"Raios de Luz"


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

"Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo"

No Evangelho deste Domingo, o XXIV do Tempo Comum, vamos ouvir um diálogo entre São Pedro e Jesus.

Depois de proclamar Jesus como o Messias, Pedro escandaliza-se com as palavras de Cristo, que começa a falar da Sua Paixão e tenta explicar que a Sua missão passa necessariamente por sofrer e morrer. 

O pescador não quer aceitar que o Seu Mestre seja rejeitado e que tenha de sofrer muito, para depois morrer crucificado. Ele não percebe que tudo isso faz parte do plano de Deus Pai para a redenção da humanidade e chama Jesus à parte para O contrariar. Reconhecendo nas palavras de Pedro uma verdadeira influência diabólica, Jesus dirige-se a ele duramente:  “Vai-te, Satanás, porque não compreendes as coisas de Deus, mas só as dos homens”.

De facto, se pela morte de Cristo fomos libertos do pecado e da morte eterna, como poderia o Demónio aceitar todo esse sofrimento que Jesus viria a sofrer na Sua Paixão, se foi por esse mesmo sacrifício que Ele nos abriu a porta do Céu, fechada pelo pecado de Adão?

Jesus repreende Pedro severamente porque reconhece que o Príncipe dos Apóstolos está a deixar-se levar por pensamentos meramente humanos, influenciado pelo Maligno.

A Cristo interessa que todos – principalmente Pedro, a quem Ele confiou as chaves da Sua Igreja – conheçam a Verdade e que não se deixem enganar:

«Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Na verdade, quem quiser salvar a sua vida há-de perdê-la; mas quem perder a sua vida por causa de Mim e do Evangelho, salvá-la-á».

Se nos dizemos cristãos, temos de nos assemelhar com Jesus Cristo. E se Ele teve de tomar a Sua cruz e de sofrer até à morte, não teremos nós também de carregar a nossa cruz para sermos dignos de O seguir?

Reparemos que Jesus faz um aviso muito sério, ainda mais sério nos dias de hoje, em que tudo tende para o facilitismo, para a auto-suficiência e para o prazer. Jesus pede em primeiro lugar para renunciarmos a nós mesmos, ou seja, dizermos NÃO a tudo aquilo que nos torna fechados, mesquinhos, a tudo aquilo que nos afasta d’Ele. Renunciarmos a nós mesmos é tentar controlar e moderar aqueles desejos, acções ou pensamentos que existem em nós mas que não são dignas de um católico.

Depois então, Jesus pede para aceitarmos a nossa cruz com amor, como Ele aceitou a Sua. Esta cruz – ou cruzes - são as dificuldades, as crises materiais e espirituais que vão aparecendo na vida, são as calúnias, a perseguição e tudo aquilo que sofremos por professarmos a Fé da Igreja, a Fé em Jesus Cristo.

Logo em seguida, Jesus avisa quem escolhe desligar-se de si mesmo e decidir segui-Lo: Há o risco máximo de perdermos a vida terrena por causa de Jesus! Ao contrário das muitas seitas e falsas crenças (algumas até usam a imagem e as palavras de Cristo) que garantem o rápido bem-estar material e espiritual, dinheiro, a cura de doenças ou a conformidade com o pensamento mundano, Jesus diz claramente que o caminho para o Céu é um caminho difícil, um caminho de provações e sofrimentos. Mas garante também que quem sofrer e morrer por Sua causa, ganhará a vida eterna.

Aprendamos a pensar mais pela perspectiva de Deus e não tanto pela perspectiva meramente humana. Só assim estaremos a renunciar a nós próprios e a entregarmo-nos a Cristo, que já carregou no Madeiro todos os nossos sofrimentos e nos ajuda a suportarmos as cruzes que Deus nos envia.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

"O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas"

Quando ouvimos ou rezamos o cântico Magnificat, com o qual Nossa Senhora louvou a Deus, na visita à casa de Sua prima Santa Isabel, poderíamos pensar que Virgem Maria Se exaltou a Si mesma, pelas maravilhas que n’Ela foram feitas.

Porém, se estivermos bem atentos, vemos facilmente que na Virgem Mãe não existe falsa modéstia nem desejo de Se exaltar. Não nega nem esconde as maravilhas que Deus fez n’Ela, mas logo em seguida glorifica a Deus, o Autor de tantas e tão belas maravilhas: “O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o Seu nome.” (Lc  1, 46-55)

E que maravilhas fez Deus em Maria? O Criador fez com que Ela fosse concebida Imaculada, sem a mancha do pecado original, encheu-a de graças celestes, preservou-a de todo o pecado ao longo da Sua vida, fez d’Ela nascer o Seu Filho Jesus Cristo, confiou a Igreja primitiva à Sua protecção e, por fim, não deixou que a morte corrompesse a carne da mais santa das mulheres e elevou-A em corpo e alma ao Céu.

Não admira, portanto, que Nossa Senhora se alegre em Deus e O louve por tudo o que Ele fez n’Ela e através d’Ela. Por isso, por ser a Cheia de Graça, também reconhece o quanto Deus quer que Ela seja amada e venerada, dizendo no mesmo cântico, em tom profético: “De hoje em diante, todas as gerações me hão-de chamar bem-aventurada”. (Lc 1, 48)

Na nossa vida, muitas vezes somos falsamente modestos. Para recebermos ainda mais elogios, para sermos politicamente correctos ou porque fica bem, negamos ou minimizamos o que fazemos de bom. Assim, não estamos a dar valor às graças que nos foram concedidas por Deus e, em última análise, a sermos mentirosos. Outras vezes, por vergonha, não usamos as nossas qualidades e aptidões para testemunharmos e anunciarmos a nossa Fé.

