numerosa, com oito irmãos, e descobriu a vocação no dia em que foi crismado. 
Tinha como sonho ser o Padre da aldeia, mas a Igreja chamou-o sempre para outras funções.
Foi nomeado bispo auxiliar de Lisboa a 26 de Maio de 1978, recebeu a Ordenação Episcopal a 29 de Junho do mesmo ano e, em Março de 1997, tornou-se arcebispo coadjutor do Patriarca de Lisboa, D. António Ribeiro, a quem sucedeu como Patriarca a 24 de Março de 1998.
Enquanto Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo nunca deixou de ter um olhar crítico para com o país e a sociedade que o rodeava.
A preocupação com as famílias e a justiça social também foi sempre uma constante. Na abertura de uma conferência episcopal em Fátima, em 2011, afirmou: “A solidariedade exige a equidade dos sacrifícios que se pedem, dos contributos que se esperam de cada pessoa ou de cada grupo social”.
Os problemas que a própria Igreja atravessou nos últimos anos, como os casos de pedofilia, também não foram indiferentes ao seu discurso e foram abordados com frontalidade.
Durante o seu mandato, a sociedade portuguesa passou por profundas transformações e, por várias ocasiões, Igreja e Patriarca opuseram-se às decisões políticas. São exemplos a liberalização do aborto e aprovação do 'casamento' homossexual.
Enquanto Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo recebeu duas visitas papais. João Paulo II veio a Portugal no ano 2000 e, dez anos depois, foi a vez de Bento XVI.
Enquanto cardeal participou no conclave que elegeu Bento XVI, em 2005, e, em 2013, na eleição do Papa Francisco, que tinha sido feito cardeal por João Paulo II no mesmo consistório que D. José Policarpo (a 21 de Janeiro de 2001).
O Patriarca Emérito encontrava-se em retiro em Fátima quando por uma indisposição foi levado para o Hospital do SAMS, onde veio a falecer neste dia 12 de Março, vítima de um aneurisma na aorta, pelas 19h50.
As exéquias presididas pelo Patriarca de Lisboa D. Manuel Clemente vão ser celebradas na sexta-feira, dia 14, às 16 horas na Sé Patriarcal, seguindo depois para o Panteão dos Patriarcas.
 

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