"Raios de Luz"


quinta-feira, 18 de abril de 2013

Um testemunho vocacional


«A minha vocação é a melhor de todas! E posso dizer isto com toda a convicção, sem correr o risco de ser pretensioso, vaidoso ou orgulhoso. A minha vocação é a melhor de todas! E é-a de facto porque foi aquela que Deus escolheu para mim. E é tanto assim que, mesmo que eu ainda não saiba qual a minha vocação, sei que a posso procurar, não em mim, ser finito e mesquinho, mas em Deus, que se entregou por nós na Cruz e que, por isso, nos ama de tal modo que quer mais o nosso bem que nós próprios.

A vocação é caminho. É uma estrada que só se percorre a dois: eu e Nosso Senhor. Por isso, naquilo que tem sido a minha caminhada vocacional, tanto mais se tem tornado claro o rumo a seguir, quanto mais séria e próxima se torna a relação com Deus.

A caminhada vocacional é, também na relação com Jesus, um conhecimento paulatino de nós mesmos, porque só na medida em que vamos conhecendo o Homem, como disse Pilatos (cf. Jo 19, 5), é que nos conhecemos como homens. Relativamente a isto, há uma frase que, ao longo da minha caminhada, se foi adensando e revelando um rumo a seguir: “Ninguém pode fazer dom de si se não tiver domínio de si.”

Só quando nos conhecemos como homens, obra das mãos de Deus, só então poderemos fazer da nossa vida uma oblação, uma oferta a Deus e, em Deus, aos homens. De facto, a vocação é caminho. Caminho para a Cruz, pois é lá que todo homem cumpre a finalidade da sua existência: o dom oblativo de si mesmo.

E este caminho tanto é valido para o chamado ao ministério ordenado, pelas provações, pelo trabalho, pela abnegação de si mesmo, como para os chamados à vocação matrimonial, pela entrega ao outro, pela exigência de uma vida a dois, pela responsabilidade com os filhos, e por tudo mais. É, de facto, um caminho pedregoso, mas repleto da presença de Deus, que nos ampara e nos dá força nas adversidades. É, de facto, um caminho para ser feito a dois. Só assim vale a pena entregar a vida.

É, então, por causa das pedras do caminho e pela preguiça de caminhar que afecta a tantos que se torna tão importante rezar pelas vocações. Rezar e, particularmente, pelas vocações, é urgente. Porque tal como no tempo de Jesus, a messe é grande e os trabalhadores são poucos (Mt 9, 37). Numa Igreja em crescimento constante, urge pedir ao Senhor por homens santos e sérios que conduzam o seu povo e por gente santa e séria que queira, no quotidiano de uma vida normal, ser sal na terra e luz no mundo (Mt 5, 13-14). Acreditai quando vos digo: vale a pena rezar! Na minha história vocacional, como vou partilhando convosco, fui experimentando o poder da oração, quer a que faço, quer a que vós fazeis por mim.

Meus amigos, rezai! Eu preciso, os seminaristas precisam, a Igreja precisa, o Mundo precisa de gente que reze ao Senhor, suplicando-lhe o dom de muitas e santas vocações. Confiado na vossa oração…»




quarta-feira, 17 de abril de 2013

Semana de Oração pelas Vocações: Religiosas

Quando falamos em vocações consagradas, pensamos quase sempre num chamamento de Jesus a rapazes, para seguirem a vida sacerdotal.

Mas Nosso Senhor chama também raparigas para que, à semelhança da Virgem Mãe de Deus, estejam disponíveis para se oferecerem totalmente a Deus, servindo a Igreja e os outros com a sua entrega, testemunho, caridade e oração.

Por isso, é preciso rezar também pelas vocações consagradas femininas!
Neste pequeno vídeo, é-nos apresentado um pouco da vida de algumas mulheres que não tiveram medo de dizer, como Nossa Senhora: «Sim! Eis-me aqui, Senhor. Faça-se em mim a Tua vontade!»


terça-feira, 16 de abril de 2013

«Por quê ser Padre?»

Não, não é nenhum erro ortográfico. Os motivos que levam tantos jovens a oferecerem-se totalmente ao serviço de Deus e dos outros podem não ser descritos numa resposta que começa tipicamente com um «porque...», mas têm certamente um «por quê».

Na verdade, a vocação do Sacerdócio surge precisamente «por causa de algo, por causa de Alguém».

«Por quê ser Padre»? No vídeo seguinte, vários seminaristas respondem com o seu testemunho, mas todos concordam numa coisa. Só se pode ser Padre por uma coisa muito concreta: Por amor.

