"Raios de Luz"


quinta-feira, 13 de março de 2014

Dom José da Cruz Policarpo: 1936 - 2014

Dai-lhe, Senhor, o eterno descanso, nos esplendores da luz perpétua.
Descanse em paz!
 

D. José Policarpo cresceu no seio de uma família numerosa, com oito irmãos, e descobriu a vocação no dia em que foi crismado. 
Tinha como sonho ser o Padre da aldeia, mas a Igreja chamou-o sempre para outras funções.
Foi nomeado bispo auxiliar de Lisboa a 26 de Maio de 1978, recebeu a Ordenação Episcopal a 29 de Junho do mesmo ano e, em Março de 1997, tornou-se arcebispo coadjutor do Patriarca de Lisboa, D. António Ribeiro, a quem sucedeu como Patriarca a 24 de Março de 1998.
Enquanto Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo nunca deixou de ter um olhar crítico para com o país e a sociedade que o rodeava.
A preocupação com as famílias e a justiça social também foi sempre uma constante. Na abertura de uma conferência episcopal em Fátima, em 2011, afirmou: “A solidariedade exige a equidade dos sacrifícios que se pedem, dos contributos que se esperam de cada pessoa ou de cada grupo social”.
Os problemas que a própria Igreja atravessou nos últimos anos, como os casos de pedofilia, também não foram indiferentes ao seu discurso e foram abordados com frontalidade.
Durante o seu mandato, a sociedade portuguesa passou por profundas transformações e, por várias ocasiões, Igreja e Patriarca opuseram-se às decisões políticas. São exemplos a liberalização do aborto e aprovação do 'casamento' homossexual.
Enquanto Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo recebeu duas visitas papais. João Paulo II veio a Portugal no ano 2000 e, dez anos depois, foi a vez de Bento XVI.
Enquanto cardeal participou no conclave que elegeu Bento XVI, em 2005, e, em 2013, na eleição do Papa Francisco, que tinha sido feito cardeal por João Paulo II no mesmo consistório que D. José Policarpo (a 21 de Janeiro de 2001).
O Patriarca Emérito encontrava-se em retiro em Fátima quando por uma indisposição foi levado para o Hospital do SAMS, onde veio a falecer neste dia 12 de Março, vítima de um aneurisma na aorta, pelas 19h50.
As exéquias presididas pelo Patriarca de Lisboa D. Manuel Clemente vão ser celebradas na sexta-feira, dia 14, às 16 horas na Sé Patriarcal, seguindo depois para o Panteão dos Patriarcas.
 

terça-feira, 11 de março de 2014

Meditações de Quaresma: A importância da Oração

«A oração abre-nos para Deus. A nossa tendência é termo-nos a nós próprios como centro, como eixo da existência. Mas assim, vivemos miseravelmente em função de nós mesmos: tudo julgamos a partir de nós, buscamos os nossos interesses, caímos na ilusão de pensar que as nossas ideias e avaliações são a própria verdade e que os nossos critérios e desejos são o que é correcto.

Em consequência, sem percebermos, manipulamos os outros, manipulamos a realidade e até mesmo a nossa fé em Deus: eu, o centro; tudo o mais, gira em torno a mim! Isto é pura loucura e somente a oração pode colocar-nos verdadeiramente diante da nossa realidade.

Quando nos abrimos para Deus, escutando a Sua palavra, calando diante Dele o nosso coração e deixando-nos invadir pela doçura da Sua presença, então, sim, vamos vendo que Deus é tudo e nós somos tão pequeninos! Vamos, então, entrando, num verdadeiro diálogo com Deus: Ele vai Se tornando não algo, mas Alguém, vivo, amante, terno e que dá novo sentido à minha vida. Rezando, vou aprendendo a deixar que o Senhor seja verdadeiramente Deus na minha vida!

ados em nós, vivemos numa ilusão tremenda: a ilusão de que somos o centro, somos auto-suficientes, somos deuses...

Em conseqüência, sem nem percebermos, manipulamos os outros, manipulamos a realidade e até mesmo nossa fé em Deus: eu, o centro; tudo o mais, girando em torno a mim! Isto é pura loucura e somente a oração pode nos colocar de verdade diante da nossa realidade.