Ou então, pelo contrário, gostamos muito de apregoar aos quatro ventos aquilo que de bom fazemos, as vitórias que alcançamos, a mostrar ao mundo aquilo em que somos bons, esperando elogios e promoções, procurando um reconhecimento e, com frequência,  mostramo-nos orgulhosamente como “os melhores do mundo”, por termos conseguido alguma coisa em que até nos esforçámos…

Mas Maria, se por um lado sempre reconheceu que Deus tinha feita n’Ela maravilhas, por outro sempre quis deixar bem claro que tudo o que era, tudo o que tinha, todas as Suas qualidades e privilégios eram fruto da bondade de Nosso Senhor para com Ela e para com o mundo que precisava de ser salvo por Aquele que viria a ser Seu Filho!

Como estamos longe do exemplo de Nossa Senhora! Ela, a criatura humana que mais razões tinha para Se exaltar, quis manter-se na Sua pequenez e humildade. E, por Se humilhar, foi exaltada acima dos Anjos e é agora a Rainha do Céu e da Terra. E nós pensamos que, só pelos nossos méritos pequeninos, conseguimos grandes coisas, esquecendo-nos que sem Deus nada podemos fazer, nem sequer existir…

Aprendamos com a nossa Mãe do Céu a agradecer e a louvar a Deus, em primeiro lugar, pelas maravilhas que Ele faz continuamente em nós, por nós e para nós. Depois, aprendamos com Nossa Senhora a deixar que essas maravilhas conduzam os outros até Deus. E por fim, peçamos à Virgem Santíssima o dom de reconhecermos todas as maravilhas que Deus faz em nós, para podermos um dia cantar com Ela e como Ela: 

“Maravilhas fez em mim
Minh'alma canta de gozo
Pois na minha pequenez
Se detiveram Seus olhos
E o Santo e Poderoso
Espera hoje por meu sim.
Minha alma canta de gozo,
Maravilhas fez em mim.

Maravilhas fez em mim
Da alma brota meu canto
O Senhor me amou
Mais que aos lírios do campo
E por Seu Espírito Santo
Ele habita hoje em mim
Que não pare nunca este canto
Maravilhas fez em mim.”

Para ter acesso ao audio deste cântico, clique no seguinte   link.

domingo, 9 de setembro de 2012

Noite de Oração de início de ano


No passado dia 28 de Agosto, a JMV Sobreiro reuniu-se para dar início a mais um ano de actividades.

Este encontro começou com um momento de oração e reflexão pessoal na Capela do Santíssimo Sacramento da Igreja do Sobreiro.

Cada jovem, após receber uma carta a si endereçada, foi convidado a lê-la e a reflectir nas palavras que Jesus, por meio do Papa João Paulo II, dirigia naquele momento a cada um.

Reproduzimos aqui a carta que convidava cada jovem a ser Santo no seu ambiente de estudo e de trabalho:  

“Precisamos de Santos sem véu ou batina.

Precisamos de Santos de calças de ganga e ténis.

Precisamos de Santos que vão cinema, ouçam música e passeiem com os amigos.

Precisamos de Santos que coloquem Deus em primeiro lugar, mas que se empenhem também na faculdade.

Precisamos de Santos que tenham todos os dias tempo para rezar e que saibam namorar na pureza e na castidade, ou que a consagrem a Deus.

Precisamos de Santos modernos, Santos do século XXI com uma espiritualidade inserida no nosso tempo.

Precisamos de Santos comprometidos com os pobres e com as necessárias mudanças sociais.
Precisamos de Santos que bebam Coca-Cola e comam fast-food, que usem calças de ganga e que usem Internet.

Precisamos de Santos que amem a Eucaristia e que não tenham vergonha de beber refrigerante ou comer pizza no fim-de-semana com os amigos.

Precisamos de Santos que gostem de cinema, de teatro, de música, de dança, de desporto.
Precisamos de Santos sociáveis, abertos, normais, amigos, alegres, companheiros.

Precisamos de Santos que estejam no mundo; e que saibam saborear as coisas puras e boas do mundo, mas que não sejam mundanos.”

(Papa João Paulo II)


Após meditar nestas palavras, um a um foi dirigindo-se para a sala do Grupo, na qual se ia cantando um cântico de acção de graças pelas maravilhas que Deus faz todos os dias em cada um.

Já todos reunidos na sala, fez-se uma dinâmica em que se reflectia na maneira como as pessoas vivem a sua vida e nas implicações que as suas atitudes têm na vida dos outros.  

O Grupo concluiu que é partilhando a vida com o outro, encontrando na Cruz de Jesus um sentido para as vivências pessoais, que cada vida fica mais completa e “colorida”.

No final da reunião, ficou agendado para dia 22 de Setembro um retiro para rezar, reflectir e planear o novo ano de actividades.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Natividade da Virgem Santa Maria



“Se Maria tivesse nascido imediatamente após a Sua Imaculada Conceição, já teria vindo ao mundo mais rica em méritos e mais Santa do que toda a corte dos Santos. Imaginemos, agora, quanto mais Santa nasceu a Virgem, vendo a luz do mundo só depois de nove meses, os quais passou a adquirir novos privilégios e graças no seio materno!”

(Santo Afonso Maria de Ligório)

No dia 8 de Setembro a Igreja celebra a Festa da Natividade de Nossa Senhora, lembrando o Seu nascimento, precisamente nove meses depois da Sua Imaculada Conceição.

Este é o dia em que Deus começa a pôr em prática o Seu plano de salvação, pois era necessário que se construísse a casa, antes que Nosso Senhor descesse do Céu para n’Ela habitar. Esta casa - que é Maria - foi construída de modo perfeito, pela própria mão de Deus, com todas as graças necessárias para que por Ela, viesse ao mundo o Criador do Universo.

Depois de ter sido maravilhosamente concebida sem a mais leve sombra do pecado, a Menina Celeste aparece na Terra como promessa de Salvação, como a aurora que anuncia o Sol.

Nasce de uma idosa estéril, para que este acontecimento se torne ainda mais admirável, no meio de lágrimas, penitências e orações que São Joaquim e Santa Ana faziam para alcançarem a graça de serem pais.