Por amor a um Deus que chama.

Por amor a um povo que precisa de pastores.

Por amor a uma Igreja que deseja levar as almas até Jesus.

Nesta semana de Oração pelas Vocações, vale a pena ouvir o testemunho de alguns seminaristas, Padres e Bispos que souberam respoder com o seu amor ao apelo amoroso de Deus que um dia lhes sussurrou, tal como Jesus aos discípulos: «Vinde, deixai tudo e segui-Me. Farei de vós pescadores de homens!»



segunda-feira, 15 de abril de 2013

Vigília de Oração pelas Vocações

GUIÃO PARA A VIGÍLIA


Na semana em que a Igreja reza pelas Vocações de especial consagração, a JMV Sobreiro em conjunto com toda a Paróquia de Mafra estará em Adoração ao Santíssimo Sacramento durante 24 horas, pedindo ao Senhor da Messe que mande muitos e santos operários para a Sua Messe.

Rezar pelas vocações é pedir ao Senhor que conceda à Igreja homens e mulheres capazes de estar ao serviço de Deus e dos outros, através do sacerdócio, da vida religiosa e contemplativa e da vida consagrada.

Convidamos todos a juntarem-se a nós durante estas horas de Adoração que terão início as 21:00 horas de Sexta-feira, dia 19 de Abril e terminarão ao final do dia de Sábado, pelas 21:00 horas na Igreja do Sobreiro.

Confiamos a nossa oração a Jesus, Sumo e Eterno Sacerdote e a Nossa Senhora, Mãe da Igreja.


domingo, 7 de abril de 2013

JMV Sobreiro dá a cruz a beijar no Lar do Sobreiro


No primeiro Domingo desta Páscoa que estamos a celebrar, o grupo de jovens do Sobreiro dirigiu-se ao Lar e Centro de Dia com o propósito de trazer a Páscoa do Senhor àqueles que não tiveram oportunidade de participar na Eucaristia nesse dia.

O Papa Emérito Bento XVI referiu este ano, na sua Mensagem para o Dia do Mundial do Doente: “O Ano da fé, que estamos a viver, constitui uma ocasião propícia para se intensificar o serviço da caridade nas nossas comunidades eclesiais, de modo que cada um seja bom samaritano para o outro, para quem vive ao nosso lado”.

Portanto, procurando viver este espírito de caridade, no início desta Páscoa, o grupo de jovens levou aos utentes do Lar e Centro de Dia do Sobreiro um momento em que puderam recordar a Ressurreição do Senhor e a presença constante da Virgem Maria, que “perde jamais a esperança na vitória de Deus sobre o mal”, sendo que esta sua confiança em Deus “é iluminada pela Ressurreição de Cristo, que dá esperança a quem se encontra no sofrimento e renova a certeza da proximidade e consolação do Senhor”, escreve o Papa Emérito Bento XVI, na mesma mensagem.
 
Assim, foi levada a beijar a Cruz, a cada um dos idosos, relembrando a morte e paixão de Cristo, enquanto outros cantavam com alegria “Ressuscitou, Aleluia!”. Após este momento, foram rezadas três Avé Marias com todos os utentes.

Por fim, foram distribuídas algumas amêndoas pelos idosos de forma a adocicar e alegrar um pouco a vida de todos os necessitados, neste dia em que se celebra a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 Que o Senhor Morto e Ressuscitado os ampare na sua velhice
 e lhes dê força para aceitar a sua cruz.


terça-feira, 2 de abril de 2013

A Ressurreição de Jesus e a esperança do católico



Após meditarmos na última semana sobre os acontecimentos da Paixão de Jesus nos quais revimos que foi pela culpa dos nossos pecados que foi cruelmente açoitado, tristemente escarnecido como rei, coroado com uma coroa de espinhos e finalmente humilhado com a morte mais atroz que se pode imaginar, meditamos agora na Ressurreição de Jesus e na esperança que deve trazer para o cristão.

Na noite ditosa em que os cristãos alegremente celebram a ressurreição do Senhor, Jesus, saindo do sepulcro, recebe do Pai tudo aquilo que havia perdido nos dias da Sua Paixão. Levado humildemente à presença de Pilatos, como se de um pobre criminoso se tratasse, foi feito Senhor da Terra pelo Pai. Aquele que pouco antes era o Homem das Dores e marcado pelos sofrimentos, aparece dotado de nova força e de uma vida imortal.

Cada um de nós devia fazer um acto de Fé na Ressurreição do Senhor, chegando a Ele, com as nossas orações, como que para lhe beijarmos as chagas glorificadas, como diz Santo Afonso.

