"Raios de Luz"


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sexta-feira, 10 de maio de 2013

Ascensão do Senhor: fortalecimento da Fé


Celebramos, no próximo Domingo, a Ascensão do Senhor ao Céu. O Filho de Deus que havia ressuscitado na manhã de Páscoa, permaneceu quarenta dias com os Seus discípulos, ensinando-os e fortalecendo a fé daqueles que haviam de ser os primeiros bispos da Igreja e depois subiu ao céu, para junto do Pai, prometendo o auxílio do Espírito Santo.

Depois de desempenhar esta nobre função de instruir os discípulos nas coisas relativas à Santa Igreja e de lhes certificar a Sua ressurreição, o Senhor, antes de deixar a terra mostrou-se aos discípulos uma última vez. Cercado de cerca de uma centena de pessoas, repetiu-lhes mais uma vez aquilo que lhes tinha ordenado: ensinar o Evangelho pelo mundo inteiro.

Após esta  última petição, o nosso Redentor levantou as mãos e abençoou-os. Essa bênção é um dom que vem de Deus e que marca toda a vida e toda a acção dos discípulos, capacitados para a missão pela força de Deus.

Diz São Boaventura numa meditação sobre a Ascensão, que Jesus abraça a Sua Santíssima Mãe animando-a e conforta os Seus discípulos que entre lágrimas Lhe beijam os pés. Com as mãos levantadas e o rosto extraordinariamente majestoso e amável, o Senhor Se eleva como um Rei, sentando-Se à direita do Pai.

A entrada triunfal de Jesus no Céu deve ser causa da nossa alegria e fortalecimento da nossa Fé. Tal como a águia ensina os seus filhos a voar, assim hoje Jesus nos ensina a elevar os nossos olhos e as nossas almas para o Céu.

Devemos assim fixar a nossa vida neste convite que Jesus nos faz: ir para junto de Deus onde está o nosso Justíssimo Advogado. Para isso, é necessário desprendermos o nosso coração da terra e das coisas mundanas e suspirar pela Pátria Celeste.

Como exemplo e modelo tenhamos diante dos nossos olhos a vida de Nosso Senhor Jesus Cristo e de Sua Mãe, Maria Santíssima, imitando-os na humildade e mansidão, na caridade e acima de tudo pelo zelo pela glória de Deus.

Ao meditar neste Evangelho, procuremos despojar-nos do homem velho que há em nós, revestindo-nos das virtudes de Jesus Cristo. Nem sempre é um caminho fácil, mas recordemos que Jesus voltará um dia como Juiz dos vivos e dos mortos.

Que com o auxílio da Virgem Imaculada, Mãe de Deus e Rainha dos Apóstolos, sejamos capazes de por de lado os bens da terra, para suspirarmos apenas pelos bens do paraíso dos quais somos merecedores pela Paixão de Jesus Cristo.



Proposta de cânticos para a Missa:

Entrada - Aclamai Jesus Cristo
Ofertório - Jesus Cristo, ontem e hoje (C. Silva)
Comunhão - Eu estou sempre convosco (A. Cartageno)
Acção de Graças - Cristo, Filho de Deus (Taizé)
Final - Totus Tuus Maria (A. Cartageno)

terça-feira, 7 de maio de 2013

São Domingos e a devoção ao Rosário


Um dos santos que facilmente se relaciona com a Devoção a Nossa Senhora é São Domingos de Gusmão, um santo de origem espanhola que nasceu no dia 24 de Junho de 1170. Aos vinte e quatro anos, sentindo o chamamento de Deus, recebeu a ordenação sacerdotal. tendo sido enviado para a diocese de Osma, onde se distinguiu pela competência e zelo apostólico.

Durante a Idade Média, período em que viveu, havia a heresia dos albigenses, ou cátaros, surgida no sul da França. O Papa Inocêncio III enviou-o para lá a fim de combater os católicos que acreditavam na reencarnação.

Um dia, estando São Domingos na capela do convento,  rezando pela redenção das almas, apareceu-lhe Nossa Senhora e entregou-lhe o Rosário dizendo: “Se queres ganhar para Deus esses corações endurecidos, prega o meu Rosário". A partir daí, São Domingos com seu zelo inflamado começou a pregar sobre o Rosário e converter milhares de hereges à fé católica. A partir daí, São Domingos com seu zelo inflamado começou a pregar sobre o Rosário e converter milhares de hereges à fé católica.