Quando nos abrimos para Deus, escutando Sua palavra, saboreando tudo quanto fez em nosso favor, calando diante Dele o nosso coração e deixando-nos invadir pela doçura de Sua presença, então, sim, vamos vendo que Deus é tudo e nós somos tão pequeninos! Vamos, então, entrando, num verdadeiro diálogo com Deus: Ele vai Se tornando não algo, mas Alguém, vivo, amante, terno e que dá novo sentido à minha vida. Rezando, vou aprendendo a deixar que o Senhor seja de verdade Deus na minha vi
A oração é também uma  poderosa arma no combate espiritual, pois a vida cristã não consiste em boa vontade, mas numa constante luta contra as más tendências que pululam em nós. Não venceremos nunca os nossos demónios, os nossos vícios capitais sem o combate espiritual sem esforço, com o sustento do Espírito do Imolado e Ressuscitado!


É precisamente a oração que nos reveste da força do Espírito do Senhor e nos faz participar daquele combate de Jesus no deserto! Sem oração, acaba o crescimento efectivo na virtude e no seguimento de Cristo. Sem oração verdadeira, persistente, às vezes gozosa, outras vezes árida, ora tão fácil, ora tão custosa, jamais voaremos para os braços do Senhor.

Finalmente, a oração dá-nos a graça de viver toda a vida na presença de Deus; faz-nos cumprir aquele preceito do Senhor: «Caminha na Minha presença e sê perfeito!»


A vida enche-se, então, de sentido e podemos experimentar algo do céu já sobre esta terra... Começa a cumprir-se em nós o que o Senhor nos ensinou a pedir no Pai-Nosso: «Venha a nós o Teu Reino!»

E então, vamos rezar mais nesta Quaresma? Deixemo-nos de preguiça! Vamos! É tão pouco esforço para uma recompensa tão grande!»
 

segunda-feira, 10 de março de 2014

Jornal 'Raios de Luz' - Nova Edição


Divulgamos hoje, em formato digital,  mais uma edição do Jornal da JMV Sobreiro!

Nesta edição, poderá conhecer muitas das actividades que temos realizado na nossa Paróquia, entre outras novidades da Juventude Mariana Vicentina. Desde o Encontro Sub-16, passando pelas admissões de novos elementos, notícias da Igreja, dicas culinárias e passatempos, há muito para contar!

Para aceder ao nosso jornal na Internet, carregue neste atalho:



Esperemos que gostem!

domingo, 9 de março de 2014

Papa Francisco: resistir à mentalidade mundana

Na sua alocução semanal, por ocasião da oração do Angelus, o Papa Francisco convidou os cristãos a resistir às tentações do poder e da mentalidade mundana, numa reflexão sobre o evangelho de hoje no qual Jesus trava um duelo contra as tentações do Demónio.

Diz o Papa que «Jesus recusa decididamente todas estas tentações e reafirma a firme vontade de seguir o caminho estabelecido com o Pai, sem qualquer cedência ao pecado e à lógica do mundo. Com Satanás não se pode dialogar, porque é muito astuto!».

Na sua breve catequese, o Papa referiu que Jesus ao dizer «Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus» nos convida lutar contra a mentalidade mundana que rebaixa o homem para o nível das necessidades primárias, fazendo-o perder a fome do que é verdadeiro, bom e belo.

«Temos de desfazer-nos dos ídolos, das coisas vãs, e construir a nossa vida sobre o essencial», referiu ainda o Papa Francisco, convidando por fim todos os presentes a renunciarem a Satanás e às suas seduções.

Iniciam-se hoje os exercícios espirituais do Santo Padre e da Cúria Romana. Rezemos por todos eles, para que o Senhor os livre sempre das tentações deste mundo e procurem em tudo e sempre serem verdadeiros apóstolos do Evangelho.

Peregrinação ao Santuário de Fátima


No próximo dia 5 de Abril a JMV Sobreiro tem a graça de poder ir cantar na Capelinha das Aparições, em Fátima, no Terço das 12h00 e na Missa das 12h30.

Por se comemorar, a 4 de Abril, o aniversário da morte do Francisco, convidamos a Paróquia de Mafra (e não só!) a acompanhar-nos!


 As inscrições podem ser feitas nas Missas da Paróquia ou através dos contactos mencionados.