E assim, um casal estéril dá ao mundo a nova Arca da Aliança, o Sacrário Vivo, Aquela que, por Sua vez, dará a humanidade ao próprio Deus. Deste casal nasce uma menina, que se tornará n’Aquela que há-de vencer todas as seduções do Mal durante a Sua vida e que há-de esmagar a cabeça do Demónio com o Seu calcanhar virginal.

Este dia é de alegria no Céu e na Terra: Os Anjos alegram-se, rodeiam o berço e cantam Hinos a esta Santíssima Menina, pois as portas do Paraíso estão prestes a ser de novo abertas. Os homens exultam, pois na noite do mundo já desponta a suave aurora d’Aquela que traz a Luz à humanidade.


Hino de Vésperas da Liturgia das Horas


Convosco, Virgem Maria,
Vencedora da Serpente,
Convosco nasceu o dia
Da manhã mais refulgente.

Quando Deus Vos escolheu
Para nos dardes Jesus,
Foi a alegria do Céu
Que encheu o mundo de luz.

Sem pecado concebida,
Isenta de todo o mal,
Sois a vara reflorida
Da velha estirpe real.

Mas Vossa maior grandeza,
Na terra como nos Céus,
Vem da excelsa realeza
De serdes a Mãe de Deus.

Os Anjos cantam nos Céus,
Na terra cantamos nós.
Louvamos convosco a Deus,
Louvamos a Deus por Vós.

sábado, 18 de agosto de 2012

Quarta Aparição de Nossa Senhora em Fátima - 19 Agosto de 1917


Era meio-dia de 13 de Maio de 1917, quando Nossa Senhora apareceu pela primeira vez a três Pastorinhos em Fátima. Depois do assombro e da surpresa inicial, Lúcia perguntou à Branca Senhora:  

- “Que é que vocemessê me quer?” 

Ao que a Virgem respondeu: 

-“Quero que venham aqui, durante seis meses seguidos, nos dias 13 a esta mesma hora. Depois direi quem sou e o que quero”.

Os Pastorinhos assumiram então o compromisso de se deslocarem à Cova da Iria todos os meses, para responderem ao pedido da Senhora. 

Rapidamente a notícia das aparições se espalhou e, nos meses seguintes, já multidões se juntavam no lugar escolhido pela Mãe de Deus para aparecer às três crianças. Esta situação não agradou ao Administrador de Ourém – freguesia a que Fátima pertencia.

Ele era republicano, ateu e inimigo da Religião. No dia 13 de Agosto, deslocou-se a casa dos videntes e prontificou-se a levar no seu carro os Pastorinhos até à Cova da Iria. Apesar de alguma resistência por parte dos pais, lá os convenceu a deixarem as crianças irem com ele. Mas tudo não passava de uma armadilha.

As crianças foram levadas pelo Administrador para a cadeia, onde estiveram durante dois longos dias sujeitas a interrogatórios constantes, pressões para negarem as aparições e até receberam dolorosas ameaças de morte. Mas eles mantiveram-se sempre firmes na verdade e na oração. Furioso, e vendo que nada conseguia dos pequeninos pastores, o Administrador libertou-os no dia 15, festa da Assunção de Nossa Senhora.

No dia 19 de Agosto, estava a Lúcia a pastorear com o Francisco e com o seu irmão mais velho, João, num lugar chamado Valinhos, nas proximidades de Fátima. De repente, a Lúcia viu o habitual relâmpago e assistiu a um empalidecer do sol. Percebendo que Nossa Senhora estava a chegar, mandou chamar a Jacinta à pressa. Assim que chegou a mais pequenina dos videntes, viram Nossa Senhora, que lhes disse com bondade e tristeza: “Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores. Vão muitas almas para o Inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas”.

A melhor maneira de louvarmos e de mostrarmos que amamos a Virgem Santíssima é fazermos o que Ela pediu. Pensemos no Seu Imaculado Coração aflito, por ver tantos filho a caminho do abismo.

Ao lembrarmos hoje a quarta aparição de Nossa Senhora de Fátima nos Valinhos, respondamos ao apelo da Mãe do Céu e, imitando os Pastorinhos de Fátima, rezemos o Terço pelos pecadores e pela sua conversão.


terça-feira, 14 de agosto de 2012

A Imaculada Mãe de Deus foi elevada ao Céu


“A Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi elevada em corpo e alma à glória celestial. Pelo que, se alguém, o que Deus não permita, ousar, voluntariamente, negar ou pôr em dúvida esta nossa definição, saiba que naufraga na Fé Divina e Católica.”

Os cristãos sempre tiveram a convicção de que a Virgem Maria não experimentou a corrupção do sepulcro, mas que, no momento em que acabava a sua vida na Terra, foi elevada em corpo e alma aos Céus. Como escreve São João Damasceno, “convinha que Aquela que guardara intacta a virgindade no parto, conservasse o Seu corpo imune de toda a corrupção, mesmo depois da morte”.

Jesus, o Vencedor da morte, não podia permitir que a Sua Mãe admirável fosse sujeita a corrupção, Ela que não conheceu sequer a sombra do pecado. Como poderia a corrupção da morte ousar atacar a carne virginal da qual tinha nascido o Criador do mundo e Autor da vida?

Todos os privilégios de Maria estão relacionados com a Sua Maternidade Divina e, portanto, com a nossa Redenção. Maria elevada aos Céus é a imagem e antecipação da Igreja que se encontra ainda a caminho da Pátria Celeste. Ela é a certeza e a prova de que os Seus filhos estarão um dia com o corpo glorificado junto de Cristo glorioso.

Nunca em nenhum lugar da cristandade ouviremos nem sequer um rumor acerca da localização do corpo de Maria Santíssima. Há tantas igrejas em tantos lugares do mundo que afirmam com entusiasmo que possuem as relíquias deste ou daquele santo... Mas nunca de Nossa Senhora. Nós sabemos onde está o Seu corpo: no Céu.