Conta a tradição, que certo dia, em Roma uma piedosa senhora se foi confessar a São Domingos e que este lhe impôs como penitência rezar um Rosário, tendo-a também aconselhado a rezá-lo todos os dias da sua vida. Todavia, a senhora respondeu que já rezava muitas outras orações e que não gostava do Rosário.

Um dia, estando a senhora em oração, foi arrebatada em êxtase, e a sua alma foi obrigada a comparecer diante do supremo Juiz. São Miguel apresentou uma balança, onde de um lado colocou todas as suas penitências e outras orações, e de outro lado os seus pecados e imperfeições.

O prato das boas obras não conseguiu contrabalançar o outro. Alarmada, recorreu a Nossa Senhora, pedindo misericórdia. Eis pois que a Santíssima Virgem colocou sobre a balança das 'boas obras' um único Rosário, que ela tinha rezado por penitência. Foi tão grande o peso, que venceu o peso dos pecados.

Quando voltou a si, foi ajoelhar-se diante de São Domingos, contou-lhe então o sucedido e pediu-lhe perdão pela sua falta de fé e devoção à oração do Terço do Rosário.

São Domingos foi de facto o grande impulsionador da devoção à oração do Rosário. Tal como este acontecimento na vida desta mulher que compreendeu o valor do Terço, muitos outros aconteceram com a pregação deste Santo Mariano.

Procuremos com esta meditação aprofundar a história da devoção ao Rosário, mas mais ainda, fomentar o hábito de rezar o Terço em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria e pela conversão dos pecadores.

sábado, 30 de março de 2013

Ao sepultar Jesus, sepultemos o nosso coração, como o de Maria


Quando uma mãe assiste à morte de seu filho, sem dúvida que ela sente e sofre bastante com isso. Mas quando o filho atormentado, já morto, deve ser sepultado e a aflita mãe despedir-se dele com o pensamento de não mais o tornar a ver é uma dor que excede todas as dores. Foi esta a última dor que trespassou o Coração aflito de Maria Santíssima.

Neste dia em que a Igreja aguarda na expectativa da Ressurreição Gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo, voltemos ao Calvário de forma a observar atentamente a dor de Maria, que ainda com o corpo de Jesus nos braços, se consome de dor ao beijar-lhe as chagas.

Os discípulos de forma a pouparem a Virgem Maria de tão grande dor, prepararam o necessário para colocar Jesus no sepulcro. Envolvido num sudário e embalsamado com aromas, carregam o corpo de Jesus até ao sepulcro novo cavado na rocha. De certo que as mulheres seguiam atentamente o cortejo e entre elas, a Mãe Santíssima com o Coração trespassado, acompanhando o Filho à sepultura.

Depois de colocado o corpo no sepulcro novo, os discípulos rolam a pedra para a entrada e assim encerram o corpo de Jesus, naquela terra.

Diz São Boaventura que a Divina Mãe, antes de deixar o sepulcro, abençoou aquela sagrada pedra e assim, dando o Seu último adeus ao Filho, volta para casa, deixando o Seu coração sepultado com Jesus.

E nós? Onde termos o nosso coração sepultado? Será que o sepultamos nos bens do mundo, nos interesses, no lodo do pecado? «Porque é que não sepultamos o nosso coração com Jesus que depois de morto e ressuscitado não quis ficar morto mas no Santíssimo Sacramento do altar para assim ter consigo todos os nossos corações?», diz-nos Santo Afonso.

Procuremos imitar Maria nas nossas vidas. Encerremos o nosso coração, como fez Maria, no santo Tabernáculo para não mais o tirar de lá. Coloquemo-nos em espírito com a Mãe Dolorosa junto do sepulcro de Jesus e unamos os nossos afectos com os de Maria e digamos com amor:

«Ó meu Jesus sepultado, beijo a pedra que Vos encerra. Vós que ressuscitastes ao terceiro dia, fazei que, pelos méritos da Vossa Gloriosa Ressurreição, no último dia também eu ressuscite convosco na glória, para estar sempre unido a Vós no céu, para Vos louvar e adorar eternamente».

sexta-feira, 29 de março de 2013

A descida de Jesus da cruz e a dor de Maria


Na tarde da Paixão, temendo a Mãe dolorosa que depois do ultraje da morte de Seu amado Filho, fossem feitas injúrias ao Seu corpo, pede a José de Arimateia que obtivesse de Pilatos o corpo de Jesus, a fim de que, ao menos morto, o pudesse guardar e livrar dos ultrajes.