A Ressurreição de Jesus Cristo é penhor e a norma da nossa ressurreição, porque tal como diz São Paulo: "Se morremos com Ele, com Ele também viveremos". Devemos depositar na Ressurreição de Jesus a esperança da nossa ressurreição.

Façamos nossas as palavras de Santo Afonso: «Meu amabilíssimo Jesus, graças Vos dou que pela Vossa morte adquiristes para mim o direito á posse de tão grande bem, e hoje, pela Vossa Ressurreição, avivais a minha esperança. Sim, espero ressuscitar no Último Dia, glorioso como Vós, não tanto por meu próprio interesse, mas para estar sempre unido a Vós e Vos louvar e amar eternamente».

Procuremos viver esta Oitava da Páscoa com a alegria que viveram as mulheres quando souberam que Jesus tinha Ressuscitado, fazendo crescer em nós a esperança da nossa ressurreição dos mortos.

sábado, 30 de março de 2013

Ao sepultar Jesus, sepultemos o nosso coração, como o de Maria


Quando uma mãe assiste à morte de seu filho, sem dúvida que ela sente e sofre bastante com isso. Mas quando o filho atormentado, já morto, deve ser sepultado e a aflita mãe despedir-se dele com o pensamento de não mais o tornar a ver é uma dor que excede todas as dores. Foi esta a última dor que trespassou o Coração aflito de Maria Santíssima.

Neste dia em que a Igreja aguarda na expectativa da Ressurreição Gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo, voltemos ao Calvário de forma a observar atentamente a dor de Maria, que ainda com o corpo de Jesus nos braços, se consome de dor ao beijar-lhe as chagas.

Os discípulos de forma a pouparem a Virgem Maria de tão grande dor, prepararam o necessário para colocar Jesus no sepulcro. Envolvido num sudário e embalsamado com aromas, carregam o corpo de Jesus até ao sepulcro novo cavado na rocha. De certo que as mulheres seguiam atentamente o cortejo e entre elas, a Mãe Santíssima com o Coração trespassado, acompanhando o Filho à sepultura.

Depois de colocado o corpo no sepulcro novo, os discípulos rolam a pedra para a entrada e assim encerram o corpo de Jesus, naquela terra.

Diz São Boaventura que a Divina Mãe, antes de deixar o sepulcro, abençoou aquela sagrada pedra e assim, dando o Seu último adeus ao Filho, volta para casa, deixando o Seu coração sepultado com Jesus.

E nós? Onde termos o nosso coração sepultado? Será que o sepultamos nos bens do mundo, nos interesses, no lodo do pecado? «Porque é que não sepultamos o nosso coração com Jesus que depois de morto e ressuscitado não quis ficar morto mas no Santíssimo Sacramento do altar para assim ter consigo todos os nossos corações?», diz-nos Santo Afonso.

Procuremos imitar Maria nas nossas vidas. Encerremos o nosso coração, como fez Maria, no santo Tabernáculo para não mais o tirar de lá. Coloquemo-nos em espírito com a Mãe Dolorosa junto do sepulcro de Jesus e unamos os nossos afectos com os de Maria e digamos com amor:

«Ó meu Jesus sepultado, beijo a pedra que Vos encerra. Vós que ressuscitastes ao terceiro dia, fazei que, pelos méritos da Vossa Gloriosa Ressurreição, no último dia também eu ressuscite convosco na glória, para estar sempre unido a Vós no céu, para Vos louvar e adorar eternamente».

sexta-feira, 29 de março de 2013

A descida de Jesus da cruz e a dor de Maria


Na tarde da Paixão, temendo a Mãe dolorosa que depois do ultraje da morte de Seu amado Filho, fossem feitas injúrias ao Seu corpo, pede a José de Arimateia que obtivesse de Pilatos o corpo de Jesus, a fim de que, ao menos morto, o pudesse guardar e livrar dos ultrajes.

Diz-nos Santo Anselmo que, tomado por compaixão pela Virgem Dolorosa, José foi ter com Pilatos e pediu-lhe que deixasse retirar o corpo de Jesus. E eis que descem Jesus da cruz.

Foi revelado a Santa Brígida que para o descimento, encostaram à cruz três escadas. Primeiro, os discípulos despregaram as mãos e depois os pés, sendo os cravos entregues a Maria. Depois, segurando um o corpo de Jesus por cima e o outro por baixo, desceram-no da cruz.