Olhando para o final feliz da vida de Nossa Senhora, compreendemos melhor a alegria de sermos sempre fiéis a Deus e à Igreja. Com os olhos postos no Paraíso, perguntemo-nos muitas vezes: “O que tenho feito para alcançar o Céu?”

A nossa vontade de participar na Vida Eterna cresce quando meditamos na nossa Mãe Celeste que nos vê e nos contempla lá do Alto, com o seu olhar cheio de ternura. Ela é a nossa grande intercessora junto do Altíssimo! Confiando em Nossa Senhora, pedimos que nos ajude, agora e na hora da nossa morte:

Rainha elevada ao Céu em corpo e alma, rogai por nós!

quarta-feira, 11 de julho de 2012

13 de Julho e os ensinamentos de Nossa Senhora


Fátima, 13 de Julho de 1917

«... Tomando um  aspecto mais triste, Nossa Senhora disse-nos:

“Sacrificai-vos pelos pecadores, e dizei muitas vezes, em especial sempre que fizerdes algum sacrifício: ‘ Ó meu Jesus, é por Vosso Amor, pela conversão dos pecadores e em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria’ “.

Ao dizer essas palavras, Nossa Senhora abriu de novo as mãos, como nos dois meses anteriores. O reflexo de luz pareceu penetrar na terra, e vimos um mar de fogo.

E mergulhados nesse fogo, estavam os demónios e as almas condenadas, como se fossem brasas transparentes e negras, ou bronzeadas, com forma humana, que flutuavam nesse incêndio, levadas pelas chamas que delas mesmas saíam, juntamente com nuvens de fumo caindo para todos os lados, semelhantes ao cair das fagulhas nos grandes incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero, que horrorizaram e faziam estremecer de pavor. Os demónios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas incandescentes como negros carvões em brasa.

Assustados e como que a pedir socorro, levantámos a vista para Nossa Senhora, que nos disse com bondade e tristeza:

“Vistes o Inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores! ...»


Nos dias de hoje tenta-se desacreditar, abafar e até mesmo negar algumas verdades de Fé divinamente reveladas por Deus através da Sua Igreja.

A verdade de Fé que ensina a existência de Satanás como inimigo da nossa alma e do Inferno como lugar de tormentos eternos, é incómoda para um mundo secularizado, que vê nas coisas materiais o maior dos males, que idolatra o bem-estar e exalta o prazer. Até nas igrejas, falar ou pregar sobre a doutrina do Inferno é quase inaceitável para quem acredita num Deus que é Amor, esquecendo que, a par desse Amor infinito e perfeito, Ele é também perfeitamente Justo.

Mas mais inaceitável ainda é falar às crianças da catequese desse lugar terrível. Há o medo infundado de “assustar” as crianças. Assim, prefere-se omitir este dogma, sobrepondo uma importantíssima necessidade espiritual a um (baixo) risco, meramente humano, de “traumatizar” os mais pequeninos.

Prevendo estes dias de falta de fé e de descrença, a Virgem Santíssima quis, no dia 13 de Julho de 1917, provar a existência do Inferno, alertando o mundo que este é verdadeiramente um lugar de tormentos eternos e que não está vazio.

E como o fez? A Mãe do Céu não se limitou a dizer aos Pastorinhos que o Inferno existe ou a descrevê-lo. Isso bastaria para eles acreditarem. Mas não! Ela não hesitou em mostrá-lo, sem aviso, a três crianças inocentes, a mais pequenas das quais com apenas 7 anos de idade! E qual foi a consequência desta visão, após o susto inicial? Pesadelos?  Stress pós-traumático? Choro compulsivo e desejo de não querer voltar mais àquele sítio?

Não! Naquelas três crianças nasceu um profundo sentimento de “pena dos pecadores” (palavras da Jacinta) e um forte desejo de salvação das almas.

Reparemos que Nossa Senhora disse aos Pastorinhos: “Vistes o Inferno” e não “Vistes uma representação” ou “uma ideia do Inferno”. Longe de ser uma metáfora, um estado de alma ou a simples ausência de Deus, como hoje muito se divulga, a Virgem confirmou a doutrina sempre ensinada pela Igreja: o Inferno é um lugar real, "para onde vão as almas dos pobres pecadores".

Alguns anos antes das Aparições de Fátima, o Papa São Pio X dizia que “o Inferno é o sofrimento eterno, que consiste na privação de Deus, de toda a nossa esperança e felicidade, e no fogo com todos os outros males, sem bem algum”.

A Igreja sempre ensinou a doutrina do Inferno, não para que vivamos amedrontados mas sim para que estejamos alertas e vigilantes para o perigo de cair irremediavelmente nas garras do Demónio.

Lembremo-nos frequentemente desta verdade de Fé, não tanto por temor mas antes por amor a Jesus e  para nossa própria santificação. Que a lembrança de que o Inferno existe nos leve a desejar cada vez mais a conversão dos pecadores, rezando por eles, seguindo o exemplo dos Pastorinhos de Fátima.

sábado, 30 de junho de 2012

Ensinamentos de São Pedro, o primeiro Papa


Celebrámos ontem a Solenidade de São Pedro e São Paulo. 

Como podemos nós imitar o exemplo destes dois grandes Apóstolos?