Diz-nos Santo Anselmo que, tomado por compaixão pela Virgem Dolorosa, José foi ter com Pilatos e pediu-lhe que deixasse retirar o corpo de Jesus. E eis que descem Jesus da cruz.

Foi revelado a Santa Brígida que para o descimento, encostaram à cruz três escadas. Primeiro, os discípulos despregaram as mãos e depois os pés, sendo os cravos entregues a Maria. Depois, segurando um o corpo de Jesus por cima e o outro por baixo, desceram-no da cruz.

À Sua espera estavam os braços abertos da Santíssima Virgem Maria cujo coração tinha acabado de ser trespassado com a morte de Seu Filho e seria trespassado ainda quando O recebesse em Seus braços.
O corpo de Jesus, deposto nos braços de Maria, está coberto de sangue. A Sua santa cabeça está marcada pelos espinhos que lhe serviram de coroa e as Suas santas mãos e pés estão perfurados.

«Ah Meu amado Filho! A que estado te reduziu o amor para com os homens! Que mal fizeste para assim te maltratarem? Ó espinhos cruéis, cravos atrozes e bárbara lança, como pudestes tratar assim o vosso criador?»

A Mãe amargurada, junto à cruz, com Seu Filho nos braços chora pelos pecadores. Quais cravos e quais espinhos? As dores que Jesus sentiu, o sofrimento que causaram no Seu Corpo foram os pecados da Humanidade inteira que foi redimida pelo Seu sangue.

«O Virgem Santíssima, depois que Vós, com tanto amor destes o Vosso Filho ao mundo para a nossa salvação, eis que o colocamos assim em Vossos braços»

A Virgem Maria sofreu com a morte de Seu Filho e continua a sofrer com os pecados que continuamente proferimos contra o fruto das Suas entranhas. Não continuemos pois a atormentar esta Dolorosa Mãe, e se no passado nós também a temos afligido com as nossas culpas, façamos o que Ela mesmo nos diz: «Pecadores, voltai ao coração ferido do Meu Jesus, voltai arrependidos e Ele vos acolherá» - revelação feita pela Santíssima Virgem a Santa Brígida.

Terminamos a nossa meditação com mais uma oração de Santo Afonso que provém da tomada de consciência das dores de Maria:
«Ó Virgem Dolorosa, ó alma grande nas virtudes e grande também nas dores, pois tanto umas como outras nascem do amor que tendes para com Deus. Ah, minha Mãe! Tende piedade de mim, que não tenho amado Deus e O tenho ofendido. Nas Vossas dores medito e tenho confiança no perdão de Deus. Ó Maria, Vós que consolais a todos, consolai-me também a mim».

Sexta-feira Santa: Jesus morre pelos nossos pecados



«Pater, in manus tuas commendo spiritum meum»

É esta a última palavra que Jesus profere com confiança filial e perfeita resignação com a vontade de Deus. Celebramos hoje a Sexta-feira da Paixão do Senhor. Depois de meditarmos nestes últimos dias, o que aconteceu a Jesus desde a Sua entrada triunfal em Jesus, hoje contemplamos o Senhor pregado da cruz, entre dois ladrões, como se de um malfeitor se tratasse.

As últimas palavras de Jesus demonstram que Ele não estava no mundo para fazer a Sua vontade, mas a de Seu excelso Pai, Nosso Senhor. E colocando-se nas mãos de Deus, Jesus estava disposto a suportar, se fosse vontade divina, maior padecimento sobre a cruz.

Poder-nos-íamos questionar se algumas vez seríamos de fazer o mesmo nas nossas vidas. Será que seríamos capazes de entregá-La por Deus, padecendo os suplícios que nos fossem impostos? Quantos mártires já fizeram parte dos dois mil anos de história da Santa Igreja. De certo que todos eles olharam para a entrega total de Jesus na Cruz e foram capazes de entregar as suas vidas nas mãos do Pai.

Pelas três horas da tarde, a morte abeira-se de Jesus, e enquanto treme a terra, se abrem os túmulos e se rasga o véu do templo, as forças de Nosso Senhor vão-lhe falhando e eis que ao abandonar o corpo, deixa cair a cabeça e expira: «Tudo está consumado».

Todos aqueles que estavam com Jesus, por causa da força com que proferiu as Suas últimas palavras, contemplam-no silenciosamente, e vendo-o expirar dizem: o Senhor morreu!

O Autor da Vida morreu!