À Sua espera estavam os braços abertos da Santíssima Virgem Maria cujo coração tinha acabado de ser trespassado com a morte de Seu Filho e seria trespassado ainda quando O recebesse em Seus braços.
O corpo de Jesus, deposto nos braços de Maria, está coberto de sangue. A Sua santa cabeça está marcada pelos espinhos que lhe serviram de coroa e as Suas santas mãos e pés estão perfurados.

«Ah Meu amado Filho! A que estado te reduziu o amor para com os homens! Que mal fizeste para assim te maltratarem? Ó espinhos cruéis, cravos atrozes e bárbara lança, como pudestes tratar assim o vosso criador?»

A Mãe amargurada, junto à cruz, com Seu Filho nos braços chora pelos pecadores. Quais cravos e quais espinhos? As dores que Jesus sentiu, o sofrimento que causaram no Seu Corpo foram os pecados da Humanidade inteira que foi redimida pelo Seu sangue.

«O Virgem Santíssima, depois que Vós, com tanto amor destes o Vosso Filho ao mundo para a nossa salvação, eis que o colocamos assim em Vossos braços»

A Virgem Maria sofreu com a morte de Seu Filho e continua a sofrer com os pecados que continuamente proferimos contra o fruto das Suas entranhas. Não continuemos pois a atormentar esta Dolorosa Mãe, e se no passado nós também a temos afligido com as nossas culpas, façamos o que Ela mesmo nos diz: «Pecadores, voltai ao coração ferido do Meu Jesus, voltai arrependidos e Ele vos acolherá» - revelação feita pela Santíssima Virgem a Santa Brígida.

Terminamos a nossa meditação com mais uma oração de Santo Afonso que provém da tomada de consciência das dores de Maria:
«Ó Virgem Dolorosa, ó alma grande nas virtudes e grande também nas dores, pois tanto umas como outras nascem do amor que tendes para com Deus. Ah, minha Mãe! Tende piedade de mim, que não tenho amado Deus e O tenho ofendido. Nas Vossas dores medito e tenho confiança no perdão de Deus. Ó Maria, Vós que consolais a todos, consolai-me também a mim».

Sexta-feira Santa: Jesus morre pelos nossos pecados



«Pater, in manus tuas commendo spiritum meum»

É esta a última palavra que Jesus profere com confiança filial e perfeita resignação com a vontade de Deus. Celebramos hoje a Sexta-feira da Paixão do Senhor. Depois de meditarmos nestes últimos dias, o que aconteceu a Jesus desde a Sua entrada triunfal em Jesus, hoje contemplamos o Senhor pregado da cruz, entre dois ladrões, como se de um malfeitor se tratasse.

As últimas palavras de Jesus demonstram que Ele não estava no mundo para fazer a Sua vontade, mas a de Seu excelso Pai, Nosso Senhor. E colocando-se nas mãos de Deus, Jesus estava disposto a suportar, se fosse vontade divina, maior padecimento sobre a cruz.

Poder-nos-íamos questionar se algumas vez seríamos de fazer o mesmo nas nossas vidas. Será que seríamos capazes de entregá-La por Deus, padecendo os suplícios que nos fossem impostos? Quantos mártires já fizeram parte dos dois mil anos de história da Santa Igreja. De certo que todos eles olharam para a entrega total de Jesus na Cruz e foram capazes de entregar as suas vidas nas mãos do Pai.

Pelas três horas da tarde, a morte abeira-se de Jesus, e enquanto treme a terra, se abrem os túmulos e se rasga o véu do templo, as forças de Nosso Senhor vão-lhe falhando e eis que ao abandonar o corpo, deixa cair a cabeça e expira: «Tudo está consumado».

Todos aqueles que estavam com Jesus, por causa da força com que proferiu as Suas últimas palavras, contemplam-no silenciosamente, e vendo-o expirar dizem: o Senhor morreu!

O Autor da Vida morreu!

«Vem minha alma, levanta os olhos e contempla o Cordeiro Divino já imolado no altar da cruz; lembra-te que Ele é o Filho predilecto do Pai e que morreu pelo amor que te tem dedicado. Vê esses braços abertos para te acolherem, a cabeça inclinada e o lado perfurado para te receber.»

Santo Afonso convida-nos a olhar para o amor com que Jesus nos ama e que culminou na cruz. Deus não poupou a Sua própria pessoa para demonstrar o quanto nos ama.

«Meu Jesus, lançai sobre mim um esse olhar afectuoso com que me olháveis da cruz, olhai-me, iluminai-me e perdoai-me! Perdoai-me em particular a ingratidão que tenho para convosco, pensando tão pouco na Vossa Paixão e no amor que nela me tendes demonstrado».