Comportando-nos  como verdadeiros seguidores de Jesus Cristo, seguindo as pegadas de São Pedro e de São Pulo e cumprindo os seus ensinamentos, ao mesmo tempo que reconhecemos as tendências e propostas de vida anti-cristãs que o mundo nos apresenta:

- O mau uso da liberdade:

“Comportai-vos como homens livres, e não à maneira dos que tomam a liberdade como véu para encobrir a malícia, mas vivendo como servos de Deus.” (1 Pedro 2,16)


- A ideia de que a Fé deve ter um papel secundário nas nossas vidas:

“Sede sóbrios e vigiai. O Demónio anda ao vosso redor como o leão que ruge, buscando a quem devorar. Resisti-lhe firmes na fé.” (1 Pedro 5,8-9)

- A proliferação de seitas e falsas doutrinas, deturpando a Verdade revelada por Deus à Sua Igreja:

“Assim como houve entre o povo falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos doutores que introduzirão disfarçadamente seitas perversas. Muitos seguirão as suas desordens e serão deste modo a causa de o caminho da Verdade ser caluniado. Movidos por cobiça, eles hão de enganar-vos através de palavras cheias de astúcia.” (2 Pedro 2, 1-3)


- O incentivo aos prazeres do mundo e da carne, aos impulsos e instintos, fora do contexto de amor que é exigido para a união do homem com a mulher, no Sacramento do Matrimónio:

“Aqueles que correm com desejos impuros atrás dos prazeres da carne e desprezam a autoridade, são audaciosos, arrogantes, não temem falar injuriosamente das glórias, têm os olhos cheios de adultério e são insaciáveis no pecar.” (2 Pedro  2, 10-14)

                                                                                                                                                                                            
- A tentação de uma sociedade que insiste em convencer-nos que os ”pecados de antigamente” já não existem ou que afinal não são pecados:

Apelo às vossas recordações para despertar em vós uma sã compreensão, e para vos lembrar as profecias dos santos Profetas, bem como os mandamentos do nosso Senhor e Salvador, ensinado pelos vossos Apóstolos. Sabei antes de tudo o seguinte: nos últimos tempos virão
escarnecedores cheios de zombaria, que viverão segundo as suas próprias concupiscências”
(2 Pedro 3, 1-3)

sexta-feira, 29 de junho de 2012

SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO




“Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja. E as portas do Inferno não prevalecerão contra ela.”

A Igreja celebra no dia 29 de Junho a Solenidade de São Pedro e São Paulo.  Estes dois Apóstolos são chamados de “colunas da Igreja”, pois foi por eles e, sobretudo, pelo seu testemunho de fidelidade a Cristo que a Fé e a Doutrina da Igreja Católica se propagaram e consolidaram pelo mundo.

São Pedro, que tinha como nome Simão, era irmão do Apóstolo André. Sendo pescador,  foi chamado pelo próprio Jesus e, deixando tudo, seguiu-O. Por algumas vezes vacilou na Fé, chegando a negar Jesus na noite da Sua Paixão. Mas foi a ele que Cristo confiou a chaves do Reino dos Céus, tornando-se no Príncipe dos Apóstolos e no primeiro Papa da Igreja.

O seu apostolado terminou selado com o próprio sangue, uma vez que foi martirizado, tendo sido, segundo a tradição, crucificado de cabeça para baixo a seu próprio pedido, por não se julgar digno de morrer como Seu Senhor, Jesus Cristo.

São Paulo, antes de se converter, chamava-se Saulo e era natural de Tarso. Tornou-se fariseu zeloso, a ponto de perseguir e aprisionar os cristãos, sendo responsável pela morte de muitos deles. Converteu-se à fé cristã no caminho de Damasco, quando o próprio Senhor Ressuscitado lhe apareceu e o chamou para o apostolado.

Tornou-se um grande missionário fundando muitas comunidades cristãs. De perseguidor passou a perseguido, sofreu muito pela fé e foi coroado com o martírio, sofrendo morte por decapitação. Escreveu treze cartas e ficou conhecido como “o Apóstolo dos gentios”.

Nesta Solenidade, somos chamados a manifestar de maneira especial, o nosso carinho e fidelidade àquele que Deus colocou no Trono de Pedro, como sinal visível da unidade e santidade da Sua Igreja.

Todos os católicos são convidados neste dia a rezar pelo Santo Padre, o Papa Bento XVI para que possa, nestes tempos difíceis para a Igreja e para ele próprio, desempenhar fiel e corajosamente a sua tarefa de nos confirmar na Fé e na Verdade.

Na sua primeira carta, São Pedro dirige-se aos líderes das comunidades cristãs:

“Velai sobre o rebanho de Deus, que vos é confiado. Tende cuidado  dele, não constrangidos, mas espontaneamente; não por amor de interesse sórdido, mas com dedicação; E quando aparecer o supremo Pastor, recebereis a coroa eterna de glória.” (1 Pedro 5, 2-4)

Rezemos então pelo Papa e pela Igreja para que, um dia, o Senhor conceda ao nosso Papa Bento XVI, 264º Sucessor de São Pedro, a “coroa eterna de glória” que certamente já lhe está reservada!

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Natividade de S. João Baptista


Neste Domingo, 24 de Junho, a Igreja celebra a Natividade de São João Baptista, o único Santo do qual se comemora o nascimento, porque marcou o início do cumprimento das promessas de Deus: João é o profeta que estava destinado a preceder imediatamente o Messias para preparar o povo de Israel para a Sua vinda.

Depois de Nossa Senhora, talvez seja João Baptista o Santo mais venerado pelos Cristãos. De facto, São João e a Virgem Maria eram parentes bem próximos.

Num dos seus sermões, Santo Agostinho explica a relação entre o nascimento de São João e a vinda ao mundo do Messias, Nosso Senhor Jesus Cristo:

João nasce de uma idosa estéril. Cristo nasce de uma jovem virgem. O futuro pai de João não acredita que este possa nascer e é castigado com a perda da fala; Maria acredita, e Cristo é concebido pela fé.

(...)
Apareceu como o ponto de encontro entre os dois Testamentos, o Antigo e o Novo. O próprio Senhor o testemunha quando diz: “A Lei e os Profetas até João Baptista”. João representa o Antigo e anuncia o Novo. Porque representa o Antigo, nasce de pais velhos; porque anuncia o Novo, é declarado profeta quando está ainda no ventre de sua mãe.