Será um dia com algumas surpresas!
Contamos convosco e com as vossas orações!

sábado, 8 de março de 2014

São João de Deus: exemplo de amor

Imagem de S. João de Deus venerada na Achada
Lembramos hoje a Festa Litúrgica de São João de Deus, padroeiro na nossa Comunidade-Irmã, a Achada e também apelidado de patrono dos hospitais pela sua grande obra de caridade e serviço aos doentes.
 
João Cidade nasceu em Évora em 1495 e com oito anos fugiu de casa e foi para Espanha, tendo cuidado de rebanhos e mais tarde tornando-se soldado, ao lado de Carlos V.

A dada altura da sua vida, João decidiu ir morar em Granada e lá abriu um pequeno negócio de livros, sendo que, ao mesmo tempo, passou a ouvir o grande santo pregador São João de Ávila, que no Espírito Santo suscitou a conversão radical deste santo que hoje recordamos. Do encontro com Cristo, começou a sua aventura que consistiu em construir com Cristo uma história de santidade.

Renunciou a si mesmo, assumiu a cruz e colocou-se radicalmente nos caminhos de Jesus, tendo ajudado por diversas vezes a distribuir os bens aos pobres, tendo mais tarde fundado um hospital para doentes metais.
 
Como tudo concorre para o bem dos que amam a Deus, diante do tratamento desumano que naquela época era dado para os pobres e doentes mentais, o Senhor suscitou no coração de João o carisma para lidar com os doentes na caridade e gratuidade.

Detenhamo-nos numa das cartas deste Santo Português que compõem hoje o Ofício de Leitura previsto para esta festa litúrgica e aprendamos com o seu exemplo, a amar os mais pobres e doentes:

«Cristo é fiel e tudo provê,
Se consideramos atentamente a misericórdia de Deus, nunca deixaremos de fazer o bem de que formos capazes: com efeito, se damos aos pobres por amor de Deus aquilo que Ele próprio nos dá, Ele promete-nos o cêntuplo na felicidade eterna.

Vêm aqui tantos pobres, que até eu me espanto como é possível sustentar a todos; mas Jesus Cristo a tudo provê e a todos alimenta. (...) Desta maneira estou aqui muito empenhado e prisioneiro por amor de Jesus Cristo. Vendo-me tão carregado de dívidas que já mal me atrevo a sair de casa, e vendo tantos pobres, irmãos e próximos meus, sofrerem para além das suas forças e serem oprimidos por tantos infortúnios no corpo ou na alma, sinto profunda tristeza por não poder socorrê-los, mas confio em Cristo, que conhece o meu coração.»


Sete Dores de Nossa Senhora: a profecia de Simeão

Andor da Profecia de Simeão - Basílica de Mafra
Ao longo do Tempo Santo da Quaresma, iremos tentar meditar, todos os Sábados, numa das Sete Dores de Nossa Senhora. Apesar de liturgicamente esta Festa se celebrar no dia 15 de Setembro, desde que o Papa São Pio X a fixou nesta data, é proveitoso que nos Sábados do Tempo favorável se medite nestes episódios narrados no Evangelho.

É junto à Cruz que a Mãe de Jesus crucificado se torna a Mãe do Corpo Místico nascido da Cruz, ou seja, de toda a Igreja. Vamos nós pedir auxílio à Rainha dos Mártires, para que nos mantenha afastados do pecado, e nos dê força, auxílio e paciência para levarmos a nossa Cruz, todos os dias da nossa vida.

A primeira dor de Nossa Senhora foi a Profecia de Simeão. Depois deste ancião ter recebido Jesus em seus braços, no Templo de Jerusalém, prediz à Virgem Dolorosa que Seu Filho seria alvo de contradições e perseguições e que por isso, «uma espada trespassará a Tua alma».

A dor de Nossa Senhora não encontrou alívio com o decorrer do tempo; pelo contrário ia aumentando à medida que Jesus crescia em sabedoria e em graça. Numa revelação a Santa Brígida, a Virgem Maria disse que «cada vez que Eu olhava para meu Filho, sentia o meu coração oprimido de uma nova dor e enchiam-se meus olhos de lágrimas».

Diz-nos Santo Afonso Maria Ligório que se Jesus, nosso Rei e Maria Santíssima, nossa bendita Mãe, não recusaram por nosso amor padecer durante toda a Sua vida uma pena tão atroz, não é justo que nós nos lamentemos, se padecemos um pouco.