«Vem minha alma, levanta os olhos e contempla o Cordeiro Divino já imolado no altar da cruz; lembra-te que Ele é o Filho predilecto do Pai e que morreu pelo amor que te tem dedicado. Vê esses braços abertos para te acolherem, a cabeça inclinada e o lado perfurado para te receber.»

Santo Afonso convida-nos a olhar para o amor com que Jesus nos ama e que culminou na cruz. Deus não poupou a Sua própria pessoa para demonstrar o quanto nos ama.

«Meu Jesus, lançai sobre mim um esse olhar afectuoso com que me olháveis da cruz, olhai-me, iluminai-me e perdoai-me! Perdoai-me em particular a ingratidão que tenho para convosco, pensando tão pouco na Vossa Paixão e no amor que nela me tendes demonstrado».

Ao contemplarmos o triste cenário da morte do Autor da Vida no madeiro da cruz, detenhamo-nos naquilo que foi esta entrega. Jesus padeceu, foi açoitado, coroado de espinhos, pregado num madeiro e posto à vista de todos. Muitos  foram aqueles que O escarneceram e duvidaram da Sua Divindade.

Quantas vezes, também nós o açoitamos com os nossos pecados? Sem termos consciência do que Jesus sofreu ao ser trespassado por aqueles pregos, ofendemo-lo, ofendemos a Sua Santa Mãe e carregamos ainda mais nos cravos que chagaram as Suas benditas mãos.

Ó Maria, minha Mãe e Mãe das Dores, Vós que chorastes amargamente a morte do Vosso Filho no madeiro da cruz, purificai-me com as Vossas lágrimas, para que me emende e procure, em tudo e sempre, ser verdadeiramente um filho amado de Deus Pai Todo-Poderoso.


quarta-feira, 27 de março de 2013

Meditações para a Semana Santa: Jesus é coroado de espinhos


Nesta quarta-feira da Semana Santa, contemplemos os outros bárbaros suplícios que os soldados infligiram a Nosso Senhor já tão atormentado. Como afirma São João Crisóstomo, subordinados pelo dinheiro dos judeus, reúnem ao redor de Jesus toda a corte, põem-lhe aos ombros um manto escarlate como que a servir de manto real, nas mãos uma cana a servir de ceptro e sobre a cabeça um feixe de espinhos a servir de coroa.

Oh meu Jesus e meu rei! Quanto sofrestes Vós nas mãos dos algozes. Já não bastavam os açoites e a condenação, como ainda Vos escarneceram e troçaram de Vós!

Os espinhos da coroa eram carregados sobre a cabeça de Jesus, com a força das mãos dos malfeitores e cravavam-se-Lhe na Sua Sagrada Face. Gotas de Sangue escorriam no rosto de Jesus. Imaginemos o quanto sofreu o nosso Salvador com aqueles espinhos todos a perfurarem-lhe a testa e a cabeça.

Mas como, para os soldados, isso não bastava, ainda pegaram na cana que 'servia de ceptro' e enquanto O escarravam o rosto, batiam-lhe também no rosto com toda a força sobre a cruel coroa e rios de sangue corriam da cabeça ferida até ao resto do corpo.

Santo Afonso, ao meditar nestes momentos da vida de Jesus, exclama: «Minha alma, prostra-te aos pés do teu Senhor coroado; detesta os teus consentimentos pecaminosos, e roga-Lhe para que, também a ti, te trespasse um daqueles espinhos, consagrados pelo Seu Preciosíssimo Sangue, a fim de que não O voltes a ofender».

Voltando outra vez Jesus ao Pretório de Pilatos, depois da flagelação e da coroação de espinhos, este, ao vê-lo todo dilacerado e  desfigurado, pensou em como comover o povo à compaixão e apresentou-O ao povo dizendo: "Ecce homo" - Eis o Homem.  E nós? Como nos deteríamos diante de tão triste espectáculo? Como reagiríamos ao ver Jesus naquele estado diante de nós? De certo faríamos como Pilatos e lavaríamos as mãos. Quantas vezes os nossos pecados ferem o coração dilacerado de Jesus e não nos importa a forma como Ele é escarnecido e maltratado?

«Ah, Meu Jesus! Quantos papéis de teatro Vos fizeram os homens representar, mas todos eles de dor e ignomínia! Ó dulcíssimo Redentor, não encontraste compaixão diante daqueles homens atrozes!»