(...)
O facto de Zacarias recuperar a fala ao nascer João tem o mesmo significado que o rasgar-se do véu no templo, ao morrer Cristo na cruz. Se João se anunciasse a si mesmo, Zacarias não abriria a boca. Solta-se a língua porque nasce aquele que é a voz.  João é a voz no tempo; Cristo é, desde o princípio, a Palavra Eterna.”

São João Baptista é conhecido como modelo dos discípulos e apóstolos de Cristo. Com ele, podemos aprender a ser verdadeiramente cristãos:

- Praticar a virtude da humildade:  São João nunca se deixou exaltar pela sua missão, teve a coragem de se reconhecer sempre pequeno perante Aquele que anuncia e que estava para chegar;

- Reconhecer que a nossa missão no mundo começa no primeiro instante da nossa existência, quando somos concebidos: João foi amado e querido por Deus desde o seio materno e logo chamado a uma vida de intimidade com Cristo – “Ao ouvir a voz de Maria, o menino saltou de alegria no seu seio" (Lc 1, 39-40);

- Preparar a vinda do Senhor:  Tal como São João, somos chamados a estar preparados e a preparar o mundo para o encontro com Cristo, com uma mensagem exigente e uma vida austera, diferente daquela repleta de prazeres e honras, que o mundo nos propõe.

- Pregar a penitência: Através de uma vida extremamente coerente, São João não cessava de chamar os homens à conversão, advertindo: " Arrependei-vos e convertei-vos, pois o Reino de Deus está próximo".

- A fidelidade a Deus até ao limite: O amor e fidelidade a Jesus, ao Evangelho e à Igreja tem sempre os seus riscos. Tal como São João foi morto por causa da sua missão, também nós somos chamados a defender aquilo em que acreditamos até ao extremo, dando a vida por Cristo, se necessário.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

O Reino de Deus é semelhante a uma semente que cresce

No Evangelho do XI Domingo do Tempo Comum, encontramos Jesus a ensinar através de parábolas, comparando o Reino de Deus com a semente que cresce sem que se perceba. Fala da pequenina semente de mostarda, que ao germinar transforma-se numa árvore enorme, capaz de acolher muitas aves nos seus ramos.


Jesus sabia muito bem como adaptar os Seus ensinamentos através das parábolas, pois desta maneira, as Suas palavras eram facilmente assimiladas, até mesmo pelo mais humilde dos ouvintes.

Ao comparar as sementes que o semeador lança na terra, que germinam, crescem e transformam-se em grandes árvores, sem que o agricultor saiba ou perceba como tudo isso acontece, Jesus quer mostrar que o Reino de Deus tem o seu ritmo próprio de desenvolvimento, independente da preocupação e da actividade humana.

Por tudo isso, não importa como irão desenvolver-se as sementes do Reino que plantarmos. A parte que nos compete é semear. A semente, sem nós percebermos como, dará o seu fruto, em tempo oportuno, quando Deus quiser. O nosso trabalho resume-se em anunciar, testemunhar a Fé em Jesus Cristo e na Sua Igreja e cultivar o amor de Deus nos corações com solos secos, duros e inférteis. Uma vez plantada, lá no íntimo, a semente do Reino desenvolver-se-á e frutifica de maneira misteriosa e silenciosa.

Assim, preparar os terrenos para acolher a semente é a parte mais difícil da nossa tarefa diária. O processo exige conhecimento e um cuidado especial com o solo. O segredo é eliminar a erva daninha dos corações onde queremos chegar com o nosso testemunho e adubar com muita oração e confiança em Deus. Seguindo rigorosamente estas instruções, um dia veremos os frutos.

No nosso dia-a-dia, gostamos muito de ver os resultados das nossas acções. Quando ensinamos alguma coisa que alguém não sabe ou quando ajudamos alguém que está em dificuldades, gostamos de saber se o nosso tempo foi “perdido” ou se, pelo contrário, foi verdadeiramente precioso para aquela pessoa.

Quando trabalhamos pelo Reino de Deus, ou seja, pelo bem da alma do nosso próximo e evangelização nos nossos meios, devemos ter a certeza que a semente plantada não morrerá. Ainda que desanimemos quando não vemos resultados imediatos, sabemos que tudo o que fazemos por amor a Deus vale a pena, pois Ele mesmo cuidará do resto, sem nos apercebermos. Os resultados virão no tempo certo. Virão quando Nosso Senhor entender e quando for mais proveitoso para as nossas almas.

Podemos dizer, por fim, que esta parábola que Jesus nos conta é um apelo à esperança e à confiança em Deus. Tenhamos esta certeza:  tudo o que fazemos por amor a Jesus e à Igreja dará os seus frutos.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Papa Bento XVI alerta para dizermos NÃO a uma cultura que nega Deus

«Comecemos com a primeira parte, a renúncia. São três, e tomo primeiramente a segunda: “Renunciais às seduções do mal para que o pecado não vos escravize?”. O que são essas seduções do mal? Na Igreja antiga, e ainda por séculos, aqui existia a expressão: “Renunciais à pompa do Diabo?”, e hoje sabemos qual era a intenção desta expressão “pompa do Diabo”.

(…)

Mas, além do sentido imediato da palavra “pompa do diabo”, quer-se falar de um tipo de cultura, de um modo de viver no qual não conta a verdade, mas a aparência, não se busca a verdade, mas o efeito, a sensação, e sob o pretexto da verdade, destroem-se os homens, que querem destruir-se e criar somente a si mesmos como vencedores.

Então, esta renúncia era muito real: era a renúncia a um tipo de cultura que é uma anti-cultura, contra Cristo e contra Deus.

(…)

Deixo agora, cada um de vós a reflectir sobre esta “pompa do diabo”, sobre esta cultura a que dizemos “não”. Ser baptizados significa justamente, basicamente, um emancipar-se, um libertar-se desta cultura.

Conhecemos também hoje um tipo de cultura no qual não conta a verdade; também se aparentemente quer-se mostrar toda a verdade, conta somente a sensação e o espírito de calúnia e destruição. Uma cultura que não busca o bem, na qual o moralismo é, no fundo, uma máscara para confundir, criar confusão e destruição."