A imensa caridade de Maria pela Humanidade faz com que se cumpra também n'Ela a afirmação de Cristo: ninguém tem mais amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos. Com razão os Romanos Pontífices chamaram a Maria Co-redentora: juntamente com o Seu Filho paciente e agonizante, de tal modo padeceu e quase morreu e de tal modo abdicou, pela salvação dos homens, dos Seus direitos maternos sobre o seu Filho, que com razão se pode dizer que Ela redimiu o género humano juntamente com Cristo.

Aprendamos de Nossa Senhora, a Virgem das Dores, a suportar com paciência e amor todas as provações que o Senhor quiser colocar na nossa vida e procuremos ver nas sofrimentos um caminho para a nossa santificação.


sexta-feira, 7 de março de 2014

Meditações de Quaresma: O Tempo da paciência de Deus

«Neste santo tempo quaresmal, somos chamados a escutar com mais atenção ainda a Santa Palavra que o Senhor nos dirige.
 
Durante os quarenta dias deste período sagrado que nos prepara para a Páscoa, toda a Igreja é chamada a recordar-se que é o novo Israel, um povo consagrado a Deus, reunido pelo Senhor do meio de todas as nações, consagrado pelo Sangue precioso de Cristo, separado do mundo e enviado ao mundo para no mundo fazer brilhar a glória do Senhor.
 
Somos um povo santo, um povo sacerdotal, um povo de testemunhas do Senhor e de intercessores pela inteira humanidade... O que era o antigo Israel de modo figurativo e, em certo sentido, provisório, somos nós agora de modo pleno e definitivo.
 
Assim, nestes dias quaresmais, a Igreja deve voltar ao deserto com a mente, com o coração, com a recordação, com o afecto. A Igreja deve estar atenta ao antigo Israel, pois, como diz o santo Apóstolo, os fatos ocorridos com o antigo povo ‘aconteceram para serem exemplos para nós, a fim de que não desejemos coisas más, como fizeram aqueles no deserto’ e não murmuremos como eles murmuraram e não sejamos infiéis como eles foram.
 
Atenção para não pensarmos: «Somos a Igreja de Cristo, somos o povo da eterna aliança, nada de mal nos acontecerá!» Não caiamos nesta ilusão!
 
O próprio São Paulo nos recorda, na Escritura Santa: ‘Quem julga estar de pé, tome cuidado para não cair’. E ainda mais Jesus, no Evangelho, nos exorta gravemente à conversão. Se a Igreja é a vinha do Senhor, que jamais será rejeitada, nós somos como aquela figueira que, se no período da paciência de Deus, não der fruto, será cortada do meio da vinha. Eis a Quaresma: tempo da paciência do Senhor para nós!»
 

Domingo I da Quaresma

O primeiro Domingo da Quaresma apresenta-nos, todos os anos, o jejum de Jesus no deserto, seguido das tentações. O Evangelho deste Domingo relata-nos como o Demónio intervém na vida de Jesus, quando o Senhor vai para o deserto.

Diz-nos São João Crisóstomo que Jesus deixa o Maligno agir «para nos dar exemplo de humildade e para nos ensinar que depois do Baptismo, todos nós sofremos maiores tentações, mas não nos devemos assustar com isso. Se não contássemos com as tentações que temos de sofrer, abriríamos a porta a um grande inimigo: o desalento e a tristeza».

A nossa existência nesta terra é uma batalha contínua contra o mal. É esta luta contra o pecado, que devemos intensificar nesta Quaresma, tal como nos deixou como exemplo, Nosso Senhor.

O Demónio promete sempre mais do que pode dar, porque a felicidade está muito longe das suas mãos. Mas para nos experimentar, o Maligno conta com as nossas ambições. E qual é a pior de todas as nossas ambições? A glória pessoal. Muitas vezes, o pior dos ídolos é o nosso próprio eu.

Neste Domingo a liturgia aponta-nos uma atitude: a vigilância. Temos que vigiar, em luta constante, porque dentro de nós permanece a tendência de desejar a glória humana.

Contamos sempre com a graça de Deus para vencer qualquer tentação. Usemos, pois, as 'armas' que a Igreja nos aponta para vencermos esta batalha contra o Demónio: a oração, a Eucaristia, o sacramento da Penitência, a humildade de coração e uma devoção terna e filial a Nossa Senhora.