Também nós, quando ferimos Jesus com os nossos pecados dizemos-Lhe, como disseram os judeus, «crucifica-O, crucifica-O». Hoje, detenhamo-nos no arrependimento dos nossos pecados, mais do que todos os outros males que afligem a nossa alma, e procuremos fazer nossas as palavras de Santo Afonso: «Amo-Vos sobre todas as coisas, ó Deus da minha alma. Perdoai-me pelos merecimentos da Vossa Paixão. Ó Mãe das Dores, fazei que no dia do juízo, eu seja salvo pelo Vosso Filho!».


sexta-feira, 8 de março de 2013

"Alegra-te meu filho, porque o teu irmão voltou à vida!"


A Liturgia deste Domingo, o IV da Quaresma, marca o início de uma "segunda parte" deste tempo Santo. A antífona de entrada desta Missa resume um pouco o tema central da liturgia deste Domingo Laetare: Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações!”

A meio da Quaresma a Igreja convida e é convidada a reunir todos os seus membros para celebrar com alegria e de coração, o memorial da Paixão e Morte de Jesus e respectiva Redenção. Não se trata de viver as solenidades Pascais com uma alegria desregrada mas sim com a alegria trazida pela Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O Evangelho deste Domingo, do evangelista São Lucas traz-nos à memória a Parábola do Filho Pródigo, uma 'história' já tantas vezes escutada e meditada mas que tem sempre algo de novo a dizer-nos e que nos aponta qual deve ser a nossa atitude face aos erros e que demonstra a grandiosidade do amor de Deus por cada um de nós.

Poderemos pois começar por perceber quem são, ou quem podem ser as diferentes personagens desta parábola que Jesus contou aos publicanos que d'Ele se aproximavam e também aos escribas e fariseus que se julgavam melhores que os outros.

O Pai que Jesus refere na parábola é o Seu próprio Pai, Deus todo-poderoso. No que se refere aos dois filhos, o mais novo que sem juízo deixou o Pai, largou tudo, pensando poder ser feliz por si mesmo, longe de Deus, procurando uma liberdade que não passava de ilusão.

Ao falar para os escribas e fariseus, Jesus queria que eles se revissem na personagem do filho mais velho. Este representa os que pensam que estão em ordem com o Pai e não lhe devem nada, são os que se acham no direito de pensar que são melhores todos os outros e, por isso, merecem a salvação.

Quem somos nós nesta parábola? Somos o filho mais novo, que vivemos num mundo actual que rejeita Deus e acabamos por nos deixar ir atrás das correntes e dos pensamentos, deixando, no nosso dia-a-dia, nos nossos ambientes de estudo e de trabalho, apagar a chama da fé e acabando por colocar Deus em segundo plano?

Ou será que somos como o filho mais velho que negou a misericórdia, e vamos negando o perdão, e enchendo-nos de raiva pela bondade que Deus tem pelos pecadores e que n´so também deveríamos ter para com aqueles que nos ofendem?

Estamos sensivelmente a meio do Tempo Santo da Quaresma. Procuremos preparar o nosso coração e abeirarmo-nos do Pai Misericordioso, através do Sacramento da Penitência, fazendo como o filho que volta ao Pai, de coração contrito e marcado pelo pecado.

Peçamos perdão a Deus e procuremos, perdoar os nossos irmãos. Confiemo-nos à protecção de Maria Santíssima, que Ela, o Doce Coração, faça com que o nosso coração seja semelhante àquele que tanto amou Nosso Senhor Jesus Cristo.


segunda-feira, 4 de março de 2013

Coração de Maria, cheio de amor pelos Homens


Durante esta semana a Paróquia de Mafra receberá a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima que visitará a freguesia de 07 a 17 de Março. Tendo em vista a preparação espiritual deste acontecimento, nestes próximos dias a JMV Sobreiro publicará algumas meditações de Santo Afonso Maria Ligório sobre a Virgem Santíssima.

Em Fátima, Nossa Senhora disse à Lúcia que teria muito que sofrer, mas que o Seu coração seria o refúgio desta pequena e «Por fim, o meu imaculado coração triunfará». Meditemos pois neste coração tão cheio de Amor que é o Coração Imaculado da Virgem Maria.

Não há, segundo Santo Afonso Maria Ligório, «coração mais amável que o coração de Maria. Coração puro, santo, imaculado, perfeito, Coração no qual Deus encontra as Suas delícias e as Suas complacências - Coração ao mesmo tempo tão amante dos Homens, que se todas as criaturas unissem as suas forças, nem de longe conseguiriam igualar o amor de Maria.» É este coração cheio de amor que nos visitará e que espera de nós apenas uma coisa: a devoção. Em Fátima nossa Senhora pediu a devoção ao Seu Imaculado Coração. Somos nós filhos que reconhecem este amor e que com amor agradecem todas as graças?