Contra esta cultura, na qual a mentira se apresenta na veste da verdade e da informação, contra esta cultura que busca somente o bem-estar material e nega a Deus, dizemos “não”.»

Peregrinação Aniversária de Junho

Dom José Manuel Cordeiro, Bispo de Bragança-Miranda, presidiu em Fátima à Peregrinação Aniversária de 12 e 13 de Junho, que faz memória da segunda aparição de Nossa Senhora em 1917.
Na sua homilia, fez referência à Mensagem de Fátima e, indo de encontro ao tema da Peregrinação “Que devo fazer para alcançar a Vida Eterna?”, desenvolveu também a questão da salvação e o que é preciso para a alcançarmos:

“Afinal quem pode salvar-se? Aos homens é impossível, mas não a Deus, porque a Deus tudo é possível. O que não se pode conseguir pelas próprias forças, pode ser recebido como um dom. A salvação não se merece, a salvação acolhe-se.

O cristão é aquele que é capaz de dar o salto qualitativo da Fé, passar da pergunta, ‘Que fazer para alcançar a vida eterna?’  para a pergunta ‘Senhor, que queres que eu faça?” e responder ‘Eis-me aqui.’ Como dizia São Bernardo: ‘Deus não nos ama para que sejamos bons e belos, mas torna-nos bons e belos porque nos ama.’ ”

O Bispo de Bragança lembrou que as aparições de Fátima, não acrescentam nada de novo à Verdade revelada por Deus à Igreja, mas confirmam esta mesma Verdade, tornando-a também mais clara para os homens dos dias de hoje:

A mensagem de Fátima não tem o objectivo de completar a revelação feita pelo próprio Cristo, mas ajuda a viver melhor o Evangelho no nosso tempo. Na verdade não se encontra aqui nada que já não esteja presente na Revelação. Neste sentido, as aparições em Fátima não são a ampliação da revelação, mas constituem uma clarificação do querer Divino na situação histórica do nosso tempo.”

Tendo em conta que foi na Aparição de 13 de Junho de 1917 que Nossa Senhora mostrou aos Pastorinhos, pela primeira vez, o Seu Coração e que lhes foi pedida a Devoção ao Imaculado Coração de Maria, Dom José reflectiu também sobre esta devoção:

“A devoção ao Imaculado Coração de Maria converge para o centro do mistério da redenção, ou seja, no Coração Redentor morto na cruz. Neste mistério de graça e misericórdia, a redenção é maior que o pecado do mundo, como foi repetidamente dito na mensagem de Fátima. O chamamento materno à penitência e à conversão é a expressão do mesmo e único Mistério Pascal de Cristo.

Por fim, Dom José Cordeiro apresentou Nossa Senhora como “Mulher admirável de esperança”:

“Maria aprendeu a esperar. Esperou em confiança o nascimento do Seu Filho, anunciado pelo Anjo; perseverou no acreditar na palavra do mensageiro de Deus, esperou contra toda a esperança aos pés da cruz até ao sepulcro e viveu o sábado santo infundindo a esperança e consolação aos discípulos desiludidos.”

"E quem mais do que Maria poderia ser para nós estrela da esperança? Ela que pelo Seu sim, abriu ao próprio Deus a porta do nosso mundo?” (Papa Bento XVI, Encíclica Spe Salvi)

Homilia completa aqui.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Maria, Mulher Eucarística


Por ocasião da Solenidade de Corpus Christi, que celebramos nesta Quinta-feira, falaremos a respeito da proximidade entre Jesus Eucarístico e a Virgem Maria. Esta reflexão será feita a partir do pensamento do Papa João Paulo II, expresso no documento “A Eucaristia: fonte e ápice da vida e da missão da Igreja”, Instrumentum laboris, de 7 de julho, do Sínodo dos Bispos no Ano da Eucaristia em 2005.

João Paulo II, cujo pensamento em relação a Maria está intimamente ligado com a consagração total a Santíssima Virgem, foi quem deu início ao “Ano da Eucaristia”, que foi um tempo de muito rico para a Igreja. O Documento do qual tratamos, certamente inspirado nas palavras e no pensamento de João Paulo, que havia falecido a pouco mais de três meses, nos recorda as palavras de Santo Ireneu, que dizia: “A Eucaristia é o resumo e a suma da nossa fé”.

Na Eucaristia vemos a realização da aliança com Deus, a aliança da fé, da qual o homem precisa para viver. “Se não acreditardes, não vos mantereis firmes” (Is 7,9b). A Eucaristia é a Nova e Eterna Aliança, que Jesus Cristo nos deixou no Sacramento do Seu Corpo e do Seu Sangue. Na Eucaristia, pela fé, reconhecemos e acolhemos Jesus Cristo como num encontro, no qual nos envolvemos totalmente, como “Maria, modelo de fé plenamente realizada”.

A Eucaristia é o centro da liturgia, na qual está “presente a Trindade, adorada eternamente por Maria e pelos anjos que servem a Deus, oferecendo-nos um modelo do serviço”. Deus também é adorado pelos santos e justos, que estão na sua presença, intercedendo por nós e pelas almas do purgatório.

Dessa forma, a Igreja manifesta-se como família de Deus, que está diante do Senhor em adoração, mas, ao mesmo tempo, está voltada para aqueles que ainda não alcançaram a salvação. Dentre aqueles que estão diante de Deus, a Virgem Maria ocupa um lugar privilegiado pois cremos, com o Papa Leão XIII, que Ela é a mediadora de todas as graças.

Em conformidade com o pensamento do Papa João Paulo II, afirma-se que: “Entre todos os santos, a Santíssima Virgem Maria resplandece como modelo de santidade e de espiritualidade eucarística”. A Tradição da Igreja atesta que o nome de Maria é recordado com veneração nas orações da Santa Missa. Maria está tão ligada ao mistério eucarístico que, na Encíclica Ecclesia de Eucharistia, João Paulo II a chamou de “Mulher eucarística”.