Quem melhor do que Nossa Senhora para nos ensinar a sermos humildes e pacientes? A Virgem Maria acompanhou Jesus na Sua subida para o Calvário e acompanha-nos a cada um de nós, enquanto carregamos a cruz das nossas vidas.

Façamos nossas as palavras de Santo Afonso: «Ó meu amabilíssimo Jesus, vejo que no passado caí e tornei a cair porque me descuidei de imitar os Vossos divinos exemplos. (...) Fortalecei a minha fraqueza, eu Vo-lo peço, pela mortificação que praticastes, abstendo-Vos por quarenta dias de toda a alimentação, e pela humildade que mostrastes, permitindo que Vos tentasse como a qualquer outro filho de Adão».

 
PROPOSTA DE CÂNTICOS PARA A MISSA:

Entrada:  Aquele que por mim chamar (M. Luís) - CAC 134-135 [partitura]
Salmo: Pecámos, Senhor [partitura]
Comunhão: Nem só de pão vive o homem - CEC I, pág. 85-86 [partitura]
Pós-Comunhão: Escuta, Israel - CEC II, pág. 136-137 [partitura]
Final: Irmãos convertei o vosso coração - NCT 762 [partitura]

CAC - Cânticos da Assembleia Cristã
CEC I - Cânticos de Entrada e de Comunhão, vol. I
CEC II - Cânticos de Entrada e de Comunhão, vol. II
NCT- Cantemos Todos Novo


quinta-feira, 6 de março de 2014

Início da Quaresma na Paróquia de Mafra

A Paróquia de Mafra iniciou ontem o Tempo Santo da Quaresma com a celebração da Santa Missa com bênção e imposição das cinzas, na Basílica. Uma celebração que juntou todos os paroquianos das diversas comunidades que compõem a paróquia.

Na homilia, proferida pelo Rev. Padre Luís Barros, os fiéis foram convidados a meditar sobre o que significa a «conversão», tão lembrada neste tempo litúrgico  e a reflectir sobre a Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma.

Referia o Padre Luís: «A conversão a que somos, permanentemente, chamados ao longo da nossa vida não deve ser entendida como um simples 'ajustamento' da nossa vida, mas antes como uma autentica 'inversão de marcha'!»

Meditando sobre a Mensagem do Santo Padre para a Quaresma, o prior de Mafra convidou a reflectir sobre as três formas de miséria, que, infelizmente, grassam abundantemente na sociedade actual:

«A primeira destas misérias é a miséria material: a falta de bens essenciais à subsistência do próprio e, muitas vezes, da família que se tem a seu cargo (a falta de alimento, de água, de trabalho…); depois, a miséria moral, ou seja, uma escravatura do vício e do pecado; e por fim, a miséria espiritual, como a perda do sentido da vida e da esperança, fruto de um afastamento de Deus! »

No final da sua homilia, o Padre Luís apelou os presentes a «viver estas semanas com verdadeiro espírito de conversão, invertendo as prioridades de vida e abrindo o coração a Deus e aos irmãos».

Após a Missa, foi rezada a Via Sacra, cuja meditação dos textos ficou a cargo da catequese da Basílica. De uma forma simples e acessível não só aos adultos mas também a todas as crianças que estavam presentes, as meditações interpelavam a reflexão sobre aspectos concretos da vida quotidiana, nas quais, tantas vezes, acabamos por pecar.

Desta forma a Paróquia de Mafra iniciou o «Tempo favorável» lembrando a condição de pecadores que todos nós temos e na urgência de uma conversão que se traduza em aspectos concretos da vida de cada um.

A próxima grande celebração da paróquia será no dia 16 de Março, II Domingo da Quaresma, com a Procissão do Senhor dos Passos e sermão do encontro pelas 15h30.

  

terça-feira, 4 de março de 2014

«Convertei-vos a mim de todo o vosso coração»

«Em nome de Cristo suplicamo-vos: reconciliai-vos com Deus»

Amanhã, Quarta-feira de Cinzas, a Igreja dá início ao Tempo Santo da Quaresma, no qual somos convidados a aceitar o convite que a Liturgia nos faz, combatendo o amor próprio com todas as nossas forças.

Na primeira Leitura, do Profeta Joel, escutamos um convite à mudança de vida: «Convertei-vos a mim de todo o vosso coração com jejuns, com lágrimas, com gemidos». Naquele tempo, o povo de Judá sofria bastantes calamidades e o profeta encorajava assim o povo à conversão. Também a nós se dirigem as palavras do profeta Joel, dia após dia, mas em especial no início da Quaresma!