«Este amor de Maria para com o género humano levou-A a fazer o doloroso sacrifício de entregar à morte o Seu Filho inocente. Leva-a continuamente a compadecer-se com ternura maternal das nossas misérias, a socorrer-nos generosamente nas nossas necessidades e a recompensar fielmente qualquer obra feita pelo seu amor.»

Em retribuição de todos os benefícios que recebemos de Nossa Senhora, «não exige senão o nosso amor; porquanto seu coração, à semelhança do de Jesus, é um coração desejoso de ser amado».


Ó Coração de Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe,
coração amabilíssimo,
objecto da complacência da adorável Trindade,
de toda a veneração e amor dos anjos e dos homens.
Coração mais semelhante ao de Jesus, do qual sois imagem perfeita,
Coração cheio de bondade e compassivo pelas nossas misérias,
dignai-Vos tirar a frieza do nosso coração
e fazei que sejam transformados à semelhança do Coração do Divino Salvador.
Sêde caminho para irmos até Jesus
e canal pelo qual nos venham todas as graças para a nossa salvação.


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

"Nenhum profeta é bem recebido na sua terra"


"Só Cristo é capaz de nutrir no íntimo; os outros nutrem externamente, como a servidores (...). 
De facto, alimenta a alma exausta e enche de bens aquela faminta"
Santo Tomás de Aquino


No Evangelho deste IV Domingo do Tempo Comum encontramos Jesus a ser posto em causa por aqueles que estavam com Ele na sinagoga (como escutámos no evangelho do Domingo passado).

Jesus veio para anunciar a Boa-Nova do Reino, no entanto, essa Sua missão não foi bem entendida pelo povo judeu. Os homens e mulheres que rodeavam Jesus no início da Sua vida pública esperavam um Messias que fizesse milagres e que fosse "fora do normal".

“Nenhum profeta é bem recebido na sua terra” e como tal, os judeus tinham visto Jesus crescer e sabiam quem era o Seu Pai e a Sua Mãe, no entanto, não percebiam verdadeiramente a profundidade do mistério da vida de Jesus.

Perante esta confusão dos habitantes de Nazaré e as suas questões acerca de Jesus, Este, deparando-se com uma profunda falta da fé daquele povo repreende-os dando exemplos da forma com Deus, no passado, tinha escolhido  alguns profetas, não para os que lhes eram próximos, mas para outros.

Perguntemo-nos então: quanto posso eu identificar-me com os compatriotas de Jesus? A crítica, a murmuração, a inveja, a maledicência, fazem tantas vezes parte das nossas vidas e fazem-nos afastar de Deus e quase que apagar a luz da verdadeira Fé.

Consideramo-nos católicos crentes e que temos uma relação com Jesus todos os dias. Somos até capazes de estar em ambientes em que se fala d'Ele mas que impacto tem isso nas nossas vidas?

No decorrer do relato feito por São Lucas, os nazarenos pedem a Jesus que faça na Sua terra aquilo que tinha feito em Cafarnaum. Esperavam eles, mais uma vez, a manifestação exterior de Jesus e milagres apenas para os satisfazer. Quantas vezes nos aproximamos nós de Deus apenas para lhe pedir coisas? Jesus apresenta-nos uma proposta de salvação que se traduz em actos concretos nas nossas vidas.

O Evangelho termina com a referência à vontade de matar Jesus. Os habitantes de Nazaré não estavam satisfeitos com o que Jesus lhes tinha dito e então pretendiam livrar-se d'Ele. Também nós, muitas vezes nas nossas vidas, vamos abandonando Jesus e buscando no mundo e na carne a "satisfação" para os nossos problemas.

Jesus é verdadeiramente o nosso Salvador. Só Ele nos pode dar a Vida eterna. Procuremos nesta semana tomar consciência do quanto ficamos aquém daquilo que Deus espera de nós e esforcemo-nos por viver segundo os ensinamentos de Jesus.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

São Tomás de Aquino, doutor da Igreja


Neste dia lembramos uma das maiores figuras da Igreja: São Tomás de Aquino. Conta-se que, quando criança, com cinco anos, Tomás, ao ouvir os monges cantando louvores a Deus, cheio de admiração perguntou: "Quem é Deus?".

Desde o início do Ano Pastoral que a JMV Sobreiro se tem dedicado a formar-se na doutrina e Fé da Igreja, utilizando como referência a obra de São Tomás. Desta forma, consideramos que não podíamos deixar passar em branco a Memória Litúrgica deste Doutor da Igreja. 