Ao contemplarmos o triste cenário da morte do Autor da Vida no madeiro da cruz, detenhamo-nos naquilo que foi esta entrega. Jesus padeceu, foi açoitado, coroado de espinhos, pregado num madeiro e posto à vista de todos. Muitos  foram aqueles que O escarneceram e duvidaram da Sua Divindade.

Quantas vezes, também nós o açoitamos com os nossos pecados? Sem termos consciência do que Jesus sofreu ao ser trespassado por aqueles pregos, ofendemo-lo, ofendemos a Sua Santa Mãe e carregamos ainda mais nos cravos que chagaram as Suas benditas mãos.

Ó Maria, minha Mãe e Mãe das Dores, Vós que chorastes amargamente a morte do Vosso Filho no madeiro da cruz, purificai-me com as Vossas lágrimas, para que me emende e procure, em tudo e sempre, ser verdadeiramente um filho amado de Deus Pai Todo-Poderoso.


quinta-feira, 28 de março de 2013

Quinta-feira Santa: o dia do Amor


«Um pai amoroso nunca demonstra melhor a sua ternura e o seu afecto para com os seus filhos do que no fim da sua vida, quando os vê em torno do seu leito, aflitos e com olhos de pranto, e pensa que em breve deve abandoná-los. Tira do seu coração e põe sobre os seus lábios o resto da sua vida, abraça os filhos e exorta-os a serem sempre bons, imprimindo-lhes no rosto os mais ternos sentimentos. Por fim, relembra sempre o amor que dedicou durante a sua vida aos filhos.»

Santo Afonso Maria Ligório usa esta imagem para nos descrever como foi, no decorrer da Última Ceia, a despedida de Jesus para com os seus discípulos, horas antes de dar a Sua vida na Cruz.

Jesus Cristo, verdadeiro Pai da nossa alma, embora em toda a Sua vida nos tivesse dado provas do seu amor infinito, quando chegou o termo dos seus dias, quis dar-nos a prova mais patente: a instituição do Santíssimo Sacramento, e por isso, na noite em que sabia que ia ser entregue por um dos Seus discípulos, reuniu-os ao Seu redor e instituiu a Santíssima Eucaristia.

Escondido debaixo das espécies sacramentais, Jesus deixou-nos o Seu Corpo, Alma e Divindade - inteiramente todo o Seu ser. Jesus quis fazer-se nosso sustento, a fim de que, intimamente ligado à nossa alma, nos santifique com a Sua presença.

Será que neste dia em que celebramos a instituição da Santíssima Eucaristia, e durante todo o ano temos consciência de que é verdadeiramente o Corpo, Sangue Alma e a Divindade de Jesus que comungamos? As nossas atitudes depois da Santa Missa são correspondentes de quem é Sacrário Vivo e que guarda em si mesmo Jesus Morto e Crucificado por nós?

Procuremos avivar a nossa fé para recebê-Lo com as devidas disposições, dilatando o nosso coração pela confiança e lembrando-nos que Ele vem até nós porque nos ama e para nos enriquecer com as Suas graças.

Humilhemo-nos perante a Sua Divina Majestade e lembremo-nos que, muitas vezes, em vez de O amarmos, O temos magoado e Lhe voltado as costas, desprezando o Seu amor para connosco.

Façamos nossas as sábias palavras do doutor angélico, Santo Afonso:
«Vinde, ó Meu Jesus. Vinde depressa e não tardeis. Ó meu único e infinito Bem, meu tesouro, minha vida, meu amor, meu paraíso, quisera receber-Vos com aquele amor que Vos receberam as almas mais santas e puras, com que Vos recebeu Maria Santíssima.

Santíssima Virgem e minha Mãe querida, dai-me hoje o Vosso Jesus, assim como O destes aos pastores e aos Magos. Desejo recebê-Lo de Vossas mãos puríssimas. Dizei-lhe que sou Vosso servo e devoto, porque assim me olhará com olhar mais amoroso e me apertará mais estreitamente contra o Seu Coração, quando vier a mim.»


Missa Crismal - Sé de Lisboa

Transmissão em Directo da Sé Patriarcal de Lisboa - Missa Crismal, com Sua Exa. Reverendíssima, D. José Policarpo, Cardeal-Patriarca de Lisboa.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Meditações para a Semana Santa: Jesus é coroado de espinhos


Nesta quarta-feira da Semana Santa, contemplemos os outros bárbaros suplícios que os soldados infligiram a Nosso Senhor já tão atormentado. Como afirma São João Crisóstomo, subordinados pelo dinheiro dos judeus, reúnem ao redor de Jesus toda a corte, põem-lhe aos ombros um manto escarlate como que a servir de manto real, nas mãos uma cana a servir de ceptro e sobre a cabeça um feixe de espinhos a servir de coroa.