Com um espírito de Penitência, iniciamos o tempo favorável da Quaresma, como nos recorda São Paulo: «Aquele que não havia conhecido o pecado, diz ele, Deus o fez pecado por nós, para que nos tornássemos, nele, justiça de Deus», para nos deixarmos reconciliar com Deus em Cristo Jesus. O Apóstolo apresenta-se como embaixador de Cristo e mostra claramente como precisamente através de Nosso Senhor, é oferecida a cada um de nós que somos pecadores, a possibilidade de uma reconciliação autêntica.

Detenhamo-nos no apelo que o apóstolo nos faz: «Em nome de Cristo suplicamo-vos: reconciliai-vos com Deus» e ainda: «Este é o tempo favorável, é este o dia da salvação». Com plena consciência da nossa condição de pecadores, simbolizada com a imposição das Cinzas na nossa cabeça, procuremos não endurecer o nosso coração à Palavra do Senhor e busquemos a Misericórdia de Deus.

No Evangelho, Jesus convida-nos a fazermos penitência sem darmos a conhecer aos outros. Somos por isso alertados para não fazer só por fazer, ou apenas para os outros verem, mas sim de coração humilhado e contrito, no silêncio da nossa oração e da nossa intimidade com Deus.

Façamos desta Quaresma um tempo diferente! Não como em tantas outras da nossa vida, cujo convite à conversão nos passa ao lado, acabando por chegar à celebração dos Mistérios Pascais da mesma forma como iniciamos este tempo litúrgico. Rezemos a Jesus, pedindo o Seu auxílio para que vivamos com ardor de coração o Tempo favorável:

«Senhor, que, mais uma vez, me ofereceis o tempo favorável da Quaresma, ajudai-me a vivê-lo no segredo do meu coração. Sei que as coisas exteriores têm a sua importância, mas quero vivê-Ias na Vossa presença. Ajudai-me a crescer na oração, na mortificação, na caridade; mas acima de tudo, ajudai-me a fazê-lo com humildade e sinceridade diante de Vós. Infundo em mim o Espírito Santo para que me conduza e guie pelo deserto da penitência, durante esta Quaresma.»


PROPOSTA DE CÂNTICOS PARA A MISSA:

Entrada: Chegaram os dias de Penitência, NCT 432 [partitura]
Salmo: Pecámos, Senhor, tende compaixão de nós (F. Santos) [partitura]
Imposição das Cinzas: Tende compaixão de mim, NCT 442 [partitura]
Comunhão: Aquele que medita (C. Silva) [partitura]
Pós-Comunhão: Perdoai, Senhor (M. Luís) [partitura]


NCT - Cantemos Todos Novo

domingo, 2 de março de 2014

Programa da Quaresma na Paróquia de Mafra 2014


Programa e Horários para o Tríduo Pascal 
na Basílica de Mafra:


Todos os anos, a Paróquia de Santo André da Vila de Mafra tem um vasto programa de celebrações e procissões durante o Tempo da Quaresma. Desde as tradicionais procissões do Encontro, da Penitência da Venerável Ordem Terceira (Terceiros) e das Sete Dores de Nossa Senhora (vulgarmente chamada de procissão da Burrinha), passando pelas celebrações no Tríduo Pascal, no qual se insere também a Procissão do Enterro do Senhor

De salientar que estas procissões só são realizadas graças ao empenho e dedicação da Irmandade do Santíssimo Sacramento que é detentora do espólio artístico que compõe todos os andores que integram as diferentes celebrações.

Disponibilizamos os horários das celebrações durante o Tempo da Quaresma, referindo ainda que haverá Celebração Penitencial no dia 07 de Abril, pelas 21h00.

Todas estas celebrações servem para nos ajudar a  fixarmos a nossa atenção no Mistério Pascal. Peçamos a Nossa Senhora, Virgem Dolorosa, que nos ensine e ajude a viver este «Tempo favorável» da melhor forma.