Em Maria realiza-se a relação entre a Mãe e o Filho de Deus, que recebeu o Seu Corpo e Sangue da Virgem. Nela se realiza também a íntima relação que une a Igreja e a Eucaristia, pois Maria é modelo e figura da Igreja, cuja vida e missão tem a fonte e o ápice no Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Maria viveu em espírito eucarístico antes da instituição do Sacramento, pois ofereceu o Seu seio virginal para a encarnação do Verbo. “Durante nove meses, foi o tabernáculo vivo de Deus”. Ela realizou um gesto eucarístico e eclesial, ao apresentar o Menino Jesus aos pastores, aos magos e ao Sumo Sacerdote no Templo. Ofereceu o Fruto bendito do seu ventre ao Povo de Deus e aos gentios, para que O adorassem e O reconhecessem como Messias. A Virgem Mãe, aos pés da cruz, participou dos sofrimentos do seu Filho. Depois, acolheu o Senhor morto nos braços e colocou-O na sepultura, como “semente secreta de ressurreição e de vida nova para a salvação do mundo”. A presença de Maria no Pentecostes, na efusão do Espírito Santo, primeiro dom do Senhor Ressuscitado à Igreja nascente, foi também uma oferta de natureza eucarística e eclesial.

A Virgem Maria, Mãe de Deus que, deu a Sua carne imaculada ao Filho de Deus, estabeleceu para sempre uma relação exclusiva com o Mistério eucarístico. “Em Maria, a mulher eucarística por excelência, a Igreja contempla, não só o seu modelo mais perfeito, mas também a realização antecipada do ‘novo céu’ e da ‘nova terra’, que a criação inteira espera com fervoroso anseio”.

Maria é a mulher eucarística, que gerou o Corpo e o Sangue de Cristo. Por isso, como membros do Corpo de Cristo, que é a Igreja, somos também formados no ventre virginal de Maria. Nesse processo de formação, a consagração a Nossa Senhora tem particular importância, pois conforma-nos a Jesus Cristo de forma mais plena e faz-nos participar melhor nos Sacramentos, principalmente o da Eucaristia, que é a fonte e o ápice da vida e da missão da Igreja.


Somos chamados a consagrar-nos a Maria, mulher eucarística e a invocar a Sua intercessão, para que sejamos fiéis à missão que nos foi confiada por Cristo, para a maior glória de Deus e para a salvação dos homens e do mundo.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Solenidade do Corpo de Deus


Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo,
tão real e perfeito como está no Céu.

Na Solenidade do Corpo de Deus somos convidados a meditar na profundidade do Amor do Senhor, que O levou a ficar oculto sob as espécies sacramentais. Deus não só encarnou num tempo determinado, na pessoa de Jesus Cristo, mas quis ficar sempre connosco na Sua carne. E ficou entre nós em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, tão real e perfeito como está no Céu, no Santíssimo Sacramento da Eucaristia.

O milagre da transubstanciação, em que o sacerdote, pelo poder do Espírito Santo, transforma o pão e o vinho no verdadeiro Corpo e Sangue de Jesus é continuamente renovado na Sagrada Eucaristia. O Deus Altíssimo, Senhor dos Céus e da Terra, oferece-Se continuamente no Altar como sustento para o homem e, no Sacrário, espera pelo nosso amor e pela nossa adoração.

Infelizmente, nos dias de hoje, é relativizado o respeito e adoração que devemos ter para com Jesus Sacramentado, assistindo-se a horríveis profanações e sacrilégios contra Nosso Senhor, vivo e presente no Santíssimo Sacramento da Eucaristia. Muitas vezes, limitamo-nos a uma simples inclinação de cabeça quando passamos diante do Sacrário em vez de uma genuflexão reverente e bem feita, distraímo-nos voluntariamente durante a Missa e fazemos de conta que Jesus não está ali verdadeiramente presente.

Outras vezes, ofendemos este Jesus Sacramentado com cânticos impróprios e com gestos ou posturas que, por muito belos e indicados que sejam para um encontro fora da igreja, em nada se enquadram na celebração do Sacrifício Eucarístico e que em nada proporcionam um ambiente de recolhimento e adoração.

Por outro lado, difunde-se muito – e até exageradamente - a perspectiva de Jesus “amigo” e “irmão”.  É certo que Ele Se fez igual a nós, mas mesmo na Sua vida terena e agora no Santíssimo Sacramento, não deixa de ser Deus e perante Deus a nossa postura deve ser, antes de mais nada, de adoração.

Mas como? Como podemos adorar Jesus no Santíssimo Sacramento da Eucaristia, de uma forma que seja correcta e que Lhe seja agradável?


Aprendamos então, com as sábias palavras do Santo Padre Bento XVI, a adorar Jesus Sacramentado:

“Devemos ajoelhar em adoração diante do Senhor. Adorar o Deus de Jesus Cristo, que Se fez pão repartido por amor, é o remédio mais válido e radical contra as idolatrias de ontem e de hoje. Ajoelhar-se diante da Eucaristia é profissão de liberdade: quem se inclina a Jesus não pode e não deve prostrar-se diante de nenhum poder terreno, mesmo que seja forte. Nós, cristãos, só nos ajoelhamos diante do Santíssimo Sacramento, porque nele sabemos e acreditamos que está presente o único Deus verdadeiro, que criou o mundo e o amou de tal modo que lhe deu o seu Filho único”.

(…)

Adorar o Corpo de Cristo significa crer que ali, naquele pedaço de pão, está realmente Cristo, que dá sentido verdadeiro à vida, ao imenso universo como à menor criatura, a toda a história humana e à existência mais breve. A adoração é a oração que prolonga a Celebração Eucarística e na qual a alma continua a alimentar-se: alimenta-se de amor, de verdade, de esperança e de paz”.


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