Oh meu Jesus e meu rei! Quanto sofrestes Vós nas mãos dos algozes. Já não bastavam os açoites e a condenação, como ainda Vos escarneceram e troçaram de Vós!

Os espinhos da coroa eram carregados sobre a cabeça de Jesus, com a força das mãos dos malfeitores e cravavam-se-Lhe na Sua Sagrada Face. Gotas de Sangue escorriam no rosto de Jesus. Imaginemos o quanto sofreu o nosso Salvador com aqueles espinhos todos a perfurarem-lhe a testa e a cabeça.

Mas como, para os soldados, isso não bastava, ainda pegaram na cana que 'servia de ceptro' e enquanto O escarravam o rosto, batiam-lhe também no rosto com toda a força sobre a cruel coroa e rios de sangue corriam da cabeça ferida até ao resto do corpo.

Santo Afonso, ao meditar nestes momentos da vida de Jesus, exclama: «Minha alma, prostra-te aos pés do teu Senhor coroado; detesta os teus consentimentos pecaminosos, e roga-Lhe para que, também a ti, te trespasse um daqueles espinhos, consagrados pelo Seu Preciosíssimo Sangue, a fim de que não O voltes a ofender».

Voltando outra vez Jesus ao Pretório de Pilatos, depois da flagelação e da coroação de espinhos, este, ao vê-lo todo dilacerado e  desfigurado, pensou em como comover o povo à compaixão e apresentou-O ao povo dizendo: "Ecce homo" - Eis o Homem.  E nós? Como nos deteríamos diante de tão triste espectáculo? Como reagiríamos ao ver Jesus naquele estado diante de nós? De certo faríamos como Pilatos e lavaríamos as mãos. Quantas vezes os nossos pecados ferem o coração dilacerado de Jesus e não nos importa a forma como Ele é escarnecido e maltratado?

«Ah, Meu Jesus! Quantos papéis de teatro Vos fizeram os homens representar, mas todos eles de dor e ignomínia! Ó dulcíssimo Redentor, não encontraste compaixão diante daqueles homens atrozes!»

Também nós, quando ferimos Jesus com os nossos pecados dizemos-Lhe, como disseram os judeus, «crucifica-O, crucifica-O». Hoje, detenhamo-nos no arrependimento dos nossos pecados, mais do que todos os outros males que afligem a nossa alma, e procuremos fazer nossas as palavras de Santo Afonso: «Amo-Vos sobre todas as coisas, ó Deus da minha alma. Perdoai-me pelos merecimentos da Vossa Paixão. Ó Mãe das Dores, fazei que no dia do juízo, eu seja salvo pelo Vosso Filho!».


terça-feira, 26 de março de 2013

Meditações para a Semana Santa: Jesus é açoitado


Vendo que tinham falhado as tentativas de libertar Jesus, Pilatos convoca os judeus e diz-lhes: "Apresentastes-me este homem como um agitador; não encontro nele culpa alguma, tal como Herodes também não encontrou. Todavia, para vos contentar, mandarei castigá-lo e depois mandá-lo-ei embora"

A propósito desta inocente condenação, Santo Afonso Maria Ligório pergunta: «mas qual é o castigo, ó Pilatos, a quem condenas este inocente? Vais condená-l'O a ser açoitado? A um inocente infliges com uma pena tão cruel e vergonhosa?»


Tunc ergo apprenhendit Pilatus Iesum, et flagellavit 
 «Então Pilatos tomou Jesus e mandou que O açoitassem».

Contemplemos a forma como, depois de uma ordem tão injusta, os algozes agarram Jesus, e entre gritos e alaridos o levam ao Pretório e o prendem a uma coluna. E Jesus, que faz Jesus? Humilde e submisso, aceita os nossos por nossos pecados o tormento. Muitas dezenas de chicotadas Lhe são aplicadas.

São os nossos pecados que são cravados nas costas e no peito do Redentor. Cada chicotada terminada em pontas de ferro que cruelmente fere a Nosso Senhor são as vezes que O negamos, as vezes que desprezamos os outros e que cruelmente, fazemos mal aos mais pobres e aos oprimidos.

Por certo, já muitas vezes 'chicoteamos' Jesus. Quantas vezes preferimos o pecado? Quantas vezes lhe virámos as costas achando que somos capazes de viver sem Deus? Uma a uma, as dezenas de chicotadas que os algozes proferem contra Jesus, são os nossos pecados que diariamente são feitos contra o Sacratíssimo Coração do Manso Cordeiro.