Papa Francisco pede pela paz na Ucrânia

O Papa Francisco apelou esta manhã, na alocação própria que habitualmente faz todos os Domingos, aquando da Oração do Angelus, pela paz na Ucrânia, tendo pedido que a comunidade internacional ajude a resolver uma “situação delicada” que se vive naquela nação:

«Caros irmãos e irmãs, peço-vos que continuem a rezar pela Ucrânia, que está a ainda a viver uma situação delicada. Ao desejar que todas as partes do país se empenhem para superar as incompreensões e construir em conjunto o futuro da nação, dirijo à comunidade internacional um forte apelo para que apoie todas as iniciativas em favor do diálogo e da concórdia».

O apelo surge após o aumento das tensões por causa da situação na Crimeia, república autónoma ucraniana pró-russa do sul, e de uma eventual intervenção militar da Rússia na Ucrânia, depois da destituição, a 22 de fevereiro, do presidente ucraniano Viktor Ianukovich.

Segundo o Papa, « a humanidade tem necessidade de justiça, de reconciliação, de paz, e apenas os poderá ter voltando para Deus, que é a sua fonte, de todo o coração». A propósito do Evangelho deste Domingo, o Santo Padre afirmou ainda que «nunca haverá justiça, enquanto cada pessoa procurar acumular para si».

Tendo no nosso coração o pedido do Papa Francisco para que rezemos pela Paz naquela nação, rezemos a Nossa Senhora, Rainha da Paz:

Ó Rainha do Santíssimo Rosário,
Auxilio dos cristãos, refúgio do género humano
e vencedora de todas as batalhas de Deus!

Vós, ó Mãe de misericórdia,
consegui-nos de Deus a paz;
e as graças que podem converter os corações,
as graças que reparam, conciliam e asseguram a paz.

Santa Rainha da Paz, rogai por nós
e dai ao mundo em guerra a paz por quem suspiram os povos,
a paz na verdade, na justiça e na caridade de Cristo.

Dai a paz das armas e a paz das almas,
para que, na tranquilidade do mundo,
se dilate o Reino de Deus.

Dai a paz aos povos separados pelo erro ou a discórdia,
especialmente a aqueles que vos professam singular devoção.

Nossa Mãe e Rainha do Mundo,
Que o Vosso amor e auxílio acelerem o triunfo do Reino de Deus,
e que todas as nações, em paz entre si e com Deus,
Vos proclamem Bem-Aventurada e entoem convosco,
de um extremo a outro da terra,
o eterno cântico de louvor ao Coração de Jesus,
em quem se pode encontrar a Verdade, a Vida e a Paz.


Excertos do texto de Consagração do mundo ao Coração Imaculado de Maria,
pelo Papa Pio XII a 31 de Outubro de 1942

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Oração a Nossa Senhora pelo Papa Bento XVI


28 de Fevereiro

«Peço-vos que continueis a rezar por mim e pelo meu sucessor»

Na primeiro aniversário do fim do Pontificado de Bento XVI, queremos partilhar uma oração pelo Papa Emérito, que se encontra recolhido em oração pela Igreja e pelo mundo.

Confiamos a Nossa Senhora este grande Papa e teólogo da Igreja e damos graças a Deus pelos 8 anos de Pontificado do Santo Padre Bento XVI:


Maria, Mãe da Igreja e Virgem do silêncio,
assiste e protege o Teu servo Bento XVI.
A ele, que com humildade e escondido do mundo,
preserva a vontade de Teu Filho ,
concede-lhe força e vigor, para continuar
a ser um sinal visível do amor de Deus.

Maria, Mãe da Igreja,
nós somos peregrinos aqui na terra,
esperando ser cidadãos do Céu .
Santifica o Teu servo Bento XVI,
recompensando-o por todo o bem
que semeou na vinha do Senhor.

Maria, Mãe da Igreja e nossa Advogada,
Assiste o Papa emérito Bento XVI
e defende-o contra os ataques do Demónio.
Faz com que ele não se sinta sozinho
mas que perceba o Teu amor e a Tua protecção Maternal.

Ó Maria, Mãe da Igreja e Senhora do ‘Magnificat’,
Assisti o teu servo na velhice e nas suas necessidades,
e confortai-o nos momentos de provação.

Maria, Mãe da Igreja e Mãe da Esperança,
ajuda-nos sempre no bom combate,
e fica connosco quando tudo parece estar contra nós.
Obrigado pelo dom do Pontificado do Teu servo Bento,
farol de esperança neste mundo sem Deus.

Maria, Mãe da Igreja e da Arca da Aliança,
dá ao Teu servo a graça de servir a Igreja
com a sua oração, estudo e meditação.