São inúmeros os textos, comentários e ensinamentos que São Tomás deixou escritos. De entre eles, a nosso ver, pode destacar-se a Suma Teológica e o Sermão sobre o Credo.

Como tal, deixamos aqui uma leitura da Liturgia das Horas deste dia que é da autoria de São Tomás. Já utilizámos partes deste bonito comentário no entanto, nunca é de mais reler e aprender com ele.

Aprendamos com São Tomás de Aquino a servir a Deus e a anunciar aos outros as maravilhas do Senhor.

São Tomás, rogai por nós!




A cruz, exemplo de todas as virtudes
(Collatio 6 super Credo in Deum - Sec. XIII)

«Que necessidade havia para que o Filho de Deus sofresse por nós? Uma necessidade grande e, por assim dizer, dupla: para remédio contra o pecado e para exemplo do que devemos fazer.

Foi em primeiro lugar um remédio, porque na paixão de Cristo encontramos remédio contra todos os males em que incorremos por causa dos nossos pecados.

Mas não é menor a utilidade que tem como exemplo. Na verdade, a paixão de Cristo é suficiente para orientar toda a nossa vida. Quem quiser viver em perfeição, basta que despreze o que Cristo desprezou na cruz e deseje o que Ele desejou. Nenhum exemplo de virtude está ausente da cruz.

Se queres um exemplo de caridade: Não há maior prova de amor do que dar a vida pelos seus amigos. Assim fez Cristo na cruz. (...)

Se procuras um exemplo de paciência, encontras na cruz o mais excelente. (...). Ora Cristo suportou na cruz grandes sofrimentos, e com grande serenidade, porque sofrendo não ameaçava; e como ovelha levada ao matadouro, não abriu a boca. (...)

Se queres um exemplo de humildade, olha para o crucifixo: Deus quis ser julgado sob Pôncio Pilatos e morrer.

Se procuras um exemplo de obediência, segue Aquele que Se fez obediente ao Pai até à morte: assim como pela desobediência de um só, isto é, Adão, muitos foram constituídos pecadores, assim também pela obediência de um só muitos serão justificados.

Se queres um exemplo de desprezo pelas honras da terra, segue Aquele que é Rei dos reis e Senhor dos senhores, no qual se encontram todos os tesouros de sabedoria e de ciência e que na cruz está despojado dos seus vestidos, escarnecido, cuspido, espancado, coroado de espinhos e dessedentado com fel e vinagre.
Não te preocupes com trajes e riquezas, porque repartiram entre si as minhas vestes; nem com as honras, porque troçaram de Mim e Me bateram; nem com as dignidades, porque teceram uma coroa de espinhos e puseram-Ma sobre a cabeça; nem com os prazeres, porque para a minha sede Me deram vinagre.»


terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Bendita sois, Maria!




Como Deus prometera,
a Salvação nos veio
E o Príncipe da Paz nasceu do Vosso seio:
Bendita sois, Maria!

Gerada sem pecado, inteiramente pura,
Maravilhosa imagem da Igreja futura:
Bendita sois, Maria!

Os povos Vos esperam,
Mãe da humanidade;
Chamai-os para Cristo, a eterna claridade:
Bendita sois, Maria!




De um Hino da Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Theotokos - Santa Maria Mãe de Deus


No primeiro dia do ano a Igreja celebra a Solenidade de Maria Santíssima sob o título de «Theotokos - Mãe de Deus». A Virgem Mãe, Filha de Seu Filho, humilde e mais sublime que toda criatura, tem o direito de chamá-lo "Filho", e Ele, Deus onipotente, chama-a, com verdade e amor filial de Mãe

A Solenidade que a Igreja celebra actualmente no primeiro dia do ano foi a primeira festa mariana que apareceu na Igreja ocidental, substituindo assim, o costume pagão das dádivas, no entanto, nem sempre foi celebrada no dia 1 de Janeiro. Desde 1931 que era celebrada no dia 11 de Outubro, mas com a última revisão do calendário religioso passou à data actual, na qual se comemorava a Circuncisão de Jesus, oito dias após ter nascido.

Deus fez-se carne por intermédio de Maria. A Virgem Santíssima é então o ponto de união entre o Céu e a Terra. Contribuiu para a obtenção da plenitude dos tempos.  O próprio Jesus através do apóstolo São Lucas, diz: "Uma árvore boa não dá frutos maus, uma árvore má não dá bom fruto". Portanto, pelo fruto se conhece a árvore.