«Ó minha alma, queres ser do número daqueles que indiferentes contempla Jesus açoitado? Considera a dor, e mais ainda o amor com que o teu Dulcíssimo Senhor padece por ti tão grande suplício. Com certeza, entre os açoites, Jesus pensava em ti! Se Ele tivesse sofrido por amor de ti um só golpe, já devias estar abrasado de amor para com Ele.»

O corpo de Jesus começa a sangrar por toda a parte. Numa palavra, Jesus é reduzido a uma estado tão lastimável que parece um leproso coberto de chagas. Mas para que tudo isso? Para nos livrar dos suplícios eternos.

«Ah, meu Jesus, meu Cordeiro Inocente! Os algozes não só Vos tiram a lã, como a pele e a carne. É esse o Baptismo de sangue pelo qual suspirastes durante toda a vida. Meu Senhor, como poderei duvidar do Vosso amor, vendo-Vos ferido e dilacerado por meu amor? Cada chaga é uma prova inegável do afecto que me tendes. (...) Aceitai-me e ajudai-me a ser-Vos fiel.» 


segunda-feira, 25 de março de 2013

Meditações para a Semana Santa: Jesus é levado a Pilatos


No decorrer da Semana Santa, a JMV Sobreiro irá meditar sobre os últimos momentos da vida terrena de Jesus antes do Santo Sacrifício no Monte Calvário. No início da Semana, Jesus entrou em Jerusalém montado num pequeno jumento, sendo aclamado pelos judeus com rei. «Hossana ao Filho de David! Bendito o que vem em nome do Senhor!»

Menos de uma semana depois, Jesus é condenado à morte, carrega aos ombros a cruz dos pecados da Humanidade e é morto no Calvário. Do Seu lado saem sangue e água, quando o soldado romano o trespassa com uma lança. Da cruz, instrumento de morte daquela época, nasce a vida eterna para o Homem. Deus estabelece a nova e eterna aliança através do Sangue de Seu amado Filho que foi derramado na cruz.

«Ao amanhecer, os príncipes dos sacerdotes declaram Jesus réu de morte e depois conduzem-no a Pilatos, a fim de que este o condene a morrer crucificado. Pilatos, tendo interrogado diversas vezes, tanto os Judeus como o nosso Salvador, reconhece que Jesus é inocente e que todas as acusações são calúnias. Sai para fora e declara que não  encontra em Jesus culpa alguma para condená-lo. Após a revolta dos Judeus, e sabendo que Jesus era da Galileia, encaminha-O para Herodes»

Quantas vezes, também nós, em vez de nos afirmarmos e de irmos contra as opiniões do mundo, no que toca às questões que atentam contra a vida humana e contra a fé, "limpamos as mãos" e passamos para os outros a responsabilidade? Quantas vezes pecamos por omissão...

«Herodes , vendo que Jesus não lhe respondia, desprezou-o e tratando-o como um doido, escarneceu d'Ele, mandando-o vestir uma túnica, manietando-o com toda a corte, acabando por envia-l'O novamente para Pilatos»

Santo Afonso Maria Ligório medita sobre os últimos momentos da vida de Jesus e convida todos a meditarem na forma como os nossos pecados foram a causa do sofrimento do Redentor:
 «Ó meu desprezado Salvador, faltava-Vos ainda esta injúria, a de ser tratado como um doido. Cristãos, vede como o mundo trata a Sabedoria Eterna! Feliz de quem se compraz em ser considerado com um doido pelo mundo, e não quer saber de outra coisa senão de Jesus Crucificado, amando os sofrimentos e os desprezos.»

De novo junto de Pilatos, Jesus é posto ao lado de Barrabás, um abominável salteador e pecador, para que o povo escolha qual deles quer que seja libertado. "Solta antes Barrabás! E que quereis que faça com Jesus, o Nazareno? .... Seja crucificado!"

Perante esta escolha que é posta aos judeus: o Filho de Deus ou um pecador, Santo Afonso compara com todas as vezes que na nossa vida optamos pelo que é mundano e fruto do pecado e do mal, ao invés de escolher a Jesus.

«Ai de mim, meu Senhor! Todas as vezes que cometi o pecado, fiz como os judeus. A mim também se perguntava o que desejava: a Vós ou ao vil prazer. Hoje estou arrependido de todo o coração e digo que prefiro a Vossa graça a todos os prazeres e tesouros do mundo. Ó Bem infinito, ó meu Jesus, amo-Vos acima de todos os outros bens; só a Vós quero e nada mais. Ó Mãe das Dores, minha Mãe Maria, impetrai-me a santa perseverança!»