Maria, Virgem Poderosa e Mãe da Igreja,
Que o seu humilde trabalho na vinha do Senhor
dê frutos abundantes para todos,
no mundo e na Santa Igreja de Deus.

Maria, Mãe da Igreja e Rainha dos Apóstolos,
quando acabar a última etapa do seu caminho terreno,
concede o teu servo Bento XVI
a graça de desfrutar da Bem-Aventurança eterna no Céu
para louvar com os Anjos e os Santos
o Senhor Deus, o Senhor da Igreja e da história,
que vive e reina pelos séculos dos séculos.


Ámen.
Créditos: La Vigna del Signore


Programa do Dia de Oração com e por Bento XVI:
(Hora de Roma, menos 1 Hora em Portugal)

07:00 – Missa.
07h40 – Oração de Laudes, Ofício de Leituras e Hora Intermédia.
12h00 - Angelus e a Hora Intermédia.
15h00 – Terço do Rosário e Hora intermédia.
18h00-19h00 - Oração de Vésperas.

20h00 do dia 28 de Fevereiro – hora exacta em que, em 2013, o seu Pontificado terminou - convida-se a rezar a oração do “Te Deum”, como acção de graças pelo dom de Bento XVI.

 22h30 – Oração de Completas.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Papa Bento XVI: da infalibilidade à invisibilidade

«Apesar das imagens de Francisco como um dissidente, até agora o acto mais revolucionário cometido por um Papa em 2013 veio de Bento XVI sob a forma da sua impressionante decisão de renunciar voluntariamente ao seu cargo. O facto às vezes perdido entre a loucura sobre Francisco é o facto de que Bento é na verdade o principal responsável deste drama.

Bento, claro, nunca teve muita sorte no que toca às relações públicas.

Ele entrou no cargo com uma narrativa pré-fabricada sobre ser o "Rottweiler de Deus" e o "executor do Vaticano" e nunca foi verdadeiramente capaz de se livrar disso. Em termos de opinião pública, a diferença entre Bento e Francisco é talvez melhor mostrada assim: Durante Bento, as pessoas assumiam que o que quer que não gostassem sobre a Igreja era por causa do Papa; agora tendem a pensar que é apesar do Papa.

Como resultado, a tendência é caracterizar Bento e Francisco quase como matéria e antimatéria - tradição vs. inovação, dogmatismo vs. compaixão, etc. Independentemente do mérito discutível destas percepções, o que elas ignoram é que Francisco não teria existido sem a decisão de Bento de se pôr de lado.

Igualmente notável é o modo como ele lidou com a sua partida. No seu último discurso aos cardeais em 28 de Fevereiro, Bento prometeu "incondicional reverência e obediência" ao seu sucessor e tem mantido a sua parte do acordo. Para além de uma carta privada enviada a um ateu italiano que foi divulgada pelo receptor, Bento apenas foi visto ou ouvido em público quando Francisco apareceu para o chamar ou convidar para algo.

Apesar dos rumores bem documentados entre alguns sobre a nova direcção de Francisco, Bento não fez nada para encorajar uma "oposição leal" ou para legitimizar dissidências ao novo regime.

Com efeito, Bento foi da infalibilidade à quase invisibilidade, e inteiramente por escolha própria. Se isto não é um "milagre de humildade numa era de vaidade", para invocar o elogio do Elton John a Francisco na Vanity Fair em Junho, então é difícil de saber o que será.

Num nível mais substancial, algumas das reformas pelas quais Francisco está a receber crédito, incluindo a limpeza das finanças do Vaticano e a sua política de "tolerância zero" aos abusos sexuais, acumulam para a continuação das políticas que já começaram com Bento.

Mesmo se esse não fosse o caso, o ponto principal mantém-se de que o "efeito Francisco" podia ter passado à história sem Bento a dar o passo que nenhum Papa tinha dado em 600 anos -- e, dadas as circunstâncias claramente diferentes, uma pessoa podia argumentar que é um passo que nenhum Papa tinha dado desta forma.

Ninguém questiona isto, Francisco está a abanar a Igreja Católica e a oferecer um novo sopro de vida. Para que conste, no entanto, ele não foi o único dissidente, o único papa revolucionário de 2013».

John L. Allen Jr
Fonte: Senza Pagare

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