Santa Isabel, quando recebeu a visita de Maria, exclamou: "Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre."  O Fruto do ventre de Maria é o Filho de Deus Altíssimo, Jesus Cristo, nosso Deus e Senhor. Quem aceita Jesus, fruto de Maria, aceita a árvore que é Maria. Maria é de Jesus e Jesus é de Maria.

Que a contemplação deste mistério exerça em nós a confiança inabalável na Misericórdia de Deus, para nos levar ao caminho recto, com a certeza do Seu auxílio, para abandonarmos a vida de pecado e vivermos em Jesus Cristo, que nos conduz à Vida Eterna.

Entreguemos o novo ano à protecção de Maria Santíssima que, quando se tornou Mãe de Deus, fez-se também nossa Mãe.


Proposta de Cânticos para Missa:

Entrada: Salvé, ó Virgem Maria - CECI 65
Ofertório: Jesus Cristo, ontem e hoje - CECI 66
Comunhão: O Trigo que Deus semeou - C. Silva
Acção de Graças: Senhor trazei-nos a paz - CECII 155
Fim / Beija-Menino: Vinde adoremos (Adeste fideles) - CT 301


CEC I e II - Cânticos de Entrada e de Comunhão (I e IIVolume);
CT - Cantemos Todos;



domingo, 23 de dezembro de 2012

Bem-Aventurada Aquela que acreditou


visitacao
O Evangelho deste IV Domingo do Advento apresenta-nos a Visitação de Nossa Senhora a Sua prima Isabel. Ao saber pelo Anjo da gravidez de Isabel, já de idade avançada, a Virgem Puríssima parte para a auxiliar. Apesar de ser A eleita de Deus e de já trazer no Seu seio o Messias, Nossa Senhora não hesita em prestar ajuda. Também nós somos convidados diariamente a pôr os olhos na humildade e entrega de Nossa Senhora.


«Bendita és tu entre todas as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre». Foi desta forma que Isabel saudou a sua prima. Diariamente, na recitação do Terço do Rosário, a Igreja repete as palavras de Isabel e saúda Nossa Senhora com esta expressão. Maria é de facto bendita porque foi a eleita de Deus e porque foi escolhida para ser a Mãe de Deus. No entanto, maior ainda é o Seu Santo Filho, Jesus Cristo Nosso Salvador que é fruto do ventre da Virgem Puríssima.

Isabel acrescenta: «Bem-aventurada aquela que acreditou…» Podermos pensar porque é que Nossa Senhora acreditou: era Virgem, e ainda só estava desposada a São José. No entanto, ao ouvir as palavras do Anjo, Maria porque é humilde, acreditou e disse o seu "Sim" que constituiu o "Sim" da espécie humana à Salvação de Deus. 

Humildade, espírito de serviço e amor, são virtudes vividas por Nossa Senhora que verdadeiramente importa imitar. Com elas vivemos com autenticidade e muita alegria, não só a Festa do Natal que se aproxima, mas também as nossas vidas. Quando cultivamos em nós estas virtudes essenciais, temos a possibilidade de, através da luz da Fé, «ver» o rosto humilde, terno, cheio de encanto e de amor de Jesus Menino que a todos vem salvar. 

O Santo Padre, no dia 24 de Dezembro de 2006 dizia: «A celebração do Santo Natal já é iminente.(...) No recém-nascido Divino, que colocaremos no presépio, torna-se evidente a nossa salvação. No Deus que Se faz homem por nós, sentimo-nos todos amados e acolhidos, descobrimos que somos preciosos e únicos aos olhos do Criador. O Natal de Cristo ajuda-nos a tomar consciência do valor da vida humana, a vida de cada ser humano, desde o seu primeiro instante até ao seu fim natural. A quem abre o coração a este "menino envolvido em panos" e colocado "numa manjedoura" (cf.Lc 2, 12), Ele oferece a possibilidade de olhar com olhos novos as realidades de todos os dias. Poderá saborear o poder do fascínio interior do Amor de Deus, que consegue transformar em alegria o sofrimento.»

Procuremos olhar para o exemplo de Nossa Senhora e para a Saudação de Isabel como uma bela catequese que nos deve impelir a procurarmos sempre ir em auxílio dos mais necessitados e dar graças à Mãe de Deus por tão grande benefício. Através d'Ela veio ao mundo Aquele que, tal como diz o Papa Bento XVI, «nos faz tornar evidente a nossa salvação».

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