Via Sacra no Sobreiro - Com Jesus até ao Calvário


Na tarde do passado sábado da Paixão (dia antes do Domingo de Ramos), a JMV Sobreiro meditou na Via Sacra juntamente com a comunidade. Ao anoitecer, em clima de recolhimento e oração, foram representadas as catorze estações que relembram o caminho que Jesus fez desde que foi condenado à morte até à Sua sepultura.

Subimos com Jesus ao Calvário e meditámos no Seu sofrimento, descobrindo como é profundo o amor que Ele teve e tem por nós. O objectivo foi que todos os presentes não tivessem apenas umas 'simples compaixão', mas sim que todos se sentissem participantes do sofrimento de Jesus, acompanhando o nosso mestre e compartilhando a Sua Paixão na nossa vida, na vida da Igreja e na do mundo.


Ao longo da Oração da Via Sacra, recordamos como Jesus, manso e humilde de coração é tratado como um dos maiores criminosos do Seu tempo. É humilhado, maltratado, cuspido e, por fim, é-lhe colocado o pesado madeiro aos ombros. A juntar ao peso físico da cruz, está o peso dos pecados de toda a humanidade. Ele quer carregá-los, quer tomar sobre Si as nossas faltas, para delas nos libertar. Quanto amor! Quanto amor Jesus tem por nós, que tudo suporta, ao ponto de sofrer tanto e dar a vida pelos que ama!

Recordamos também o encontro de Jesus com Sua Mãe, com as mulheres de Jerusalém que tristemente choram por ver o Messias carregando a cruz às costas, coberto de chagas; e com Verónica, a mulher que corre para lhe limpar o rosto. Quanto amor está presente neste gesto. Uma simples mulher acorre para limpar a sagrada face de Jesus, todas as gotas de sangue que escorrem por nosso amor são embebidas pelo pano de Verónica.

Ao chegar ao Calvário Jesus é pregado na cruz. Longos e duros pregos perfuram a Sua Carne. O Seu sangue escorre pelo corpo, já totalmente desfigurado… Uma tortura tremenda. Uma dor imensa! E enquanto está suspenso na cruz, muitos são aqueles que O escarnecem e provocam dizendo: “Salvou os outros e não se pode salvar?!" ... Assim foi escarnecida não somente a Sua pessoa, mas também a sua missão de salvação, aquela missão que Jesus estava precisamente a cumprir, cravado na Cruz.

Mas, no Seu íntimo, Jesus conhece um sofrimento incomparavelmente maior, que lhe faz irromper num grito: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?” . Quantas vezes, no meio de uma provação, pensamos que fomos esquecidos ou abandonados por Deus. Ou somos tentados a concluir que Deus não existe?

Ao som de bonitos cânticos foram intercaladas as catorze estações da Via-Sacra. Por fim, Jesus é descido da cruz. Prontos a acolhê-lo estão os Imaculados braços de Sua Mãe. O corpo frio de Jesus, com o Seu rosto desfigurado repousa nos braços carinhosos desta Mãe Dolorosa, que chora de tristeza e amargura, depois de ter assistido à agonia e à morte de Seu Filho.

Com a pedra que fecha a entrada do túmulo, tudo parece verdadeiramente terminado. Porém, poderia permanecer prisioneiro da morte o Autor da vida? Recolhidos em oração, Maria e os Apóstolos, em silêncio, oferecem a sua dor a Deus. Confiam sempre. Mesmo na noite mais escura, como foi esta que se seguiu à morte de Jesus, eles confiam… Acreditam… Esperam…


Diante do túmulo de Jesus, também nós nos detivemos em oração. Mais do que uma mera representação de passagens bíblicas e da tradição da Igreja, este fim de tarde foi um momento de oração profundo. Cada um dos presentes tomou consciência que foi por seu amor que Jesus sofreu e foi crucificado. Foi para a salvação das nossas almas que o Divino Sangue do Redentor foi derramado sob o madeiro da cruz.

Com a Virgem Santíssima, Senhora das Dores, procuremos viver estes últimos dias que nos separam no mistério Pascal, com o coração arrependido e contrito. Procuremos também, durante a Semana Santa criar em nós o desejo de amar a Jesus, Manso e Humilde Cordeiro que derramou o Seu sangue por nós no Calvário.

Que a meditação na Via-Sacra nos ajude a perceber o quão importante foi a Paixão e Morte de Jesus. Pelas Suas chagas fomos curados, pelo Seu sangue fomos remidos e pela Sua morte, fomos salvos.


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